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'Tive que torcer para minha filha morrer para eu não morrer'
Cinco mulheres que dizem que tiveram seus abortos negados no Texas — apesar de enfrentarem riscos de saúde com risco de morte — estão processando o Estado americano.
O Texas proíbe abortos, exceto em emergências médicas, com os médicos enfrentando penas de até 99 anos de prisão.
De acordo com o processo, os médicos estão recusando o procedimento mesmo em casos extremos por medo de serem processados.
Em um comunicado, o gabinete do procurador-geral Ken Paxton disse que iria "fazer cumprir as leis" do Estado.
Paxton "está comprometido em fazer tudo ao seu alcance para proteger mães, famílias e crianças ainda não nascidas", disse o comunicado.
A organização Centro de Justiça Reprodutiva entrou com a ação legal em nome das cinco mulheres — Ashley Brandt, Lauren Hall, Lauren Miller, Anna Zargarian e Amanda Zurawski — e dois profissionais de saúde que também são demandantes.
O grupo disse que essa é a primeira vez que as próprias mulheres grávidas agem contra as leis antiaborto aprovadas nos EUA desde que a Suprema Corte removeu no ano passado a proteção constitucional para o direito ao aborto.
"Agora é perigoso estar grávida no Texas", disse Nancy Northup, presidente do Centro, na semana passada.
De acordo com a ação legal, todas as mulheres foram informadas de que seus fetos não sobreviveriam, mas não tiveram a opção de fazer um aborto.
Amanda Zurawski, de 35 anos, disse à BBC que engravidou após 18 meses de tratamentos de fertilidade. Ela havia acabado de entrar no segundo trimestre quando foi informada de que havia dilatado prematuramente e que a perda de sua filha — a quem ela e o marido batizaram de Willow — era "inevitável".
“Mas mesmo que nós, com total certeza, perdêssemos Willow, meu médico não poderia intervir enquanto seu coração ainda estivesse batendo ou até que eu estivesse doente o suficiente para que o conselho de ética do hospital considerasse minha vida em risco”, disse Zurawski.