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Rumo à Casa Branca | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A corrida pela Casa Branca está a todo vapor nos Estados Unidos. Os candidatos estão inicialmente lutando por uma indicação de seus partidos. A partir do segundo semestre, eles vão se enfrentar para definir quem será o novo presidente americano Ao longo deste ano, até as eleições de novembro, a BBC Brasil vai acompanhar diretamente dos Estados Unidos as principais notícias e eventos da disputa eleitoral. Palanque Privilegiado O(a) próximo(a) presidente dos Estados Unidos só precisou ir ao trabalho para fazer campanha na terça-feira. Todos os presidenciáveis americanos são senadores e participaram da sabatina ao comandante militar dos Estados Unidos no Iraque, David Petraeus, e ao embaixador americano no país, Ryan Crocker. Cada um deles, como era de se esperar, aproveitou a atenção da mídia para repetir alguns dos bordões que vêm marcando suas campanhas. O senador John McCain era um dos poucos que pareciam inteiramente de acordo com o general Petraeus, pois apóia a estratégia implantada no ano passado de aumentar a presença militar no Iraque.
"Nós percorremos um longo caminho desde 2007", afirmou o senador durane o depoimento de Crocker e Petraeus, lembrando do período em que a estratégia militar americana parecia fadada ao fracasso, mas, desde então, argumentou, a tática de ampliar o número de soldados vêm tendo êxito. A intervenção de McCain, no entanto, pareceu o retrato da própria campanha do senador, que até o final do ano passado parecia condenada. A senadora Hillary Clinton, que incialmente aprovou a invasão do Iraque, disse discordar da visão segundo a qual retirar tropas do país constituiria "falta de liderança ou irresponsabilidade". Em uma frase que poderia ter sido dita em um de seus comícios e quem sabe até já o foi, Hillary afirmou que é hora de pôr fim a políticas fracassadas e de dar início a uma retirada organizada dos militares americanos. Mais tarde, foi a vez de Barack Obama, que pareceu tentar ir além do tom de político em campanha para mostrar que está "por dentro do assunto" e assim, quem sabe, colocar de lado as acusações de que é inexperiente em temas de política internacional. O senador defendeu a necessidade de colocar pressão sobre as autoridades do Iraque para que elas comecem a mostrar resultados. No entender do senador em campanha, é preciso impor uma ofensiva diplomática, que deveria envolver até o Irã, coerente com a mensagem de um candidato que disse que estaria disposto até a se encontrar com inimigos americanos, como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Para Obama, os defensores da atual estratégia americana criaram uma expectativa excessivamente elevada para o que pode constituir um êxito americano no Iraque. Se for preciso esperar, argumentou o senador, que o país se torne uma democracia multiétnica, alheia à influência do Irã e imune à rede Al-Qaeda, pode ser que os americanos precisem permanecer por lá por duas ou três décadas. Os depoimentos no Senado continuariam nesta quarta, mas o(a) próximo(a) líder dos Estados Unidos já deu seu recado e deixou seus correligionários e potenciais eleitores felizes. Ele teve um sonho "Deus não pediu aos Estados Unidos que se envolvam em uma guerra sem sentido e injusta. E nós somos criminosos nessa guerra. Nós cometemos mais crimes de guerra do que qualquer nação no mundo, e eu vou continuar a dizê-lo." Dois meses após ter feito estas declarações sobre a Guerra do Vietnã, a vida do reverendo Martin Luther King Jr. chegou ao fim, quando a bala de um rifle de caça destruiu o seu maxilar direito, atravessou seu pescoço e se alojou em suas costas, no dia 4 de abril de 1968. Mais de 40 anos após King ter feito sua incisivas críticas contra os Estados Unidos e sua política externa, Jeremiah Wright, um outro reverendo negro, enfrenta críticas semelhantes por declarações feitas contra o governo americano e sua política externa. Mas o reverendo não é qualquer líder religioso, mas sim o pastor de mais de 20 anos daquele que poderá vir a ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama.
Wright disse que os Estados Unidos apoiaram "terrorismo de Estado contra os palestinos e os negros da África do Sul" e que o governo americano cometeu crimes em terras estrangeiras e matou um número maior de pessoas do que aqueles que foram mortos nos atentados de 11 de setembro de 2001. Os comentários obrigaram Obama a se distanciar de seu pastor e de seus sermões e a realizar um elogiado discurso sobre as conturbadas relações racias nos Estados Unidos. Anos antes de ser morto, Luther King discursava na capital americana sobre um sonho, o de ver um dia "filhos de escravos e de proprietários de escravos sentados juntos à mesa da irmandade", um sonho "profundamente enraizado no sonho americano". Consta que nos anos 60, muitos ativistas de direitos civis tentaram persuadir King a se candidatar por um terceiro partido à presidência dos Estados Unidos, mas seus correligionários relatam que, mesmo após considerar o pedido com atenção, o reverendo chegou à conclusão de que seu destino não era a política. Mais de 40 anos após as palavras utópicas de King, uma pesquisa realizada pela rede CNN mostra que 76% dos americanos acreditam que os Estados Unidos estão prontos para serem liderados por um negro, um número 14% superior ao de dois anos atrás. A liberdade a que King almejava não se limitava aos negros, mas se referia também a brancos que ele esperava conseguir libertar das amarras do racismo e da intolerância por meio de seu discurso integrador. Se Martin Luther King ainda estivesse entre nós, aos 79 anos, ele poderia acompanhar a possível chegada de um negro à Casa Branca, eleito predominantemente pelo voto de brancos, e repetir seus dizeres dos anos 60: "Enfim, livres". Na lona? Ela não tem mais chances matematicamente, conta com menos superdelegados, com menos votos populares e sua permanência na disputa democrata tem contribuído apenas para enfraquecer o provável candidato democrata. É esse o argumento dos que querem que a senadora Hillary Clinton abandone a disputa para decidir quem será o próximo candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos e apóie Barack Obama. Alguns líderes ilustres dos democratas já o dizem abertamente, caso do senador Patrick Leahy, de Vermont, que afirma que a permanência de Hillary na corrida vem beneficiando mais ao republicano John McCain do que qualquer ação ou slogan lançado pelo próprio McCain. Alguns, como o presidente do partido, Howard Dean, e a líder da Câmara, Nancy Pelosi, clamam por um desenlance rápido da disputa, argumentando que a corrida não pode continuar até a convenção democrata, em agosto.
