You’re viewing a text-only version of this website that uses less data. View the main version of the website including all images and videos.
Britânica com paralisia cerebral consegue fazer cirurgia nos EUA após doação anônima de R$ 200 mil
Por anos a britânica Jade Owen, de 20 anos, tentou, sem sucesso, arrecadar doações para conseguir tratar sua paralisia cerebral. Mas, graças à generosidade de um anônimo, ela já consegue dar alguns passos e se sentar sozinha, sem a necessidade de ser amparada por travesseiros.
Ela recebeu o equivalente a R$ 200 mil no início do ano e pode fazer uma cirurgia de coluna nos EUA.
"Sem a ajuda da pessoa que fez a doação eu nunca teria chegado onde estou agora. Quero agradecer a essa pessoa por fazer meu sonho se tornar realidade", disse ela.
Enquanto estava nos EUA, Owen foi submetida a um procedimento chamado rizotomia dorsal seletiva, para tratar o endurecimento dos músculos do corpo, e também fez duas outras cirurgias para tentar reverter a paralisa cerebral.
Segundo ela, a identidade do doador permanece sendo um mistério. Há anos ela e a família faziam campanhas na internet e nas redes sociais para tentar levantar recursos.
Moradora da cidade de Bridgend, no País de Gales, a estudante usava cadeira de rodas desde os 11 anos e não pôde fazer o tratamento no sistema de saúde britânico por causa da idade e pela gravidade da doença.
Apesar do tratamento que fez nos EUA ter sido considerado bem-sucedido, ela acredita que poderia estar em melhores condições se tivesse feito as cirurgias antes, ainda na adolescência.
"Me disseram que, se eu tivesse feito o tratamento quando era mais jovem, seria muito mais independente agora. Poderia estar andando, não haveria mais espasticidade (aumento da contração muscular que dificulta os movimentos e que era sintoma da doença de Owen)", disse.
"É difícil, porque as pessoas fazem a cirurgia para se livrar de vez da espasticidade, e o fato de eu ainda ter um pouco… se eu tivesse feito o procedimento mais jovem, teria sido muito mais fácil."
Apesar das dificuldades do pós-operatório, a jovem está encantada com as mudanças que viu desde a cirurgia e explica que consegue se sentar com menos ajuda. Isso, para Owen, é uma grande conquista.
"Ser capaz de sentar sem cair é incrível. Eu costumava me sentar com vários travesseiros em volta de mim, e agora só uso um. Isso é um passo incrível para mim", comemora.
O governo galês disse que o NHS (o serviço de saúde britânico) está fazendo testes relacionados ao tratamento conhecido como rizotomia dorsal seletiva e espera que os resultados finais sejam anunciados no fim do ano.
"Essas evidências vão ser usadas para considerar se o procedimento deve ser disponibilizado de forma rotineira na rede pública no País de Gales", disse um porta-voz do governo.
O governo explica que, enquanto esse tratamento não está disponível da rede pública, um médico especialista precisa apresentar um pedido ao comitê que avalia se vai autorizar ou não o pagamento do procedimento.
O Comitê de Serviços Especializados em Saúde do País de Gales (WHSSC, na sigla em inglês) declarou que está comprometido com "o fornecimento de novos tratamentos economicamente viáveis e disponíveis para o maior número de pessoas possível" e disse que, no mês que vem, a lista de procedimentos passará por uma revisão periódica.
"A liberação de até 200 mil libras foi autorizada pelo governo galês para pacientes pediátricos para o tratamento de rizotomia dorsal seletiva", disse o porta-voz do WHSSC.
"Um grupo de pacientes foi avaliado, recebeu cirurgia e fisioterapia pós-operatória, dentro dos parâmetros do sistema público de saúde de avaliação de processos", completou.