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É certo fotografar turistas dos EUA na chegada ao Brasil? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Desde o dia 1º de janeiro, a Políca Federal está tirando impressões digitais e fotografando os americanos que chegam ao país pelo aeroporto internacional de Cumbica, na Grande São Paulo. A ordem foi dada pelo juiz Julier Sebastião da Silva, do Mato Grosso, em resposta às medidas antiterror a serem adotadas nos Estados Unidos a partir do dia 5, que prevêem que os turistas brasileiros também sejam fotografados e tenham suas impressões digitais tiradas ao entrar no país. Nos próximos dias, outros aeroportos devem adotar as mesmas medidas, mas o governo federal já anunciou que poderá recorrer da decisão. No primeiro dia, alguns turistas tiveram que esperar até uma hora pelo procedimento, já que apenas dois funcionários foram destacados para a tarefa. Mas será que a decisão é correta? É justo pagar as exigências na mesma moeda, ou com uma atitude como essa o Brasil estaria "espantando" os turistas americanos? Será que esse tipo de exigência piora as relações do Brasil com os Estados Unidos, ou mostra que o Brasil está disposto a preservar seus cidadãos de humilhações em terras americanas? E será que os aeroportos brasileiros têm equipamentos e pessoal suficiente para cumprir a ordem? Envie sua opinião para a BBC Brasil. Basta preencher o formulário ao lado. Leia abaixo as opiniões dos leitores da BBC Brasil "É absolutamente certo. Os americanos têm o problema do terrorismo. Só que não há registro de brasileiros terroristas nas últimas décadas. Entretanto, volta e meia é preso um americano tentando traficar drogas utilizando o Brasil como rota. Fichados, ficará mais difícil que isto ocorra. A proteção será favorável para ambos os países." "Não. O Brasil não sofre pressão mundial de terroristas. Portanto não deve tomar a mesma atitude." "Os brasileiros são tratados com muito constrangimento na entrada nos EUA e precisamos que os americanos tenham o mesmo tratamento que nós temos quando viajamos para lá. Eles precisam ver que não são unipotentes. Existem muitos destinos no mundo onde somos tratados bem, não havendo necessidade de se viajar a turismo para um país onde seremos tratados como cidadãos de segunda classe." "Acho uma infantilidade. O Brasil não tem nada a ver com as querelas entre os americanos e o Oriente Médio. A questão de segurança lamentavelmente existe e todas as medidas para prevervá-la devem ser bem recebidas." "Não se trata de certo ou errado. Isto não é sobre moralidade. É reciprocidade, como o próprio juiz que impetrou a ordem fez questão de mencionar. Quem conhece um pouco da história diplomática de Brasil e EUA sabe que nunca houve justificativa para o tratamento que ora é ministrado aos nossos compatriotas que visitam a terra do Tio Sam. O Meretíssimo Sr. Juiz Julier agiu sábia e prudentemente neste caso, demonstrando que podemos ser um povo gentil e hospitaleiro, mas não somos trouxas." "É correto. Pelo princípio da reciprocidade é justo que o cidadão americano seja tratado do mesma forma que seu país trata o cidadão brasileiro. Mas do ponto de vista diplomático e democrático, os dois países estão errados." "Os brasileiros são da paz. Nunca foram terroristas. Por que então essa humilhação? Creio também que deveria ser abolida, por parte dos EUA, a exigência de visto para brasileiros que queiram fazer turismo." "A xenofobia americana não pode estar acima dos direitos internacionais. Acho correto o procedimento que visa equilibrar as relações com os EUA." "É uma forma de ajudar a combater a biopirataria, afinal os americanos são os mais "interessados" nas riquezas da Amazônia. Parabéns ao juiz Julier Sebastião da Silva." "Eu acho que não, pois qual o motivo prático em fichar os visitantes americanos nos aeroportos enquanto centenas de americanos, árabes e outros entram no país, sem qualquer verificação, pela Ponte da Amizade com o Paraguai ? O juiz deveria entender que os EUA estão realmente sob ameaça de atentados e o