Como um desfecho só se dará com um dos candidatos abrindo mão da candidatura, e como Obama lidera em todos os quesitos, a mensagem dos dois líderes só pode ser uma indireta a você sabe quem. Em meio ao terreno minado enfrentado pela senadora, um dos seus correligionários, o deputado Emanuel Cleaver, do Mississippi, se arrisca a fazer uma previsão: a de que a Presidência dos Estados Unidos ficará com... Barack Obama! O jornal Wall Street Journal relatou recentemente que um grupo de deputados que apóiam Hillary tanto na Carolina do Norte como em Indiana estariam dispostos a anunciar seu apoio a Obama antes da realização das primárias de seus Estados. Mas, se a senadora parece não ter mais opções e se até mesmo destacados membros de seu partido e correligionários parecem querer que ela faça um retorno antecipado ao Senado americano, o que ainda mantém Hillary na disputa? Uma das hipóteses, que me parece um tanto exagerada, é a de que ela queira justamente provocar a derrota de Obama para McCain e assim retornar em 2012 como a candidata democrata. Uma hipótese que parece ingênua, visto que Hillary provavelmente sabe que muita coisa muda em quatro anos, que o diga a ascensão de Obama. Outra possibilidade, e essa não merece ser desconsiderada, é a de que ela poderá vencer todas as principais disputas adiante, a começar pela Pensilvânia, no próximo dia 22. E, mesmo não alcançando Obama no voto popular, poderia fazer valer sua tese, a de que a dinâmica está a seu favor e de que ela é mais elegível do que o rival. Hillary poderá até mesmo vir a superar Obama no voto popular, caso o Partido Democrata opte por realizar novas primárias no Michigan e na Flórida, onde ela contaria com a preferência dos eleitores. Por essas e por outras, mesmo com as opções se esgotando, ainda é cedo para descartar Hillary. Hoje, ela chegou até a se comparar ao célebre pugilista das telas Rocky Balboa, que acabava vencendo suas disputas mesmo depois de tomar muitos socos e de ir à lona várias vezes. "O senador Obama diz que está cansado da campanha. E seus correligionários dizem querer que ela termine. Você já imaginou se Rocky chegasse no alto daquelas escadarias do museu de arte e dissesse: 'Bem, acho que já fui longe o bastante'?", indagou Hillary. E acrescentou: "Não é assim que funciona, em se tratando de terminar a luta, Rocky e eu temos muito em comum. Eu nunca desisto". Mas, ao contrário do que acontecia com o personagem de cinema, na luta para ganhar a candidatura, Hillary poderá acabar perdendo por nocaute técnico. Dura na queda A crescente pressão para que Hillary Clinton deixe a corrida presidencial não apenas está caindo em ouvidos moucos como parece ter efeito inverso: o de mobilizar os simpatizantes da senadora. Foi assim no Texas e em Ohio, quando muitos, já pela segunda vez, equivocadamente, davam a candidatura de Hillary como encerrada. Os militantes texanos da ex-primeira-dama dispararam telefonemas, enviaram e-mails e bateram de porta em porta em um esforço que, surpreendentemente acabou superando a azeitada máquina montada pelos jovens e entusiastas ativistas de Barack Obama e resultando na vitória. Como diz o ex-presidente Bill Clinton em um email enviado a simpatizantes da candidata, Hillary não é do tipo que desiste. A meta da senadora seria tentar superar Obama no voto popular, uma vez que alcançar o rival em número de delegados é tarefa muito difícil, praticamente impossível, segundo alguns analistas. Ela argumenta que vai levar a disputa até a convenção do Partido Democrata, em agosto, contrariando algums dos principais líderes democratas, entre eles o presidente Howard Dean, que gostariam de ver a corrida encerrada, no mais tardar, até julho, um mês após a última primária. Simpatizantes de Obama dizem que a saraivada de ataques lançadas pela campanha de Hillary contra Obama vem minando a candidatura do rival e quem poderá sair ganhando é John McCain. Há quem argumente na imprensa americana que a tática de Hillary seria mesmo essa, a de entregar a eleição para McCain, a fim de que ela possa voltar a se candidatar dentro de quatro anos. Mas por mais calculista e adepto de artimanhas que seja o casal Clinton, essa hipótese parece algo delirante, já que seria apostar demais na sorte. De toda forma, Hillary não age como quem contempla a hipótese de desistir. A propósito, no próximo dia 9 de abril, Elton John fará sua primeira apresentação solo em Nova York desde 2000, em um concerto especialmente destinado a angariar fundos para a candidatura da ex-primeira-dama. Sinceramente, quem está disposto a pagar US$ 250 por ingresso ou é muito fã de Elton John ou não acredita mesmo que Hillary esteja em vias de desistir. McCain seria o melhor para o Brasil? Há muito se diz que os republicanos podem até ser impopulares em outras partes do mundo, mas que, para o Brasil, um presidente americano saído das fileiras do partido do presidente George W. Bush poderia ser a melhor opção. A explicação de analistas é de que os democratas seriam mais protecionistas e mais avessos a tratados de livre comércio internacionais, ao passo que os republicanos seriam o oposto disso. Pois o republicano John McCain, o único dos presidenciáveis na atual disputa que é contra os subsídios que os americanos destinam ao etanol e o único a apoiar incondicionalmente acordos de livre comércio, foi além. Em um discurso realizado nesta quarta-feira, McCain falou que o G8, o grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia, deveria incluir nações emergentes como o Brasil e exlcuir os russos. Para o candidato republicano, o G8 precisa voltar a ser um "clube" de democracias de mercado, em que não teriam vez países como a Rússia, onde os princípios democráticos estariam caindo em desuso.
O presidente venezuelano Hugo Chávez parece pensar de forma distinta. Em uma recente entrevista, o líder da Venezuela afirmou que McCain parece ser "um homem de guerra", que ameaça a Rússia e a China e que acredita que Bush foi tolerante demais com ele, Chávez. Chávez concluiu: "De vez em quando, alguém diz: 'pior que Bush, impossível', mas eu não sei, não". Nos dois encontros que presenciei entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, os dois líderes sempre pareceram estar risonhos e plenamente à vontade, tal qual velhos amigos. Ao contrário do governo Chávez, talvez para o Brasil seja preferível mais do mesmo a um governo democrata que poderia sinalizar com barreiras adicionais para produtos brasileiros. Ainda mais em se tratando de um possível governo republicano que não apenas é mais aberto em temas econômicos, mas que se refere ao Brasil como uma potência emergente. Algo que soa como música para um governo que tem se empenhado em obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. O velho calção de banho, o dia pra vadiar... Hillary Clinton apresentava sua justificativa para ter cometido "erros" no relato sobre sua viagem à Bósnia, em 1996. John McCain, notoriamente avesso a temas econômicos, apresentava suas propostas para como o governo deve conter a crise no setor imobiliário. Mas as "propostas" do senador para o setor acabaram sendo mais sobre o que o governo não deve fazer do que propriamente sobre aquilo que ele acredita que precisa ser feito.
A rede CNN exibia a participação de Chelsea Clinton em um evento de campanha em uma universidade de Indiana, onde foi indagada por um dos participantes se achava que a credibilidade de sua mãe fora arranhada pelo escândalo de Monica Lewinsky. "Wow, você é a primeira pessoa a me fazer essa pergunta nas creio que 70 universidades a que já fui. E não acredito que isso seja de sua conta", afirmou a filha da presidenciável democrata, despertando aplausos dos presentes. Enquanto isso, longe, muito longe, da Pensilvânia, onde Hillary concedia uma entrevista, da Califórnia, onde McCain falava sobre economia, e de Indiana, onde Chelsea enquadrava um estudante mais irreverente.... O senador e presidenciável Barack Obama descansava. Mais especificamente, o destino escolhido pelo pré-candidato democrata para aproveitar alguns dias de férias com sua família foram as praias das Ilhas Virgens. Os órgãos de imprensa chegaram inclusive a respeitar a paz pretendida pelo candidato. Apenas a rede CNN fez uma breve entrevista com Obama no local. E a Fox, a primeira emissora a desencavar o local escolhido pelo casal Obama para tirar férias, exibiu com orgulho por repetidas vezes as imagens do senador de boné e óculos escuros posando para uma foto ao lado de uma menininha de seis anos. Estar ausente da trilha da campanha eleitoral não é, no entanto, uma garantia para Obama de que alguns dos problemas que ele enfrentou recentemente não voltarão a atormentá-lo. Nesta terça-feira, a rival Hillary Clinton finalmente entrou na discussão sobre a linguagem supostamente inflamatória do ex-pastor do senador, Jeremiah Wright. Hillary disse que Wright "não teria sido o pastor" dela e acrescentou que "você não pode escolher a sua família, mas você pode escolher que Igreja pretende freqüentar". De volta à campanha nesta quarta, Obama deverá responder essa e outras farpas jogadas pela rival e deverá procurar expor novas fraquezas da senadora, após ter se reenergizado nas areias das Ilhas Virgens. Eu aumento, mas não invento A mais nova bravata da pré-candidata democrata Hillary Clinton foi ter dito que em 1996 ela desembarcou para uma visita oficial à Bósnia debaixo de fogo cerrado de atiradores. Hillary contou que teve de dispensar a cerimônia de recepção que lhe havia sido reservada e correr para o carro que a levaria para uma base militar. O relato não consta da autobiografia da senadora e não condiz com as imagens que integram um vídeo enviado para os jornalistas nesta segunda-feira pela campanha de Barack Obama. Nas imagens, ela aparece desembarcando sorridente ao lado da filha, Chelsea, enquanto conversa com soldados e participa da cerimônia da recepção da qual diz ter saído fugida. No entender dos correligionários da senadora se tratou de um engano cometido por Hillary, já que havia relatos de que atiradores estavam operando na região em que seu avião pousou. Mas os ativistas pró-Obama afirmaram se tratar mais de uma vontade de enganar do que de um engano cometido. Hillary, no entanto, parece ser reincidente. Sua afirmação de que ela ajudou a trazer paz à Irlanda do Norte foi refutada pelo ex-líder da Irlanda do Norte Donald Trimble. Trimble afirmou que não se recorda de Hillary ter feito muito mais do que acompanhar Bill Clinton. E disse que há uma diferença entre ter sido ''torcedora'' e estar entre os ''jogadores''. Mas os ativistas da senadora acreditam que ela entrou no jogo, sim, ao se encontrar com lideranças católicas e protestantes da Irlanda do Norte. E, assim, ainda que indiretamente, ajudou a semear as sementes da paz. Quer Hillary apenas aumente ou também invente, o fato é que os recentes relatos só fazem reforçar a imagem associada à senadora de que ela é capaz de fazer qualquer coisa e, especialmente, falar qualquer coisa, para se eleger. O meu voto vai para McCain... Meghan McCain O seu pai é tido como um republicano de mente independente, que não se curva à cartilha do partido, nem se furta a expressar opinões que lhe custarão votos. Mas na família McCain, a verdadeira independente, ou melhor, a verdadeira 'indie', é a filha de 23 anos do senador, Meghan McCain. Meghan é uma blogueira de mão cheia e, em seu blog, costuma listar suas canções favoritas do momento. Na seleção da filha do senador republicano constam alguns dos mais destacados nomes da cena indie contemporânea, como Arctic Monkeys e Clap Your Hands Say Yeah.
