You’re viewing a text-only version of this website that uses less data. View the main version of the website including all images and videos.
Por que as gêmeas alemãs que chegaram de mãos dadas na maratona despertaram polêmica no mundo esportivo
As gêmeas alemãs Lisa e Anna Hahner cruzaram a linha de chegada da maratona feminina dos Jogos no Rio 21 minutos depois da ganhadora do ouro, a queniana Jemima Sumgong.
As atletas quase idênticas chamaram a atenção dos fotógrafos no domingo ao completar a prova de mãos dadas. Elas chegaram em 81º e 82º lugar.
Mas o fato de terem cruzado a linha de chegada juntas e terminado a corrida 15 minutos atrás de sua marca pessoal causou polêmica na Alemanha.
"Parecia que estavam completando uma corrida por diversão e não uma competição olímpica", afirmou o diretor esportivo da Federação Alemã de Atletismo, Thomas Kurschilgen.
"Vitória e medalhas não são a única meta. Mesmo assim, cada atleta nas competições olímpicas deveria estar motivado para demonstrar seu melhor desempenho e buscar o melhor resultado possível", disse ele.
Para Kurschilgen, "o principal objetivo delas era gerar atenção na mídia, e isso nós criticamos".
"Dar as mãos é para fazer caminhada, não para correr uma maratona", disse à imprensa alemã.
A maratonista alemã Sabrina Mockenhaupt, que não competiu no Rio por estar machucada, criticou as irmãs Hahner por não serem autênticas e "posarem" para os meios de comunicação.
Lisa e Anna são celebridades na Alemanha, onde dão conselhos sobre nutrição e vida fitness na internet e por meio de um aplicativo. Também já publicaram um livro com conselhos para corredores iniciantes.
No Facebook, as irmãs disseram que o desempenho na prova "não era o que esperavam".
"Se estamos satisfeitas? Não. Mas cruzar a linha de chegada foi um dos nossos melhores momentos esportivos", afirmaram.
Em entrevista ao New York Times, Anna Hahner negou que tivessem planejado cruzar juntas a linha de chegada e afirmou que deram o melhor de si individualmente.
"Em todas as maratonas que corremos juntas, sempre teve um ponto em que nos separamos. Esse também foi o caso na maratona olímpica", disse ela.
Segundo Anna, ela ficou atrás de sua irmã por um bom tempo e, ao perceber que Lisa não estava muito distante, resolveu tentar alcançá-la.
"Investi tudo que tinha e, 300 metros antes da chegada, estava do lado dela. Foi um momento mágico que pudemos terminar a maratona juntas. Não pensamos no que estávamos fazendo", contou ela ao jornal americano.
Embora se denominem as "gêmeas maratonistas mais rápidas do mundo", no domingo as gêmeas norte-coreanas Kin Hye Song e Kim Hye Gyong chegaram à frente na maratona feminina: 10º e 11º lugares.
Na mesma corrida, as irmãs Leila, Lina e Lily Luik, da Estônia, chamaram a atenção por se tornarem as primeiras trigêmeas a participar juntas de uma maratona olímpica.