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Menino vira 'herói' após salvar irmã baleada na guerra civil do Iêmen
A garota Ruwaida, de seis anos, coletava água para sua família quando foi alvejada por um atirador na região de Taiz, cidade sitiada em meio à guerra civil do Iêmen, um dos países mais pobres do mundo.
O irmão dela, Omri, virou um herói no país ao socorrer a irmã, que sangrava no chão após o tiro. O estado de saúde da garota ainda é delicado, após ter seu crânio fraturado.
O conflito no Iêmen, que se acirrou há quase cinco anos, já matou mais de 100 mil pessoas, sendo 12 mil civis, segundo organizações de direitos humanos. É a pior crise humanitária em andamento no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a ONG Save the Children, quase 85 mil crianças podem ter morrido de desnutrição por consequência do conflito. Quase 80% da população, cerca de 24 milhões de pessoas, precisam de proteção e assistência humanitária.
A guerra civil opõe duas potências do Oriente Médio. De um lado, estão as forças do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita. Do outro, está a milícia rebelde huti, de xiitas, apoiada pelo Irã, que controla a capital, Sanaa.
Os hutis também ocupam áreas na região de Taiz, onde vivem a garota Ruwaida e sua família.
As raízes do conflito estão na tentativa frustrada de estabilidade política no Iêmen depois que o governo autoritário de Ali Abdullah Saleh deixou o cargo em 2011, na esteira da Primavera Árabe.
O sucessor dele, Abdrabbuh Mansour Hadi, passou a enfrentar uma série de problemas, incluindo ataques da Al-Qaeda, um movimento separatista no sul, a resistência de muitos militares que continuaram leais ao antecessor, assim como corrupção, desemprego e insegurança alimentar.
O movimento huti, que segue uma corrente do islã xiita chamada zaidismo e havia travado uma série de batalhas contra Saleh na década anterior, tirou proveito da fraqueza do novo presidente e assumiu o controle da província de Saada, no nordeste do país.
Preocupados com o crescimento de um grupo que eles acreditavam ser apoiado militarmente pelo poder xiita local do Irã, a Arábia Saudita e outros oito Estados sunitas árabes começaram uma série de ataques aéreos para restaurar o governo de Hadi, que fugiu do país.
O Iêmen é estrategicamente importante, porque está no estreito de Bab-el-Mandeb, na "esquina" entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, que é rota de navios petroleiros. Além disso, muitas potências lucram indiretamente com a guerra iemenita: a coalizão saudita que bombardeia o Iêmen compra armas de países como Estados Unidos, Reino Unido e França.