Mas Meghan também contempla o punk rock dos Sex Pistols e o proto-punk de Iggy Pop, a neo-psicodelia de The Mars Volta ou o hip hop de Lupe Fiasco. A eclética blogueira nos brinda ainda com sugestões capazes de deleitar os nostálgicos de diferentes gerações, como Bob Dylan, The Doors, Pink Floyd e Siouxsie and The Banshees. As demais páginas do blog de Meghan também indicam um comportamento distinto do que se esperaria de uma filha de candidato. Os cinco filhos do ex-presidenciável Mitt Romney estampavam em seu blog mensagens de apoio, como "Agora é a hora de que todos os nossos leitores aumentem a carga e nos ajudem a assegurar a indicação''. Chelsea Clinton é uma garota-propaganda da mãe, que participa avidamente de comícios e eventos de campanha e que se nega terminantemente a dar entrevistas para quaisquer jornalistas.
Mas Meghan é diferente. Em seu blog, ela exibe uma tatugem, aparece em fotos participando de um karaokê com membros da campanha de McCain e inclui imagens do senador, descrito como ''papai'', fazendo churrasco, e não em cima de um palanque. Fomada em artes e ex-estagiária do programa humorístico Saturday Night Live, Meghan é uma jovem de 23 anos que escreve e se comporta não como uma filha de candidato, mas, antes de tudo, como uma jovem de 23 anos. De vez em quando é bom lembrar que ainda existe algum terreno para a espontaneidade na corrida presidencial americana, onde cada passo parece ser calculado. Um belo discurso, mas e os votos? Barack Obama tentou dissipar o mal-estar gerado pelas declarações consideradas racistas e inflamatórias feitas por seu ex-pastor, Jeremiah Wright, com aquilo que sabe fazer melhor: discursar. E o fez em grande estilo, com um pronunciamento cercado de elogios, no qual o senador evocou, como em outras ocasiões, a sua história pessoal. Obama disse que não poderia negar Wright, o homem que o trouxe para o cristianismo e que batizou suas duas filhas, da mesma forma que não poderia negar a sua avó, uma mulher branca. O senador lembrou que sua avó confidenciou ter sentido medo ao ver um homem negro se aproximando dela e que ela já endossou estereótipos raciais que o chocaram.
Para Obama, tanto o comportamento de sua avó como as declarações de Wright são sinais de que a questão racial ainda é um tema muito arraigado no inconsciente coletivo americano. O senador afirmou nunca ter sido ''ingênuo ao ponto de acreditar que poderíamos superar nossas divisões raciais em um único ciclo eleitoral ou com uma única candiatura - particularmente uma tão imperfeita quanto a minha''. Mas seus correligionários pareciam pensar de forma diferente, e o próprio candidato dava sinais de que conseguiria se projetar passando ao largo do tema racial, não fosse por uma ou outra gafe por parte da campanha adversária. Alguns dos padrões recorrentes da disputa democrata, no entanto, mantiveram o tema vivo, mesmo em Estados em que Obama venceu Hillary Clinton, como o Alabama, onde a rival obteve um total de 75% do voto branco, contra 25% de Obama, ou na Louisiana, onde a cifra foi de 58% para a senadora contra 30% para o senador. Dentro de algumas semanas, ele irá encarar a primária da Pensilvânia, um Estado em que o eleitorado branco e de classe trabalhadora tem um peso muito forte. O desafio do senador, agora ainda mais árduo, será conseguir cooptar esse eleitorado tradicionalmente leal a Hillary. Feito isso, ele enfrenta uma tarefa ainda mais difícil: mostrar que é capaz de atrair eleitores brancos, de diferentes camadas sociais, em uma eleição geral. Se não der mostras claras de que está à altura desse feito, Obama irá falhar no teste de elegibilidade e a sua candidatura estará seriamente ameaçada. Obama parte para a ofensiva A campanha do senador Barack Obama afirmou que ele partirá para a ofensiva contra a senadora Hillary Clinton nesta semana. Os ativistas de Obama irão questionar a honestidade e a confiabilidade de Hillary, que julgam ser algumas das principais fraquezas da senadora. Na semana passada, o marketeiro de Obama, David Axelrod, indagou o que a senadora estaria tentando esconder, ao não divulgar sua declaração de impostos. A campanha de Hillary retrucou, dizendo que Obama enveredou por uma campanha extremamente negativa. Em um aparente surto de amnésia, após o comercial do telefonema às três da manhã, os correligionários da senadora disseram que eles têm feito uma campanha predominantemente positiva e apenas vêm respondendo aos ataques do adversário. Enquanto os democratas se degladiam, o republicano John McCain já posa de Estadista internacional. Nesta semana, o senador McCain realizará um evento para angariar fundos para sua campanha em Londres, onde deverá se encontrar com o primeiro-ministro Gordon Brown. McCain também tem encontros previstos com o francês Nicholas Sarkozy e o rei Abdullah, da Jordânia. Ele chegou ao Iraque, nesta segunda, às vèsperas do conflito no país completar cinco anos. McCain chegou a ser ridicularizado no passado, quando, em uma de suas visitas ao Iraque, fortemente vigiado por militares americanos, ele disse se sentir mais seguro em um mercado de Bagdá do que em certas partes de Washington. Agora, diante da belicosidade demonstrada pelos dois postulantes democratas, a frase do senador soa mais condizente com a realidade. Questão racial começa a dominar corrida democrata Um desdobramento ruim para os dois pré-candidatos democratas é o de que a questão racial está começando a dominar a disputa entre Hillary Clinton e Barack Obama. Na mesma semana em que Obama venceu no Estado do Mississippi com 92% dos votos dos eleitores negros, a ex-candidata democrata a vice-presidente, Geraldine Ferraro, que integrava o comitê de finanças de Hillary, se viu forçada a renunciar. Geraldine dissera, em uma entrevista, que Obama não estaria na atual posição se ele fosse um homem branco e que ele não estaria onde está se fosse uma mulher, independentemente da cor, acrescentando que, atualmente nos Estados Unidos, o sexismo é mais intenso do que o racismo. Nesta quinta, Hillary se desculpou pelos comentários de sua antiga assessora bem como os feitos pelo seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. Durante a disputa na Carolina do Sul, Clinton havia minimizado a conquista de Obama no Estado, lembrando que o reverendo Jesse Jackson também havia vencido por lá.
O comentário foi uma tentativa velada de condicionar um êxito em um Estado com forte eleitorado afro-americano ao fato de o candidato vencedor ser negro também. Clinton apenas ''esqueceu'' que o senador branco John Edwards também havia vencido uma primária no Estado. Antes disso, um outro episódio feio. ''Alguém'' vazou para a imprensa uma foto feita há dois anos, na qual Obama aparece usando um turbante e trajes típicos. A imagem foi registrada durante uma viagem do senador ao Quênia. Alguns dos polêmicos simpatizantes de Obama também não têm ajudado muito o senador. É o caso daquele que foi o seu pastor, em Chicago, o reverendo Jeremiah A. Wright. Em alguns sermões, disponíveis no YouTube, Wright tem comparado Obama a Jesus e dito que Hillary não sabe o que é crescer em um país e numa cultura ''controlados por pessoas brancas e ricas''. Wright foi além, ao dizer que ''Hillary nunca foi chamada de crioula'' e que Bill Clinton, ao contrário do que pensam muitos na comunidade afro-americana, não foi bom para os negros. ''Ele fez conosco o mesmo que fez com Monica Lewinsky'', afirmou, enquanto fazia um gesto simulando uma relação sexual. Obama tem procurado se distanciar do tom raivoso da pregação de Wright, dizendo que tais mensagens não têm lugar em sua campanha. Mas a dúvida é se o ressentimento e a divisão entre eleitores negros e brancos já não estaria sendo expressa nas urnas. O apoio a Obama entre os votantes negros têm crescido. E muitos eleitores brancos, particularmente os mais velhos e das zonas rurais, têm sido leais a Hillary. Se essa tendência se intensificar, os democratas poderão chegar divididos à eleição presidencial de novembro, independemente de quem for o candidato, e entregar a eleição para os republicanos. Qual dos males é o maior? A primeira mulher a concorrer ao cargo de vice-presidente dos Estados Unidos declarou que o senador Barack Obama não estaria tendo o mesmo destaque que vem recebendo se fosse branco e não negro. Geraldine Ferraro, que integrou a chapa do democrata Walter Mondale, derrotada em 1984 por Ronald Reagan, ajudou a angariar fundos para Hillary Clinton e integra a campanha da senadora.
