'Fui presa por contar uma piada': os milhões levados aos gulags pela repressão soviética
Dezenas de milhões de pessoas morreram durante o governo do ditador Josef Stálin - que comandou a União Soviética entre 1929 e 1953 -, seja por fome, executados, ou vítimas de exaustão e doenças por causa das péssimas condições de vida nos campos de trabalho forçado conhecidos como gulags.
Estima-se que 750 mil pessoas foram sumariamente executadas apenas durante o período conhecido como o "Grande Terror", entre os anos de 1937 e 1938.
Milhões foram enviados aos gulags.
Ao longo do principal rodoanel de Moscou, pedaços de uma escultura gigante de bronze estão sendo montados. É o primeiro memorial nacional para as milhões de pessoas que foram deportadas, presas e executadas durante o regime soviético.
"Foi uma das grandes atrocidades humanas. É impossível para mim não ser afetado por aquilo", diz o artista Georgy Frangulyan, enquanto observa sua escultura tomando forma ao lado da avenida movimentada.
Vera Golubeva, de 98 anos, é uma das homenageadas.
Ela foi enviada em 1951 para a Sibéria, onde passaria seis anos em um campo de trabalho forçado. O crime que cometeu: contar uma piada.
"Soa ridículo", diz hoje a professora de história aposentada, sorrindo, ao contar sua história para a BBC. "Mas era a única 'prova' que eles tinham contra mim."