Coronavírus: 'Descobri pela TV que eu estava infectada'

Hospital na Índia

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Hospital na Índia; primeira paciente do país não teve sintomas durante dias
    • Author, Swaminathan Natarajan
    • Role, Do Serviço Mundial da BBC
  • Tempo de leitura: 4 min

"Eu não sabia ao certo o que estava acontecendo. Quando perguntei aos médicos, eles disseram que estava tudo bem."

Rafia (nome fictício) é uma estudante de medicina de 20 anos que se tornou a primeira pessoa a ser diagnosticada com o novo coronavírus na Índia — segundo o boletim mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 28 de fevereiro, o país tem três casos confirmados até agora; no mundo, segundo a OMS, são mais de 83,2 mil casos registrados.

Rafia havia sido internada em um hospital indiano com outras quatro pessoas. Todas foram liberadas, mas Rafia, não.

"Mas meus resultados continuavam pendentes", diz ela. "E ninguém me falava nada."

Descoberta pela TV

Enquanto esperava pela respostas dos médicos, seu telefone começou a receber mensagens.

Janela do hospital onde Rafia ficou internada

Crédito, Arquivo Pessoal

Legenda da foto, Janela do hospital onde Rafia ficou internada, em isolamento

"Um amigo meu filmou o noticiário da TV e me mandou pelo WhatsApp."

A reportagem era sobre uma estudante que havia vindo de Wuhan — cidade chinesa que é o epicentro da epidemia — e cujo teste havia dado positivo para a doença.

Rafia logo percebeu que a reportagem era a respeito dela própria, que estudava medicina na China, mas havia acabado de regressar à Índia.

"Acabei descobrindo que estava infectada pelo coronavírus pelo noticiário da TV", ela conta à BBC.

No dia 30 de janeiro, Rafia foi declarada a primeira paciente de coronavírus na Índia.

Isolamento

Demorou mais uma hora até que os médicos fossem até Rafia para confirmar que ela estava infectada pelo coronavírus e que precisava ficar internada para ser tratada.

Ela diz que não sentiu medo ou pânico.

"Eu estava tranquila (porque) muitas pessoas estavam sendo tratadas e se recuperando. Eu sabia que o vírus afetava mais gravemente pessoas idosas e pessoas que já tinham outras doenças respiratórias. Me mantive calma e pensando positivo."

Para conter o contágio, as autoridades indianas pediram que Rafia listasse todas as pessoas com quem havia mantido contato desde sua volta à Índia, em 25 de janeiro.

Funcionários de hospital usando equipamento de proteção na Índia

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Funcionários de hospital usando equipamento de proteção na Índia; no mundo, novo coronavírus infectou mais de 83 mil pessoas

Imediatamente, sua mãe foi colocada em isolamento em uma ala separada do hospital Thrissur Medical College, onde Rafia também estava sendo tratada.

Enquanto isso, seu pai e irmão foram orientados a ficar em quarentena dentro de casa.

Rafia acha que foi melhor assim. "Ficar em isolamento é muito melhor do que ser uma transmissora do vírus", diz.

A jornada desde Wuhan

Rafia estudava medicina na China havia três anos.

"Tivemos aulas até 9 de janeiro, e as provas semestrais estavam em curso. Todos estávamos ansiosos por quatro semanas de férias."

Mas, em meados de janeiro, começaram a crescer os números de infectados e mortos com o novo coronavírus — e, com isso, o temor de contágio.

"Em 20 de janeiro, vimos que a doença estava se espalhando muito rapidamente, então decidi ir embora e comprei minha passagem (para a Índia)."

Controle de coronavírus em aeroporto indiano

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Controle de coronavírus em aeroporto indiano; Rafia passou por exame térmico, mas estava assintomática

Isso foi antes de a Índia e outros países começarem a enviar voos à China para resgatar seus cidadãos.

Rafia conseguiu sair de Wuhan pouco antes de a cidade ficar completamente isolada, em quarentena.

Ela desembarcou na cidade indiana de Calcutá e tomou um segundo voo para Cochin, no sul do país.

Sem sintomas

"Passei pelo controle térmico nos aeroportos de Calcutá e Cochin. Eu não tinha nenhum sintoma (do coronavírus)."

Rafia só apresentaria sintomas alguns dias depois, em 27 de janeiro, quando acordou com dor de garganta. Foi quando ela decidiu ir ao hospital e passar por um exame — aquele que deu positivo e ela soube pela TV.

Ela também fora contactada pela embaixada indiana em Pequim, pedindo que pessoas como ela, recém-chegadas da China, passassem por avaliação médica.

Segundo um estudo recente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, 80% dos casos do novo coronavírus apresentam sintomas leves, sem consequências graves.

De acordo com a OMS, parte dos casos são assintomáticos. Até o momento, estima-se que 1 a cada 6 pessoas infectadas pelo novo coronavírus fique gravemente doente, com dificuldades de respiração.

Os grupos sob maior risco são idosos e pessoas com problemas médicos prévios como pressão alta, problemas cardíacos e diabetes. A taxa de morte do vírus é de 2% das pessoas infectadas.

Quarto onde Rafia ficou isolada no hospital

Crédito, Arquivo Pessoal

Legenda da foto, Quarto onde Rafia ficou isolada no hospital; jovem estudava medicina em Wuhan, epicentro do novo coronavírus

Sistema imunológico

Rafia ficou 20 dias em isolamento, dentro de um pequeno quarto de hospital, e só via o mundo exterior através de uma janela.

Mas ela se manteve otimista. "Estava confiante de que meu sistema imunológico combateria o vírus. Não estava preocupada comigo, apenas com meus amigos e minha família."

Rafia e sua família permanecem em quarentena, agora em casa. Serão liberados daqui a alguns dias.

A jovem ainda espera retornar à China para concluir seus estudos, quando a situação "se normalizar".

Como estudante de medicina, ela diz que aprendeu uma lição importante.

"Quando eu começar a praticar a medicina, vou antes de tudo informar meus pacientes a respeito de seus diagnósticos."

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