Em uma entrevista, ela disse acreditar que Hillary é vítima de preconceitos muito mais arraigados dos que os que atingem - ou não atingem, no entender dela - o senador Obama. ''Se Obama fosse um homem branco, ele não estaria nessa posição. E se ele fosse uma mulher (de qualquer cor) ele não estaria nessa posição. Acontece que ele tem sorte de estar onde estar.'' Geraldine disse que a mídia tem dado uma vida boa a Obama porque os órgãos de imprensa são ''muito sexistas'', mas que o tratamento em relação a Hillary tem sido duríssimo. Como costuma acontecer quando frases que soam como gafes são emitidas, as condenações vindas de ambos os lados vieram rápido. Hillary disse não concordar com os comentários e os qualificou como lamentáveis. Obama classificou as afirmações de Ferraro como palavras que induzem à discórdia e à divisão. Quando todos esperavam que ela fosse se retratar, Geraldine lamentou apenas que suas afirmações tenham sido vistas como um sintoma de racismo, mas foi além, em uma entrevista posterior. ''O sexismo é um problema maior'', argumentou. ''Na cabeça de muita gente ser sexista é OK, mas não é OK ser racista.'' Obama vem obtendo vitórias expressivas em Estados em que há grandes eleitorados afro-americanos. Hillary tem contado com o apoio leal das mulheres. Será que a opção por um(a) ou por outro(a) tem sido marcada, consciente ou inconscientemente, por sexismo ou por racismo? O escândalo e a disputa democrata O escândalo que atingiu o governador de Nova York, Eliot Spitzer, não traz uma implicação para a corrida presidencial... ao menos por enquanto. Spitzer, acusado de ter recorrido aos préstimos de uma rede de prostituição de luxo, havia manifestado apoio à senadora Hillary Clinton. Mas horas após a polêmica ter vindo à tona, a campanha de Hillary reagiu com destreza, rejeitando o apoio do governador. Em tese, os republicanos da ala conservadora poderiam explorar politicamente o incidente e tentar jogar lama em supostas práticas ilícitas dos rivais longe da arena política. Mas a verdade é que o partido do presidente George W. Bush, que se elegeu com o forte auxílio de conservadores sociais, também está com a imagem manchada no que diz respeito aos pecados da carne. É difícil esquecer o episódio envolvendo o congressista Larry Craig, que teria solicitado por sexo com um homem em um banheiro no aeroporto de Minneapolis. Mas, como não poderia deixar de ser, a ala conservadora aproveitou para tirar uma casquinha do partido rival, como uma comentarista da rede de TV Fox News, emissora que não é conhecida propriamente por sua isenção jornalística. De acordo com a analista ouvida pela Fox, o chamado ''cliente número 9'', que teria sido o governador Spitzer, não é adepto do sexo com prevenção. De acordo com ela, ''quando for para a cadeia, ele terá plenas possibilidade de não praticar sexo seguro''. Tudo que importa é ganhar A imprensa e os analistas políticos repetiram pela terceira vez o erro que já haviam cometido antes da primária de New Hampshire e das prévias eleitorais da chamada Superterça: o equívoco supremo descartar a senadora Hillary Clinton e julgá-la fora da disputa democrata. Com as três últimas vitórias, no Texas, Ohio e Rhode Island, ela ganhou projeção, ou ''momentum'', para usar o termo da moda por aqui, e os possíveis tropeços da campanha de Obama e de seus assessores só fazem contribuir para o tal ''momentum''. O mais recente deslize foi o de Samantha Power, a assessora da campanha de Obama na área de política internacional e autora, por sinal, de uma elogiada biografia de Sérgio Vieira de Mello. Em um comentário em ''off'' feito ao jornal The Scotsman, Power chamou Hillary de ''um monstro'', em referência à campanha agressiva que a senadora promoveu contra o rival em Ohio. Resultado: o jornal poublicou os comentários, a assessora se viu forçada a pedir demissão e a campanha de Hillary reagiu prontamente, enviando emails para os correligionários da senadora. Nas mensagens, Terry McAuliffe, presidente da campanha de Hillary, afirma que o comentário segue a mesma linha dos ataques lançados contra Hillary nos anos 90. E acrescenta: ''Isso não é a política da esperança. É o mesmo tipo de política centrada em ataques que vemos de tempo em tempo''. Aproveitando a passagem por Dallas, vale lembrar os pensamentos de um genial frasista originário da cidade texana, o pérfido e maquiavélico personagem televisivo J.R. Ewing, segundo o qual, ''tudo o que importa é ganhar''. Longe de insinuar que a senadora Clinton compartilha da maldade do saudoso vilão da série Dallas, mas ela seguramente parece ser guiada pelo mesmo princípio. Com a campanha do rival dando uma forcinha, não é preciso grande esforço para colocar em prática outra máxima de J.R. Ewing. ''Fique de olho nos seus amigos, porque seus inimigos cuidarão de si mesmos.'' Vitórias de Hillary revivem discussão sobre votos da Flórida e de Michigan Em seu discurso de vitória no Estado de Ohio, Hillary Clinton lembrou de todos os Estados americanos que conquistou na corrida presidencial, mas citou, entre eles, Michigan e Flórida. O detalhe é que ambos os Estados foram punidos pelo Partido Democrata por terem antecipado a data de realização de suas primárias. E, com isso, os delegados destes Estados - um total de 156 no Michigan e 210 na Flórida - não terão representação na convenção do partido em agosto deste ano, e os votos computados em suas primárias não tiveram validade.
Os republicanos também aplicaram uma punição, mas não tão severa quanto a dos democratas. Eles reduziram o número de delegados destes Estados pela metade. As primárias republicanas nos dois Estados perderam parte de sua importância e a disputa democrata, vencida por Hillary, passou a ser uma não-disputa, já que, acatando regras do partido, a maioria dos candidatos concordou em não fazer campanhas nos dois Estados. Mas tudo isso pode mudar se depender não apenas de Hillary, mas também de alguns inesperados aliados, entre eles o governador republicano Charlie Crist, da Flórida, e da democrata Jennifer Granholm, de Michigan. Os dois líderes assinaram um comunicado conjunto pedindo que seus partidos revejam suas decisões e promovam novas primárias no Estado. Quem não está nada contente com a idéia é o senador Barack Obama. A campanha do senador afirma que a proposta é uma tentativa da senadora Clinton de mudar as regras no meio do jogo. Se levada adiante, a proposta poderá intensificar ainda mais a tensão já existente entre as campanhas de Hillary e Obama. E gerar um profundo antagonismo entre os aguerridos militantes de ambas as partes. A virada de Hillary? Os analistas políticos americanos não se cansam de apontar possíveis desdobramentos que se verão após as primárias desta terça-feira. Hillary irá perder no Texas e em Ohio? Irá vencer em Ohio e sair derrotada no Texas? Vencerá Obama, mas por apenas uma margem estreita? Ou obterá duas vitórias convincentes que farão reviver a sua campanha? Os marketeiros de Hillary já travam uma guerra psicológica com a campanha do rival. Afirmam que se Obama não vencer tanto em Ohio como no Texas, ele irá demonstrar que não é capaz de derrotar John McCain em uma eleição geral, em novembro. O argumento deles é que Obama tem a faca e o queijo na mão. Conta com muito mais recursos financeiros e vem de uma sucessão de vitórias. Os ativistas pró-Obama argumentam que a capacidade da equipe de Hillary de reinterpretar os episódios recentes a seu bel prazer está chegando ao fim e que, após os êxitos que esperam obter nesta terça, não restará outra opção mais digna à senadora se não a de se retirar da disputa e apoiar o candidato rival. Mas a paixão da militância de Hillary no Texas e as primeiras manchetes desfavoráveis ao senador podem indicar que o inferno astral da senadora está terminando e o de Obama, apenas começando. Após o senador ter feito uma série de críticas ao Nafta, o tratado de livre comércio entre os Estados Unidos, México e Canadá, veio a público a informação de que um de seus assessores econômicos teria sinalizado à embaixada do Canadá nos Estados Unidos de que a posição de Obama seria uma postura de campanha, não necessariamente uma indicação da posição real do senador a respeito do tratado. O indiciamento nesta semana de Tony Rezko, o outrora doador de campanha de Obama, poderá também propiciar revelações que causem constrangimento e afugentem potenciais eleitores. O porta-voz da campanha de Hillary resumiu o espírito de sua equipe: ''Se nós acordaramos na quarta-feira e a senadora Clinton tiver vencido em Ohio e no Texas, o jogo vai ser outro.'' Quem achava que tudo seria decidido no Texas, pode se preparar para possíveis novas emoções. Hillary ri para não chorar Hillary Clinton deixou de lado as agruras da campanha para dar um pulo rápido até Nova York, o Estado que representa no Senado, para uma breve, porém divertidíssima, participação no lendário programa humorístico Saturday Night Live. A atração começou com uma reprodução do debate da semana passada entre Hillary e Obama, transmitido pela rede MSNBC. No debate do Saturday Night Live, a humorista Amy Poehler, que imita Clinton, ''explicou'' que ela seria a melhor candidata para combater os interesses das grandes corporações, porque é preciso alguém ''tão irritante, tão mandona, com uma personalidade tão desagradável que, no final das contas, os grandes interesses dirão: 'Basta! Nós desistimos! A vida é curta demais para lidar com essa mulher horrível'''. Em seguida, os apresentadores passaram para uma série de perguntas pressionando Hillary a mostrar seus conhecimentos de política internacional, pedindo que ela dissesse o nome do provável novo presidente da Rússia - como de fato ocorreu no debate verdadeiro.
