Primeira missão privada a tentar pousar na Lua pode abrir caminho para exploração espacial mais barata

Fotografia da superfície lunar registrada pela espaçonave Beresheet

Crédito, Beresheet

Legenda da foto, A espaçonave Beresheet registrou essa fotografia enquanto orbitava a Lua
    • Author, Rebecca Morelle - @bbcmorelle
    • Role, Correspondente de Ciência, BBC News
  • Tempo de leitura: 4 min

A primeira missão espacial privada para a Lua tentará pousar na superfície do astro nesta quinta-feira. Até agora, apenas missões de agências espaciais governamentais, da antiga União Soviética, dos Estados Unidos e da China, conseguiram este feito.

A espaçonave israelense - chamada Beresheet - tentará fazer um pouso suave, antes de começar a tirar fotos e realizar experimentos.

A missão tem um custo de "apenas" US$ 100 milhões (em torno de R$ 380 milhões). É uma fração do que costuma ser gasto nesse tipo de operação, pavimentando um caminho para futuras explorações lunares de custo reduzido.

Bereshhet, que significa "no começo" em hebraico, é um projeto conjunto da SpaceIL, uma organização privada sem fins lucrativos de Israel, e a Israel Aerospace Industries.

"O pouso será extremamente desafiador. Mas nós temos bons engenheiros, a espaçonave tem respondido bem às nossas instruções nos últimos dois meses. Eu estou razoavelmente confiante, mas um pouco nervoso", disse à BBC News Morris Kahn, fundador da SpaceIL.

Lançamento da Beresheet

Crédito, SpaceX

Legenda da foto, A espaçonave foi lançada em um foguete da SpaceX em fevereiro, dividindo a viagem com um satélite e uma aeronave experimental

Qual é a importância da missão?

Em 60 anos de exploração espacial, apenas três países conseguiram pousar na Lua.

A antiga União Soviética conseguiu fazer seu primeiro pouso com a espaçonave Luna 9, em em 1966. A seguir, foi a vez da Nasa, que levou as primeiras pessoas para a Lua, em 1969. Então, a espaçonave chinesa Change-4 tocou o lado oculto da Lua, no começo deste ano.

Se o pouso israelense for bem sucedido, Israel será a quarta nação a se juntar a esse clube de elite. Mas o que realmente se destaca nessa missão são seu preço mais baixo e o fato de não ser financiada por uma grande agência espacial.

Beresheet levou semanas para chegar

Em termos espaciais, a Lua está a um mero salto da Terra, e a maioria das missões leva apenas poucos dias para chegar até lá. Mas a missão Beresheet, que decolou em 22 de fevereiro do Cabo Canaveral, no Estado americano da Flórida, levou semanas.

A distância média para a Lua é de 380 mil quilômetros - e a Beresheet já viajou mais de 15 vezes esse número.

O principal motivo é o custo. Em vez de ser acoplada a um foguete que a colocasse na trajetória perfeita rumo à Lua, a Beresheet foi lançada em um foguete em conjunto com um satélite de comunicação e uma aeronave experimental.

Compartilhar a viagem para o espaço fez com que os custos caíssem significativamente - mas também fez com que a aeronave tivesse de fazer um trajeto muito mais complexo para a Lua.

Em sua jornada, a espaçonave passou por uma série de órbitas ao redor da Terra, cada vez mais largas, antes de ser capturada pela gravidade da Lua e começar a se mover na órbita lunar, em 4 de abril.

Ilustração mostrando a jornada da espaçonave israelense até a Lua

Crédito, SPACEIL

Legenda da foto, A espaçonave orbitou em torno da Terra, em órbitas cada vez mais largas, até ser capturada pela gravidade da Lua

Quão difícil será pousar na Lua?

Um pouso suave na superfície lunar será um grande desafio para a espaçonave israelense.

Um ponto-chave para seu sucesso será um motor produzido na Inglaterra, por uma empresa chamada Nammo. Esse motor já forneceu energia para que a espaçonave percorresse o caminho para a Lua.

A nave, que tem 1,5 metro de altura, precisa reduzir sua velocidade rapidamente. Então, uma última ativação desse motor irá acionar os freios, fazendo com que a espaçonave faça uma parada suave.

"Nós nunca antes utilizamos um motor nesse tipo de aplicação", disse Rob Westcott, engenheiro sênior de propulsão da Nammo. "O maior desafio é o fato de que o motor terá de ser ligado e ficar muito quente; então, ser desligado por um curto período de tempo, quando todo esse calor permanece em sua massa térmica; e então acionado de novo, de forma muito precisa, para que freie a espaçonave."

O processo deve levar em torno de 20 minutos e será realizado autonomamente - o controle da missão ficará apenas observando.

O que a nave fará na superfície da Lua?

A primeira tarefa será usar suas câmeras de alta resolução para tirar fotos - inclusive, uma selfie - e enviá-las para a Terra.

A seguir, a Beresheet começará a medir o campo magnético do local do pouso - uma área conhecida como Mare Serenitatis.

Fotografia da espaçonave Beresheet, em uma sala de exposição

Crédito, Beresheet

Legenda da foto, A espaçonave irá estudar o magnetismo da Lua enquanto estiver na superfície lunar

"Eles estarão observando o local de pouso muito atentamente, o que ajudará a descobrir como as medições magnéticas da Lua se relacionam com a geologia e geografia da Lua, o que é realmente importante para compreender como a Lua se formou", explica Monica Grady, professora de ciência planetária e espacial da Open University.

A nave também transporta um refletor da Nasa, que ajuda os cientistas a fazerem uma medição precisa da distância entre a Terra e a Lua.

Mas a missão não será longa - talvez apenas alguns dias da Terra. As temperaturas da Lua são extremas. Assim, quando o Sol nascer, é improvável que a Beresheet sobreviva ao calor.

raya

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