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Travesti é sucesso em programa de TV no Paquistão | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
De políticos a socialites, de artistas a intelectuais, todo mundo que é notícia hoje no Paquistão é bem-vindo no mais popular programa de entrevistas da televisão do país. "Querida, você é tão levadinha", ronrona uma mulher elegante, vestindo um sári (roupa tradicional feminina da Índia e do Paquistão), em horário nobre na televisão paquistanesa. Begum Nawazish Ali, a apresentadora do programa homônimo que conquistou o país, é um travesti de 27 anos. O seu sucesso chega a ser surpreendente, já que, no Paquistão, valores conservadores islâmicos ainda determinam grande parte do que é considerado um comportamento aceitável. Trajetória "Sempre quis ser uma mulher", diz a apresentadora, cujo nome de batismo é Ali Saleem, à BBC.
Filha de pai militar, ela admite que passou por momentos difíceis, como, por exemplo, uma visita a um psicólogo quando tinha 14 anos. O psicólogo tranqüilizou os pais de Ali Saleem. "Daquele dia em diante, meus pais ficaram do meu lado." Com talento dramático e uma bela voz, Ali caiu nas graças de uma conhecida atriz paquistanesa, Yasmin Ismail, morta no ano passado. Ismail apresentou Ali Saleem ao mundo do teatro, ensinou-o a representar e tornou-se sua mentora. A idéia de um programa de entrevistas apresentado por um travesti chamado Nawazish Ali surgiu em 2004. "Ninguém tinha visto algo parecido", comenta um produtor da TV paquistanesa, Azfar Ali. "O que é mais incrível é que ele é capaz de falar a linguagem das massas". Trivializando a política? Assim que estreou, o programa Begum Nawazish Ali tornou-se o assunto do momento. Políticos, estrelas de cinema e esportistas foram "tricotar" com a apresentadora. O programa tornou-se tão popular que um ministro paquistanês até pediu para ser entrevistado. Talvez isso tenha sido desnecessário, explica Ali com um sorriso sugestivo: "Nunca recuso nada a ninguém". O programa provocou críticas. Há quem diga, por exemplo, que ele trivializa a política em um país que foi governado por muitos ditadores. Ali discorda. "Nossos políticos foram destruídos por uma campanha bem orquestrada. Quero que eles voltem a ser populares". Ali diz ainda que os militares, uma força poderosa no país, são deliberadamente excluídos do programa. "Acredito que a democracia é a única opção para nós, e esta é minha contribuição para a causa", diz. Ela também quer mostrar o verdadeiro Paquistão, diferente da imagem de "central do terrorismo" que o resto do mundo conhece. "E eu vou conseguir", exclama Begum Nawazish, sorrindo, sedutora. "Afinal, quem é capaz de resistir a mim?" | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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