O apresentador em seguida dava as respostas e pedia a Obama que respondesse às mesmas perguntas. Quando o quadro terminou, o programa exibiu uma ''resposta editorial'' ao debate dos candidatos, que começou com a imagem de Hillary Clinton sentada. ''A cena que vocês acabaram de ver foi uma reprodução, em termos, do debate da semana passada'', afirmou Hillary, arrancando risos da platéia. A candidata disse que gostou do quadro porque adora a imitação que a humorista Amy Poehler faz dela. Em seguida, a própria Amy apareceu em cena. ''Eu adorei sua roupa'', afirmou a senadora, ao ver a comediante com um traje idêntico ao seu, mas acrescentou: ''Mas eu quero os brincos de volta''. Amy em seguida reproduziu a já lendária risada estridente e nervosa da senadora, que indagou: ''Eu realmente rio desse jeito?'' Mas a melhor fala foi quando Hillary respondeu como estava indo sua campanha. ''Ah, a campanha está indo muito bem. Por quê? Você ouviu dizer o contrário?''
Fora da disputa presidencial, para Giuliani, não resta muito mais a fazer se não rir dos próprios infortúnios. A situação de Hillary, ao menos por enquanto, é distinta. Ela ainda tem chances de virar o jogo na próxima terça-feira. Mas a sua participação no quadro humorístico desperta algumas reflexões. Se ela tivesse, desde o início, mostrado seu lado mais humano, engraçado, talvez os eleitores tivessem demonstrado mais empatia em relação à sua candidatura e sua campanha poderia não ter descarrilado diante da locomotiva Barack Obama, um candidato bem-humorado e bom de tiradas espirituosas, capaz de cativar os votantes com seu carisma. O risco é que é capaz de agora Hillary só ter uma saída: a de rir para não chorar. Crítica de Bush é empurrãozinho para Obama O presidente George W. Bush criticou o senador Barack Obama por este ter dito que estaria disposto a se encontar com líderes internacionais com políticas hostis aos Estados Unidos. Entre os líderes com os quais Obama teria dito que estaria disposto a manter encontros sem pré-condições estaria o de Cuba, ou "os" de Cuba, já que o próprio Raúl Castro teria indicado que irá sempre buscar conselhos junto ao ilustre irmão barbudo.
Para Bush, um encontro com dignatários deste naipe seria contra-produtivo e concederia legitimidade a um governo que fez do abuso aos direitos humanos a sua praxe. Mas Obama afirma que a política americana para com Cuba já mostrou há anos que é um fracasso. Virulento, Bush fez sua mais direta intervenção na corrida presidencial até o momento e disse que Obama deveria se concentrar na sua disputa com a senadora Hillary Clinton. E acrescentou que, até o momento, nenhum dos dois é o candidato democrata para concorrer à Casa Branca. Mas a popularidade de Bush atualmente é tão baixa, na faixa de menos de 30%, que uma crítica dele pode contribuir para que alguém acabe sendo, de fato, o candidato democrata à Casa Branca. Um certo senador pelo Estado de Illinois agradece. As piadas superaram o duelo Quem esperava que Hillary Clinton partisse com ampla munição para cima de Barack Obama no debate de segunda-feira à noite se decepcionou. Os dois candidatos abiram o debate transmitido pela rede MSNBC com um longo - de 16 minutos, segundo o mediador Brian Williams - e tedioso vai e vem sobre supostas diferenças entre seus programas de saúde e comentários inidôneos a respeito do projeto de Hillary para a área feitos pela campanha de Obama. Após a soporífero intercâmbio, Obama tentou apontar Hillary como tendo sido uma entusiasta do Nafta recém-convertida à crítica do acordo comercial. A senadora retrucou que o próprio senador também parece ser um neo-convertido. Mais um round sem vencedor, apenas o tédio. Mas os destaques acabaram sendo os de bom humor demonstrados por, quem diria, Hillary. No início do debate ela se mostrou algo tensa e incomodada com o aparentemente tratamento favorável dado pela mídia americana a Obama. Começou com uma reclamação algo ranzinza e tentou quebrar o gelo com uma piada, que não chegou a provocar muitos risos, mas deve ter feito com que muitos espectadores deixassem a TV de lado, para fazer uma busca no YouTube. Ela lembrou a sátira exibida no fim de semana, pelo tradicional programa humorístico Saturday Night Live, que ridicularizou a suposta fascinação da imprensa por Obama. Primeiro, Hillary se queixou de que em todos os debates a primeira pergunta cabe sempre a ela, insinuando favorecimento ao rival, e acrescentou: "Se alguém assistiu ao Saturday Night Live, talvez nós devêssemos perguntar se Barack está confortável ou se ele precisa de uma outra almofada''. Mais tarde, os realizadores do debate exibiram um clipe de um comício no qual Hillary tirou uma casquinha do discurso de "esperança" de Obama, despertando fortes risadas dos presentes ao seu evento de campanha. ''Os céus vão se abrir e corais celestiais irão soar'', afirma Hillary em tom sarcástico no trecho do discurso, enquanto agita os abraços. Assimilando o golpe, foi a vez de Obama sorir e dizer: ''Isso foi bom. A senadora Clinton mostrou um bom desempenho'', ao que ela reagiu com uma gargalhada. Ambas as passagens descritas não contribuíram para que nenhum eleitor indeciso fizesse a sua cabeça, mas, ao menos para mim, serão os momentos de um tedioso debate que ficarão guardados na memória. O que me faz lembrar: é hora de ir vasculhar no YouTube pelo Saturday Night Live da semana passada. Esse programa, sim, parece ter valido à pena. A disputa democrata fica feia... de novo O aperto de mão e a troca de amabilidades entre Hillary Clinton e Barack Obama no debate transmitido pela rede CNN na semana passada já parece coisa de um passado distante. É difícil - ou mesmo quase impossível - acreditar que o debate que será realizado nesta terça-feira e que será transmitido pela rede MSNBC seguirá o mesmo tom. Ainda mais após a virulenta troca de acusações entre as campanhas dos dois pré-candidatos democratas. Nesta segunda, o site noticioso Drudge Report divulgou uma reportagem ilustrada com uma foto de Obama vestindo trajes típicos somalis e um turbante.
De acordo com o Drudge Report, a foto foi circulada em um email entre assessores de Hillary. Um deles teria se perguntado no texto do email se uma imagem semelhante que mostrasse Hillary em vez de Obama não renderia intermináveis manchetes de jornais. O fato é que foi a foto de Obama que rendeu intermináveis manchetes. A campanha do senador reagiu com fúria. Os assessores de Obama qualificaram a suposta divulgação da foto como uma prática vergonhosa voltada para afugentar eleitores. Os militantes pró-Hillary responderam dizendo que não há nada de mais em ser fotografado usando trajes típicos e que Hillary o fez em inúmeras viagens internacionais. Mas eles só vieram a dizer que não foram eles os responsáveis pela divulgação da imagem no final da tarde, quando a foto já estava no ar desde a manhã. Some-se a isso as acusações trocadas entre Hillary e Obama ligadas ao Nafta, o acordo de livre comércio firmado entre Estados Unidos, Canadá e México. Obama diz que a senadora foi uma ardorosa defensora do tratado, que, segundo ele, teria provocado a perda de empregos de americanos. Hillary desmentiu as afirmações, disse sempre ter sido uma crítica do Nafta, arquitetado por seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e jogou a batata quente de volta para Obama, acusando o senador de ter sido ele próprio um entusiasta do Nafta. E que declarações de Obama endossam isso. Diante de tamanha troca de sopapos, não é fácil vislumbar um clima amistoso no debate desta terça e, pior, muito menos nos próximos dias da campanha para a primária do dia 4 de março, quando Texas e Ohio irão às urnas. Ralph Nader não assusta tanto quanto em 2000 O anúncio de que o advogado e ativista dos direitos dos consumidores Ralph Nader vai se candidatar à corrida presidencial causou um certo mal-estar entre os democratas. Os militantes do partido ainda carregam o trauma da eleição de 2000, quando o então vice-presidente e candidato democrata Al Gore perdeu para o republicano George W. Bush por uma diferença ínfima de votos na Flórida. Na ocasião, Nader obteve milhares de votos, e muitos democratas acreditam que ele foi decisivo para a derrota de Gore. Agora, a situação é razoavelmente diferente. Os dois postulantes à indicação democrata para concorrer à Casa Branca, Barack Obama e Hillary Clinton, vêm se insurgindo contra o papel desempenhado pelas grandes corporações na política americana, o que acaba esvaziando um pouco a possível campanha de Nader. O candidato do Partido Verde americano fez do combate aos interesses das grandes corporações o mote de sua campanha presidencial em 2000. Em 2008, com 73 anos, o que faz dele o candidato mais velho na disputa presidencial, superando o veterano John McCain, de 71, Nader não tem o mesmo apelo. Aquele que poderá ser o indicado democrata para concorrer à Casa Branca, Barack Obama, é visto como um defensor de novos ideais, um ardoroso adepto de mudanças e de políticas capazes de transformar os Estados Unidos, que vêm cativando os eleitores democratas. Neste domingo, Obama saudou o papel de Nader como ''heróico'', mas desdenhou a candidatura do advogado, dizendo: ''Lá vai ele de novo, a cada quatro anos ele faz isso''. Mas, ainda assim, os democratas estão alertas. E, nos bastidores, já estariam até buscando formas de complicar a candidatura de Nader e de dificultar o acesso do ''candidato do terceiro partido'' às cédulas eleitorais em Estados que terão grande peso na disputa presidencial. Virando o jogo...no gogó A senadora Hillary Clinton espera começar a virar o jogo na corrida eleitoral americana nesta quinta-feira, no debate que será realizado pela rede CNN, no Texas. O Estado que sedia o debate entre ela e o senador Barack Obama é o mesmo que será palco daquele que pode ser o ''duelo final'' para decidir quem será o indicado do Partido Democrata para concorrer à Casa Branca, nas prévias do próximo dia 4 de março. Será o segundo debate somente entre ela e Obama. A campanha de Hillary acredita que o senador sempre sai perdendo quando debate com ela. Que ele pode até ser um orador mais talentoso, mas que ela é melhor em apresentar propostas e em expor fraquezas do rival. Hillary havia proposto a Obama a realização de debates semanais, mas o senador declinou e só aceitou realizar dois. A senadora o acusou de estar fugindo da reta, mas a campanha de Obama revidou dizendo que ele já havia participado de 18 debates televisivos com candidatos democratas.
