'Não me olho no espelho': Linda Evangelista fala sobre tratamento que a deixou 'deformada'

    • Author, Redação
    • Role, BBC News Mundo
  • Tempo de leitura: 3 min

"Eu adorava estar na passarela. Agora tenho medo de encontrar alguém que conheço."

É assim que a supermodelo Linda Evangelista diz se sentir após ter se submetido, no final de 2015, a um procedimento estético que teve um efeito colateral raro em seu corpo.

A canadense, de 56 anos, posou pela primeira vez para a capa de uma revista desde então e falou sobre o trauma pessoal causado pelo coolsculpting, tratamento para reduzir a gordura corporal a que se submeteu.

Em entrevista à revista People, ela afirma que não quer mais se esconder.

"Não posso mais viver assim, me escondendo e com vergonha. Eu simplesmente não podia mais viver com essa dor. Estou disposta a falar."

Em setembro de 2021, Evangelista explicou por meio do Instagram que havia se afastado da vida pública devido ao tratamento que a deixou "permanentemente deformada".

O procedimento com criolipólise aumentou, em vez de diminuir, suas células de gordura, um efeito colateral raro.

Isso e duas cirurgias corretivas fracassadas causaram "um ciclo de grande depressão", nas palavras dela.

Mas agora ela está procurando uma maneira de "se amar novamente".

'Que diabos é isso?'

Na capa da People, Evangelista aparece com um suéter de gola alta e um semblante sério olhando para a câmera.

Mas nas páginas internas, ela posa com uma camiseta que revela a lateral do seu tronco e os efeitos da hiperplasia adiposa paradoxal (HAP), termo médico para a condição.

A HAP se manifesta com protuberâncias que endurecem e causam perda de sensibilidade no corpo.

Evangelista conta que no início pensou que estava fazendo "algo errado" por não ver os resultados que esperava na área do queixo, das coxas e no peito.

Ela redobrou então a dieta a ponto de "não comer nada".

Ao não ver resultados, um médico a diagnosticou com HAP, efeito colateral que afeta menos de 1% das pessoas que se submetem à criolipólise e que não tem cura.

"Eu disse: 'Que diabos é isso?' E eles me disseram que nenhuma dieta ou exercício iria resolver."

Isso aconteceu entre 2015 e 2016.

"Não podia botar um vestido sem usar uma cinta, porque me causaria atrito a ponto de sangrar. Porque não é como roçar gordura mole, é gordura dura", disse ela à People.

"Não acho que os designers queiram me vestir assim", afirma ela ao mostrar suas sequelas. Para ela, a supermodelo Linda Evangelista não existe mais.

Acabar com a vergonha

O tempo deu serenidade a Evangelista, e agora ela acredita que se abrir com o público é uma forma de superar o problema.

"Vou continuar a compartilhar minha experiência para acabar com a minha vergonha, aprender a me amar novamente e poder ajudar outros no processo", declarou.

No entanto, ela reconhece que é um processo que leva tempo.

"Não me olho no espelho. Não sou eu."

Agora, ela se questiona sobre a "necessidade" de muitas pessoas de modificar seus corpos:

"Sempre soube que ia envelhecer. E sei que há coisas pelas quais um corpo passa, mas nunca pensei que me veria assim".

Ao mesmo tempo, a ex-supermodelo está em uma batalha judicial com a Zeltiq, a empresa de estética que realizou o procedimento, argumentando que nem a publicidade "agressiva" sobre coolsculpting nem seu site mencionavam os riscos da HAP até recentemente.

A empresa se recusou a comentar o caso por estar no meio do processo.

A modelo pede US$ 50 milhões de indenização.

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