Zimbábue tem protestos e violência após eleições

Forças de segurança abriram fogo na capital do Zimbábue, Harare, após simpatizantes da oposição tomarem as ruas. Ao menos um homem foi morto.

A coalizão liderada pelo grupo opositor MDC (Movimento para a Mudança Democrática, na sigla em inglês) afirma que o partido do governo, Zanu-PF, fraudou as eleições parlamentares e presidenciais realizadas na segunda-feira.

Os resultados da eleição parlamentar mostram o Zanu-PF à frente com uma larga folga. A contagem da votação presidencial ainda não foi divulgada.

Observadores da União Europeia expressaram preocupação quanto à demora para divulgar o resultado do pleito presidencial no país africano.

O presidente Emmerson Mnangagwa pediu paciência e calma à população. É a primeira eleição no Zimbábue desde a deposição de Robert Mugabe - que governou o país de 1987 a 2017, quando foi afastado por militares.

A coalizão opositora diz que seu candidato a presidente, Nelson Chamisa, ganhou a eleição.

Jornalistas afirmam que a violência desta quarta-feira se limitou ao centro de Harare, um reduto da oposição, e que não houve distúrbios em outras partes do país.

Pumza Fihlani, jornalista da BBC News em Harare, relata que militantes da oposição iniciaram protestos violentos após o anúncio de que o partido governista havia ganhado a maioria das cadeiras do Parlamento, mas que o resultado presidencial ainda não estava pronto.

Portando pedras e paus, gritavam "queremos Chamisa", o candidato do MDC.

Quando a polícia chegou, vários pneus queimavam no centro de Harare. As forças de segurança usaram canhões de água e gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Centenas de opositores revidaram, atirando pedras contra carros da polícia.

Os manifestantes dizem ter pedido a fé no processo eleitoral e que não vão parar até que seu candidato assuma a Presidência.

Quais os resultados anunciados?

A Comissão Eleitoral do Zimbábue anunciou que o Zanu-PF ganhou 122 vagas, contra 53 da coalizão do MDC, segundo a imprensa estatal. Há 210 assentos na câmara baixa da Assembleia Nacional do país.

Mais de 5 milhões de pessoas estavam aptas a votar, e o comparecimento foi de 70%.

A TV estatal ZBC informou que os resultados presidenciais não estavam prontos.

A jornalista Shingai Nyoka, da BBC, diz que o resultado do pleito não foi divulgado porque alguns dos 23 candidatos não compareceram para verificar a apuração.

Para vencer a eleição presidencial, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos. Caso contrário, haverá segundo turno em 8 de setembro.

O que dizem observadores externos?

A equipe da União Europeia criticou o atraso em divulgar os resultados eleitorais. A comissão eleitoral tem até o sábado para concluir o processo.

Os observadores europeus dizem ter detectado vários problemas, como desequilíbrio na imprensa, intimidação de eleitores e desconfiança em relação à comissão eleitoral.

É a primeira vez em 16 anos que o governo permite a presença de observadores da UE e dos EUA no país.

O grupo da União Africana afirmou que as eleições "ocorreram num ambiente muito pacífico" e foram "altamente competitivas".

O órgão diz que não confirmou relatos da oposição sobre compra de votos, intimidações por parte do governo e pressão de líderes tradicionais.

Um relatório preliminar de observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral diz que as eleições foram pacíficas e conduzidas de acordo com a lei.

O que dizem os partidos?

A coalizão opositora liderada pelo MDC diz que o partido do governo, Zanu-PF, está tentando fraudar a eleição para permitir a manutenção do presidente Mnangagwa.

O grupo diz que há "claros sinais" de que o Zanu-PF está tentando interferir "no desejo do povo".

Um líder da coalizão disse que o partido do governo comprou votos em áreas rurais.

Um portavoz do Zanu-PF rejeitou as alegações da oposição.

Quem são os principais candidatos

Emmerson Mnangagwa, Zanu-PF

Conhecido como "o crocodilo" por causa de sua perspicácia política - sua corrente partidária é chamada de "Lacoste". Foi acusado de arquitetar os ataques à oposição após a eleição de 2008, quando Mugabe foi eleito para mais um mandato.

Durante a campanha, prometeu criar empregos e é visto como pró-reformas econômicas. Sobreviveu a várias supostas tentativas de assassinato atribuídas a apoiadores do ex-presidente Mugabe.

Nelson Chamisa, MDC

O principal opositor tornou-se parlamentar aos 25 anos, foi ministro aos 31 e pode virar presidente aos 40 anos. Recentemente ordenado pastor evangélico, Chamisa promete reconstruir a economia devastada do país, mas tem sido criticado por promessas extravagantes - como trazer as Olimpíadas para o Zimbábue e criar uma linha de trem bala.