O principal marqueteiro da campanha de Hillary, Mark Penn, tem enfatizado que Obama seria uma escolha arriscada, com pouca experiência em crises internacionais, mais vulnerável aos ataques republicanos e à atual crise econômica americana. Essa deverá ser a linha adotada pela senadora no debate. Ainda não se sabe bem o quê, mas acredita-se que Hillary poderá sacar algo da cartola para superar Obama. Quer seja uma denúncia ou uma coleção de frases de efeito e bordões, Hillary terá que caprichar para que seu desempenho seja bom o suficiente a ponto de motivar eleitores a irem às urnas e cravarem seu nome. Ela precisa de uma vitória muito convincente no dia 4 de março, no Texas e em Ohio, possivelmente com uma vantagem de mais de 20% sobre Obama. Uma conquista que talvez exija algo mais do ser boa de gogó. Tropeços, mas não o suficiente para perder Nos últimos dias, a campanha de Barack Obama cometeu alguns deslizes que poderiam ter custado votos ao senador. Primeiro, a notícia de que ele pegou emprestado, como disseram os militantes pró-Obama, ou plagiou, como apontaram os ativistas pró-Hillary, trechos de discursos já feitos pelo governador de Massachusetts, Deval Patrick. Depois, foi a vez de a esposa do senador, Michelle Obama, ter dito que pela primeira vez em sua vida adulta estava “realmente orgulhosa” dos Estados Unidos, “porque parece que a esperança está finalmente voltando”. Os comentários renderam uma avalanche de críticas, mas a maior parte delas feitas pelos segmentos mais conservadores da imprensa americana. Por sorte, os eleitores de Wisconsin e do Havaí, Estado natal de Obama, pareceram ignorar tais microescândalos. E a imprensa também tem dado uma mãozinha. Os repórteres americanos e, talvez, até a imprensa mundial, parecem tão fascinados pelo equivalente político à Beatlemania que se tornou a campanha de Obama que vêm poupando o candidato de um rígido escrutínio. A esperança da rival Hillary Clinton em não ser solapada de vez pela sucessão de vitórias de Obama poderá se dar no início de março. No dia 3 do mês que vem, um dia antes das decisivas primárias do Texas e de Ohio, será indiciado Tony Rezko, um empresário de Illinois acusado de fraude e extorsão. Até recentemente, ele era um dos doadores de campanha de Obama, mas quando os escândalos emergiram, a campanha do senador procurou se distanciar de Rezko e chegou a doar contribuições feitas por ele a instituições de caridade. Durante o indiciamento, poderão surgir detalhes embaraçosos para Obama sobre a compra de um terreno pertencente à mulher de Rezko que teria sido adquirido pelo senador por preços abaixo do valor de mercado. Mas isso, é claro, se a imprensa julgar que o episódio merece a atenção devida ou se preferirá se deixar levar pelo amor incondicional à candidatura de Barack Obama. O silêncio de Chelsea Chelsea Clinton estará nesta terça-feira no Havaí, fazendo campanha por sua mãe, a senadora Hillary Clinton. O apertado calendário eleitoral americano impede Hillary de ir a todos os Estados da campanha, já que muitos chegam a inclusive realizar primárias simultaneamente. E a senadora se vale do cacife de seu marido, o ex-presidente de Bill Clinton, mas também vem contando com o auxílio de Chelsea.
No distrito eleitoral de Nebraska onde Chelsea fez campanha, Hillary teve uma performance muito superior ao que obteve em outras regiões do Estado. Mas quer por ser uma pessoa reservada ou por traumas gerados pelo escândalo sexual que envolveu seu pai durante seus anos na Casa Branca, Chelsea se recusa a falar com a imprensa. Até mesmo uma repórter-mirim de 9 anos e estudante da quarta série não foi capaz arrancar uma resposta de Chelsea. A jovem se desculpou, mas acrescentou: ''Infelizmente, eu não falo com a imprensa e isso se aplica a você, infelizmente. Apesar de eu ter achado você uma gracinha''. Episódios recentes pouco contribuíram para Chelsea vencer sua reserva. Um repórter da rede MSNBC criticou o uso que o casal Clinton vinha fazendo de Chelsea na campanha e as ligações feitas pela jovem para atrair superdelegados. O jornalista afirmou que eles estavam ''cafetinando'' a filha, gerando indignação da própria Hillary e de assessores ligados a ela. Uma coisa é certa. Ao evitar a média, Chelsea se previne de erros como os de seu pai, que volta e meia dá arroubos públicos de ira perante os repórteres ou que tem feito declarações infelizes, tentando trazer a questão racial para o primeiro plano na corrida eleitoral. Chelsea vem provando que existe sabedoria no silêncio. Como parar Obama? É essa a pergunta que a campanha de Hillary Clinton está se fazendo, mas a resposta não é nada clara.
A senadora parece estar investindo no caminho certo, mas poderá ser muito tarde para reverter a maré de vitórias de Obama. Sua nova gerente de campanha, Maggie Williams, além de uma assistente leal, que acompanha a senadora há décadas, é uma afro-americana, o que pode ser um aceno para um grupo eleitoral que tem votado em peso em Barack Obama. Hillary vem também destacando as diferenças entre o plano de saúde defendido por ela, que é universal, e o do rival, que é pago. Nos comícios, ela vem procurando abrir mão de seu lado professoral, de quem domina todos os temas e pode falar sobre eles por longos e tediosos minutos, e tem passado a ilustrar os temas que julga importantes com causos sobre personagens que encontrou nas trilhas da campanha eleitoral. Mas seus discursos não geram um terço da empolgação provocada pelos de Obama. E as diferenças com o rival ficam patentes em diferentes momentos. Nos útlimos dias, Obama revelou sua declaração de imposto de renda e pediu que ela fizesse o mesmo. Hillary, por sua vez, disse que só o faria se fosse eleita presidente. A decisão não a favorece e reaviva lembranças de negócios escusos aos quais o casal Clinton foi associado, durante a presidência do marido da senadora, quer justa ou injustamente. No momento, só resta a Hillary esperar que os eleitores do Texas e de Ohio, que até o momento têm favorecido a senadora nas pesquisas de opinião, não se deixem contagiar pela Obamamania até o dia 4 de março, quando serão realizadas as primárias nos dois Estados. Hillary poderá, no entanto, receber um "presente" de última hora. No próximo dia 3 de março, começa o julgamento de Tony Rezko, um ex-doador de campanha e amigo de Barack Obama, preso por fraude, extorsão e lavagem de dinheiro. Só o tempo dirá se a lama que poderá emergir do caso vai respingar em Barack Obama. Boca de urna californiana A reportagem da BBC Brasil foi a um posto de votação na região de Hollywood, o Hollywood Women's Club, e indagou em quem os eleitores votaram e o que justificou a escolha. Eis as respostas obtidas: David Memens - ''Barack Obama. Li o livro dele. Gosto de suas idéias sobre governo. Ele tem uma perspectiva nova, está no Senado há pouco tempo. Tem idéias novas e vai levar nosso país em uma nova direção'. David Sims - ''Barack Obama. Ele vai tirar nossas tropas do Iraque. E vai fazer isso mais rápido do que os outros candidatos. É um bom nome e parece ser a melhor opção''. Franciso Jiats - ''Hillary. Ela tem as mesmas idéias que Bill Clinton, que fez muito, não apenas por nós, os hispânicos. Ela demonstrou que é muito humana com as pessoas, com gente de qualquer raça, latinos, negros. Confio nela''. Arlene Williams - ''Barack Obama é o candidato mais empolgante para o eleitorado. Está fazendo com que muita gente que nunca votou compareça às urnas. Vamos ter dias difíceis pela frente e vamos precisar de gente inspiradora como ele''. Yvette Green - ''Barack Obama. Ele representa a mistura que são os Estados Unidos. Haverá muita mudança se ele chegar ao poder.'' Vyecheslav Volochka - ''Votei em Clinton, porque não tinha outra escolha. O Partido Republicano não era opção. E não acho que Barack Obama fosse uma escolha. Ele tem menos possibilidades de governar o país''. Valentina Volochka - ''Hillary Clinton. Ela tem mais experiência do que Barack Obama''. T. Holly - ''Barack Obama. Uma nova direção''. Despertando para Obama Seja qual for o resultado da votação da Super Terça-Feira, uma coisa é certa, o senador Barack Obama já pode se sagrar um vitorioso.