Brasil não, ficando assim claríssima a natureza de vingança desta medida. E que não nos levará a lugar algum, apenas prejudicando o turismo e as relações entre Brasil e EUA." ''O Brasil não pode ficar se sujeitando a medidas que humilhem sua nação. Um país que quer crescer tem que ter atitude e resistir a futuras desavenças políticas que possam fazer parte do futuro do Brasil e dos Estados Unidos.'' ''Foi a melhor cartada do ano, o juiz Sr. Julier Sebastião da Silva foi iluminado no momento que resolveu usar (e muito bem) suas atribuições. Os americanos precisam saber com quem estão lidando e os que aqui chegam conhecerem os tratamentos que nós brasileiros recebemos em sua pátria.'' ''O juiz está certo em aplicar o princípio da reciprocidade. Nosso governo devia apoiar tal decisão, pois nós brasileiros estamos sendo discriminados e humilhados em terras americanas.'' ''Eu acho corretíssima a posição do juiz, pois é realmente um princípio de reciprocidade. Eu mesmo já sofri constrangimento ao entrar em Nova York, só porque estava conversando com um amigo e não entendi a pergunta que o oficial de imigração me fez. Ele se achou no direito de me chamar atenção publicamente, por isso acho correto que fichem os americanos ou qualquer outro que tenha para com os nossos compatriotas o mesmo princípio.'' ''Certo ou não, estamos amparados pela lei internacional da reciprocidade, contudo devemos avaliar se este decreto não traz prejuízos ao país, porque, infelizmente, dependemos muito do dinheiro dos turistas americano.'' ''Isso lembra o filme memorável de Peter Sellers, O Rato que Ruge. É evidente que medidas de segurança são mais do que necessárias aos Estados Unidos, mas não é de hoje que os vistos são solicitados aos cidadãos brasileiros, e o mesmo princípio de reciprocidade foi esquecido até aqui pelo Ministério Público. O Brasil não sofre ameaças terroristas no mesmo grau que os Estados Unidos e, portanto, tais medidas aqui parecem descabidas. Para o governo americano acredito que o fato de americanos serem fichados em outros países não deve fazer diferença, no que diz respeito as suas medidas de segurança, mesmo que essas sejam antipáticas ao mundo. A soberba americana é um fato conhecido, a nossa imitação poderá causar mais prejuízos que dividendos, pois os turistas podem se sentir discriminados e evitarem o Brasil como destino turístico, coisa que o Brasil realmente não precisa.'' ''Os EUA estão fazendo a política do 'façam o que eu falo, mas não façam o que eu faço', ao fichar cidadãos brasileiros e exigir que os cidadãos americanos não sejam fichados. Powell diz que estamos discriminando os americanos. Discriminação é o que eles estão fazendo ao fichar cidadãos de mais de cem países e dar passe livre a cidadãos de seletos 27 países (na maioria europeus). Quanto às filas, os americanos precisam entender que aqui no Brasil elas existem em todos os lugares (SUS, INSS, por exemplo) e, se nós podemos mofar na espera, eles também podem e se não estiverem satisfeitos, a porta da rua é a serventia da casa. Bom retorno!'' ''Não se trata apenas de fotografar turistas dos Estados Unidos, mas identificar todos os cidadãos americanos que aqui chegam, da mesma forma que fazem com os brasileiros que para lá se dirigem. Ou será que o fato de serem americano os torna cidadãos acima de qualquer suspeita?'' ''Reciprocidade é usar a mesma máquina que digitalmente colhe as informações necessárias em apenas 15 segundos. Deixar um turista esperando oito horas, com fome, não é reciprocidade. É atrocidade.'' ''Segundo a autoridade americana: 'Eu não aqho que é uma questão de doação. Eu acho que é uma questão de preparação.' Pois bem, acho que mais ridículo foi o sistema de votação americano, acho que ali é uma 'questão de preparação', tanto que com esse grave erro, colocaram Bush no poder e as conseqüências estão aí...'' | NOTÍCIAS RELACIONADAS Americanos tiram foto e digitais para entrar no Brasil01 de janeiro, 2004 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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