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Jovem adotada por americanos reencontra pais biológicos na China após 20 anos
Os pais biológicos de Kati, Xu Lida e Qian Fenxiang, passaram anos se perguntando o que teria acontecido com a filha que abandonaram ainda bebê. Por causa da política do filho único que vigorava na época na China, criar a criança seria custoso demais para a família, que era pobre e já tinha uma filha.
Eles mantiveram a gravidez em segredo e abandonaram o bebê num mercado, três dias depois do nascimento, acompanhado de um bilhete endereçado a quem adotasse a criança.
A carta dizia: "Minha filhinha nasceu em 1995, de manhã, em Suzhou. Por causa da pobreza e de outros problemas, não tivemos outra escolha senão abandonar nossa filha nas ruas. Se vocês tiverem simpatia por nós, pais, por favor, nos encontrem na Ponte Quebrada, em Hangzhou, daqui a 10 ou 20 anos".
Um ano depois de ser deixada na rua, Kati foi adotada por um casal dos Estados Unidos e foi morar em Michigan. A Ponte Quebrada de Hangzhou, mencionada no bilhete deixado pelos pais biológicos de Kati, é um famoso ponto de encontro. Todo ano, no dia 7 de julho, as pessoas vão até lá para se reencontrarem com entes queridos.
Por muitos anos, Xu Lida e Qian Fenxiang foram à ponte uma vez por ano esperar por Kati. A menina só ficou sabendo do esforço dos pais biológicos em contatá-la quando completou 20 anos.
"Um dia no carro eu perguntei para a minha mãe: 'O que você sabe da minha adoção'. E ela disse: 'Ah, é... Tem uma coisa que provavelmente a gente devia ter te contado há um tempo,'" conta Kati.
Kati descobriu que os pais biológicos dela apareceram em um documentário e que o cineasta Changfu Chang estava em contato com ambas as famílias - a biológica e a adotiva.
Em busca de respostas, a jovem assistiu ao filme, que contava a saga de seus pais biológicos. Nele, Qian explica que teve que dar a luz longe dos hospitais e sem ajuda médica, porque precisariam apresentar à clínica uma autorização para o parto.
Kati se comoveu com o relato dos pais biológicos e com a dor que eles demonstravam sentir por não poder terem contato com a filha.
"Eu me senti mal por toda a culpa que eles sentiam", diz. A jovem decidiu, então, voar até a China para encontrar os pais na ponte, da forma como eles haviam planejado.
O encontro, registrado pelo cineasta Changfu Chang, foi emocionante. A mãe de Kati chorava copiosamente, e não parava de pedir perdão à filha.
"Finalmente eu te vi, finalmente te encontrei. Mamãe sente muito, sente muito", repetia Qian à filha.
Depois de encontrar com os pais e a irmã mais velha, Kati passou alguns dias com a família.
"O amor é imenso. Eu sei que meus pais adotivos me amam e agora eu tenho todo esse novo amor que eu nem sabia que existia, mas que sempre esteve aí", diz Kati.
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