Não se trata de cantar vitória antecipada, mas simplesmente de avaliar os efeitos da candidatura Obama em todos os Estados Unidos. Em Iowa, ele cativou eleitores independentes, em Nevada, atraiu republicanos. Na Carolina do Sul, atiçou as paixões dos eleitores negros, que lhe deram uma vitória consagradora. Na Califórnia, ele está conseguindo romper barreiras étnicas, ao atrair hispânicos normalmente fiéis ao casal Clinton. A professora Hope Romanus, uma mexicana-americana de terceira geração, é uma das eleitoras latinas de Obama no Estado e contou à BBC Brasil que ''despertou'' para Obama durante o discurso que ele realizou na convenção democrata de 2004. Ela afirmou ainda que em momentos de medo, como o atual, as pessoas tendem a preferir um sobrenome conhecido, daí a preferência por Hillary - que também seria um reconhecimento de tudo que o casal Clinton fez em prol da comunidade latina nos anos 90. Mas acrescentou que ''essa maré está mudando''. E que ''quanto mais conversamos com hispânicos de Los Angeles, mais conseguimos votos para Barack Obama''. Talvez não seja o suficiente para garantir uma vitória do senador, mas a candidatura de Obama tem despertado paixões em pessoas normalmente alheias ao processo eleitoral e que não se dariam ao trabalho de ir votar nem mesmo nesta Super Terça-Feira. Hope tenta explicar o porquê desse fenômeno: ''Ele traz uma mensagem de unidade, de unir as diferentes raças e tendências políticas. De fazer com que todos se aproximem e encontrem valores comuns. É o único candidato na disputa capaz de fazer isso.'' Ofensiva telefônica
A estimativa deles é realizar quase 500 mil ligações até a votação desta terça-feira, na Califórnia. Hillary a cavalo Stephen Phul (à direita) e Joni Berby são moradores de Los Angeles que optaram por unir duas de suas paixões.
''Amamos cavalos em primeiro lugar'', afirmou Joni, explicando por que trouxe alguns de seus puros-sangues para desfilar em plena Hollywood com cartazes de apoio a Hillary Clinton. ''Acho que ela poderá trazer os nossos soldados de volta e fazer algo em defesa dos sem-teto'', diz ela. Hillary e Obama mano a mano Pela primeira vez na corrida presidencial, Hillary Clinton e Barack Obama se enfrentarão em um debate tendo apenas um ao outro como adversário. O ''duelo'' será realizado nesta quinta-feira à noite, na Califórnia, e transmitido pela rede CNN. A última discussão entre os pré-candidatos democratas ainda contou com a presença do ex-senador John Edwards, que abandonou a corrida presidencial nesta quarta-feira. No último debate, Hillary e Obama se engalfinharam durante quase o evento inteiro, e Edwards chegou a dizer que ele, Edwards, representava ''a ala adulta do Partido Democrata'', diante do que julgou ser uma conduta imatura e repreensível dos dois candidatos. Resta ver se estando totalmente livres para brigar a senadora e o senador vão procurar agir com mais civilidade do que o demonstrado nas últimas semanas ou se retomarão as trocas de farpas dos últimos debates. Difícil avaliar qual a tática que poderá render mais votos ou então afugentar os eleitores democratas que ainda estão indecisos. Surge um favorito Com a vitória do senador John McCain na primária da Flórida, surge o primeiro favorito para obter a indicação para disputar a Presidência.
Durante a campanha no Estado, o principal rival de McCain, o ex-governador Mitt Romney, vinha louvando as suas capacidades como administrador para cooptar os eleitores. McCain, fiel a seu estilo sem papas na língua, retrucou que de fato Romney era um administrador, mas que existem muitos administradores por aí. Ao passo que ele, McCain, é um líder. A Flórida vencida por McCain não foi apenas o primeiro grande Estdo da corrida presidencial, mas também o primeiro que se parece de fato com os Estados Unidos atuais. O Estado tem uma grande diversidade étnica, com expressivas minorias hispânicas e negras, e forte diversidade religiosa. A Flórida também foi severamente atingida pela crise do setor imobiliário, com muitos moradores tendo caído na inadimplência, devido à falta de recursos para pagar suas hipotecas. Muito se falou que o apelo de McCain não alcançava o republicano médio, que ele só se saía bem em Estados com forte voto de eleitores independentes. Mas a Flórida provou que essas máximas estavam equivocadas. E a campanha de McCain quer mostrar que o êxito em um Estado tão tipicamente americano é um sinal de que John McCain está a um passo de ser o candidato republicano na disputa à Casa Branca. As próximas etapas da corrida Após ter vencido Hillary Clinton por 28 pontos de diferença na Carolina do Sul, Barack Obama chega revigorado para a chamada ''super terça-feira'', quando mais de 20 Estados realizam primárias simultaneamente, no dia 5 de fevereiro. Na Carolina do Sul, os ativistas pró-Obama fizeram uma campanha pesada, investindo até nos condados menos populosos do Estado, fazendo telefonemas, batendo de porta em porta e enviando e-mails. E eles pretendem repetir a dose nos grandes Estados. Consta que a campanha de Hillary, ciente da derrota iminente, deixou a Carolina de Sul de lado e passou a investir em outros Estados da super terça-feira. Hillary ainda conta com vantagem, segundo as pesquisas, em grandes colégios eleitorais, como a Califórnia, Nova York e Nova Jersey. Mas a campanha de Obama espera conseguir exportar a mensagem de esperança e união defendida por seu candidato para alguns destes Estados. Neste domingo, a candidatura do senador pelo Estado de Illinois recebeu um belo reforço, o apoio anunciado por Caroline Kennedy, a filha do presidente John Kennedy. O peso simbólico desse apoio é ainda maior, visto que Obama tem sido associado às mensagens de esperança e união defendidas por John Kennedy nos anos 60. O azarão ''Alguém viu o debate desta semana? Fiquei feliz de ter sido o representante da ala adulta do Partido Democrata''. Assim o ex-senador John Edwards comentou sua participação no mais recente debate da corrida eleitoral americana, no qual Hillary Clinton e Barack Obama passaram a maior parte do tempo trocando acusações. Segundo Edwards, é esse tipo de postura do senador e da senadora que faz com que muita gente perca o interesse pela política nos Estados Unidos. Se diferenciar dos dois candidatos que promovem uma briga de foice para obter a indicação do Partido Democrata para ser o candidato presidencial é a única chance de Edwards. Aqui, na Carolina do Sul, ele deposita seus derradeiros esforços. Ele nasceu no Estado e fez sua carreira política no Estado vizinho, a Carolina do Norte.
Mas o ex-senador reconhece que a sua batalha será difícil. Ele afirma que sua campanha conta com muito menos recursos que as dos rivais - e atribui isso ao fato de que o Obama e Hillary obtiveram doações feitas por representantes da indústria farmacêutica e da de companhias de seguros. Edwards diz que sua postura de ''outsider'' faz dele o azarão entre os democratas. ''Sou um azarão até mesmo aqui na Carolina do Sul''. O ex-senador não venceu até o momento nenhuma das prévias eleitorais. Por isso, a primária deste sábado representa tudo ou nada para Edwards. Na última parada da corrida eleitoral, ele por pouco não terminou sem nada, tendo se contentado com um modesto terceiro lugar e 4% dos votos, muito, muito atrás de Hillary e Obama. O fim da chapa Hillary-Obama ou Obama-Hillary. As inúmeras trocas de acusações entre as campanhas de Barack Obama e de Hillary Clinton levam a crer que uma reconciliação entre os dois parece cada vez mais remota. E, com isso, uma chapa que seria uma dupla dos sonhos da política americana, Hillary-Obama ou Obama-Hillary, corre o sério risco de ser apenas isso mesmo, um sonho. Ativistas da campanha de Hillary com quem conversei afirmam que essa chance não existe mais, diante de supostas maquinações feitas pela campanha de Obama e de tentativas de distorcer as palavras de Hillary. O senador deu uma declaração que caiu como uma bomba junto aos simpatizantes de Hillary, ao dizer que o presidente Ronald Reagan mudou os Estados Unidos de uma maneira que Bill Clinton não foi capaz de mudar. O próprio Clinton deu o troco, afirmando que as tentativas de Obama de cortejar os eleitores republicanos estão se valendo de argumentos historicamente incorretos e vão atormentar o senador mais à frente na campanha. O senador, por sua vez, também argumenta que Bill Clinton tem feito uso de inverdades, ao apontar supostas incoerências em sua oposição à guerra do Iraque e acusar seus ativistas de terem usado táticas intimidatórias para atrair votantes em Nevada. Do jeito que a coisa está, fica difícil imaginar Hillary ou Obama subindo ao palanque alheio para discursar em favor do candidato que for o escolhido do Partido Democrata para concorrer à presidência. Já ouvi essa antes...e ainda vou ouvir de novo. Um dos percalços de acompanhar cada parada da corrida eleitoral americana, mais grave, inclusive, do que o cansaço, é que você começa a decorar todos os bordões, as palavras de ordem e até mesmo as piadas e causos contados pelos pré-candidatos. Já perdi as contas de quantas vezes eu já ouvi o senador John McCain contar uma anedota sobre um marinheiro bêbado; o trágico relato feito por Hillary Clinton sobre um soldado que perdeu a mão durante a guerra do Iraque; e o senador Barack Obama falar sobre esperança e mudança. Obama, cioso da tendência dos candidatos em repetir relatos, chegou a brincar, introduzindo uma divertida história, em um comício em Las Vegas, dizendo: ''Quando foi a última vez mesmo que contei isso? Ah, foi em Las Vegas'', despertando risos da platéia.
Mas a história era nova para mim. Tratava-se da origem de seu bordão ''Fired up, ready to go'', algo como ''Pegando fogo e pronto para a largada'. Em resumo, e bota resumo nisso, ele disse que a frase foi criada por uma recatada senhora de uma cidadezinha da Carolina do Sul célebre por criar bordões que colam na mente de todos. Pouco após ouvir a frase durante um de seus comícios, sem entender direito o que estava acontecendo, Obama conta que ela já havia sido incorporada por membros de sua comitiva. ''E aí, chefe, pegando fogo?'', eles indagavam. E ele respondia: ''Pronto para partir''. Ao menos um relato novo engraçado, pensei, ao sair do comício. Mas era tudo ilusão. Ao comentar que a história de Obama fora o ponto alto do evento com uma colega, que havia acompanhado mais comícios do senador do que eu, ela me olhou com frieza e sentenciou: ''Ele sempre conta essa história''. Algo que me diz que, em breve, eu também serei capaz de recitar de cor a história da senhora de estatura diminuta e vestida como quem está em vias de ir à missa, mas que é capaz de criar bordões eletrizantes. É a economia, seu burro! Em 1992, o mote da campanha do então pré-candidato democrata Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos era ''it's the economy, stupid!'', que nas mãos do autor destas linhas mereceu a livre tradução que pode ser vista acima. Naquela época, Michigan já não vivia mais seus dias de glória. A indústria automobilística, que valeria à cidade de Detroit o título de ''cidade dos motores'', já estava em decadência e o desemprego era crescente. Não é à toa que Bill Clinton venceu a primária em Michigan daquele ano. Agora, a situação se agravou, o desemprego do Michigan é o mais alto do país. E os republicanos que fazem campanha no Estado só falam sobre a economia e parecem ter até roubado algumas idéias da cartilha democrata, criticando o livre comércio e pedindo verba do governo federal para revitalizar o Estado. Detroit já foi conhecida por ter sido a cidade que deu ao mundo algumas das melhores bandas de rock de todos os tempos, como os White Stripes e os Stooges, e por ter sido o berço da gravadora de soul music Motown, que nos brindou com a genialidade de Stevie Wonder e Marvin Gaye. Daria gosto ver os candidatos em campanha citando essa riqueza cultural, mas diante da crise atual, nem o mais ardoroso fã de Iggy Pop e Stevie Wonder consegue alimentar tais devaneios. Quando ele começa a sonhar, vem uma vozinha na sua mente e diz: ''É a economia, seu burro!'' Tensão racial entra na disputa Comentários feitos pela senadora Hillary Clinton, por seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e por pessoas ligadas à campanha de Hillary, vem despertando acusações de racismo, feitas por militantes pró-Barack Obama e por ativistas negros. A tensão começou a crescer quando Hillary criticou Obama por ter supostamente se comparado a Martin Luther King. Ela contrastou a suposta escassa experiência do candidato com o histórico de King. E acrescentou que o lendário ativista de direitos civis conseguiu implementar políticas antiracistas ao colaborar com o presidente Lyndon Johnson. Muitos ativistas afro-americanos acusaram Hillary de procurar minimizar a importância de King. Assistentes da senadora refutaram isso e acusaram a campanha de Obama de oportunismo. O comentário feito por Bill Clinton de que a mensagem de Obama era um ''conto de fadas'' jogou mais lenha na fogueira. Para dissipar as tensões, o presidente Bill Clinton se explicou em uma entrevista para o programa de rádio do reverendo e ativista negro Al Sharpton. Momentaneamente, a tensão pode até ser aplacada. Mas muitos militantes afro-americanos já estão dizendo que a derrota de Barack Obama na primária de New Hampshire teria sido motivada por racismo. A questão racial é um tema espinhoso que tanto Hillary como Obama tratam com extrema cautela, com medo de assustar eleitores brancos e negros. O jogo só acaba quando termina Muitos já desdenharam da máxima futebolística atribuída ao ex-presidente do Corinthians Vicente Matheus, mas, ao nos depararmos com resultados recentes da corrida eleitoral americana, percebemos que ela é dotada de profunda sabedoria. Analistas políticos, jornalistas e institutos de pesquisa já estavam quase sentenciando a morte da candidatura da senadora Hillary Clinton quando, subitamente, ela deu a volta por cima e venceu a primária do Estado de New Hampshire, deixando para trás o rival Barack Obama. Algo parecido ocorreu do lado republicano, com a vitória de John McCain, cuja campanha contava com baixo orçamento e que já havia perdido vários assessores. Para os republicanos, a próxima batalha ocorre na semana que vem, no Michigan. Hillary e Obama voltarão a se degladiar dentro de duas semanas na Carolina do Sul. Até lá, e depois disso, a corrida ainda deverá ter inúmeras surpresas, escândalos, ataques e denúncias. PS - É possível que comecem a pipocar rumores relativos ao autor destas linhas, que ele teria sido um dos que endossou a tese do ''já ganhou'' pró-Barack Obama. Munido da oratória que estou adquirindo com a campanha eleitoral americana, retrucarei que minhas frases foram tiradas de contexto, distorcidas e que aqueles que me acusam o fazem porque temem sangue novo no bloguismo eleitoral. Mas, sei não, se nada disso colar, o jeito vai ser recorrer a marqueteiros e militantes tão eficazes quanto os de Hillary e McCain. Lágrimas de crocodilo? Foi uma pergunta inocente, que mais parecia destinada a quebrar o gelo. A senadora Hillary Clinton participava de um evento de campanha destinado a eleitores indecisos na manhã de segunda-feira em uma cafeteria de New Hampshire, quando foi indagada como é que ela fazia, em meio à correria da campanha, para sair de casa bem vestida e com o cabelo arrumado, por exemplo?. Em princípio, Hillary sorriu e disse que, em alguns dias, conta com ajuda de outros. E ainda brincou que essas nunca são, no entanto, as fotos que vão parar nos sites de internet. Em seguida, a senadora reagiu de forma inesperada, especialmente se levado em conta sua fama de pessoa fria. Interrompeu sua fala, retomou a frase com a voz embargada e mal conseguiu conter o choro. Para muitos, uma reação bolada por marketeiros para reaviver sua campanha. Mas a emoção da senadora pareceu genuína. Ela começou a falar sobre o quão desgastante é a campanha, lembrou que não quer ver seu país andar para trás, afirmou que, para ela, isso é uma questão pessoal, que a eleição não é um jogo. Acrescente-se a isso o extremo cansaço provocado pela maratona de comícios e eventos e percebe-se que chorar não é assim tão difícil. Uma das especulações sobre o porquê de o senador Barack Obama ter superado Hillary nas pesquisas é que ele teria feito uma campanha mais vibrante, que despertou emoções dos eleitores. Talvez, quem sabe, se a senadora tivesse deixado vazar um choro espontâneo aqui e ali ela iria não só se soltar mais um pouquinho como também teria criado mais empatia em Iowa e em New Hampshire. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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