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Parceria com k.d. Lang rende elogios a Eumir Deodato | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O nome Eumir Deodato voltou às páginas dos jornais nos Estados Unidos quando críticos americanos elogiaram a contribuição do brasileiro para o novo álbum da canadense k.d. Lang, Hymns of the 49th Parallel. Radicado em NY desde 1968, o compositor, arranjador e instrumentista vem emprestando seu talento a grandes nomes do jazz e do pop, entre eles Frank Sinatra, Aretha Franklin, Elis Regina e Björk. O resultado dessas parcerias são centenas de álbuns lançados e vendas que, nos Estados Unidos apenas, ultrapassam 25 milhões de CDs. Em artigo sobre o disco de Lang, o jornal Washington Post disse que este é o grande álbum da carreira da cantora. E qualificou os arranjos de Deodato de "espetacularmente contidos". Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, o músico disse que foi essa a intenção. Você foi elogiado em artigos publicados nos Estados Unidos comentando a sua parceria com k.d. Lang. Como se sente a esse respeito? Deodato - Eu fico muito satisfeito porque parece que finalmente eles estão dando uma certa importância ao meu trabalho, ou ao trabalho do arranjador, que às vezes é o caso. Não me lembro de ter acontecido tanto, nem mesmo com a Björk, embora eu sempre tivesse bons comentários. Eles falam que (os arranjos) são sutis, calmos, tranqüilos. Foi feito de propósito assim. Como você compararia as experiências de trabalhar com k.d. Lang e Björk? Deodato - A Björk é muito simpática quando pergunta, quando pede as coisas. Ela sempre tem um sorriso e uma carinha de criança, então é difícil dizer não. Ou então você fica logo interessado no que ela quer para fazer com que ela fique satisfeita. A k.d. Lang é um pouco mais áspera. E se você fala alguma coisa ao contrário do que ela quer, ela tem sempre um arremate para cortar logo o desejo de convencê-la ao contrário. Você acha que os artistas que pedem sua contribuição como arranjador de alguma forma buscam o músico brasileiro em você? Deodato - Às vezes sim, às vezes não. Depende. Quando eles me chamam para fazer arranjos completos, incluindo baixo, bateria, piano e percussão, existe uma chance de adicionar um saborzinho brasileiro na coisa. Aí eu ponho os meus dois centavos ali. Mas quando se trata de fazer só o arranjo de cordas, ou de metais, ou a parte orquestral, fica mais difícil. Porque não existe um estilo brasileiro de se escrever para cordas. Quem foi o grande cantor, ou grande cantora, com quem você trabalhou? Citando alguns da sua lista: Aretha Franklyn, Frank Sinatra, Earth Wind and Fire, Björk, k.d. Lang… e entre os brasileiros tem Elis Regina, Gal Costa, Milton Nascimento… Deodato - Eu não me lembro quem foi o cantor que mais me impressionou. Mas você falou nas duas principais, k.d. Lang e Björk. Elas são excepcionais como cantoras e também como profissionais. No caso da k.d. Lang, logo de cara eu gostei do projeto dela. Com a Björk foi mais trabalhoso. Mas também gostei muito, e era uma coisa que eu precisava ter feito, me envolver com um projeto desse estilo. Senão eu ficava só fazendo certos estilos de música, não é? A Björk abriu o meu horizonte para outras dimensões musicais. Qual é sua faixa preferida no álbum da k.d. Lang? Deodato -Jericho (canção da canadense Joni Mitchell). É um octeto de cellos. Eu usei oito cellos dobrados. A música tem muitos rallentandos e coisas que foram totalmente dependentes da minha regência. Eu tive um time de músicos excelente e acho que regi muito bem. Ficou tudo perfeito. Em show de lançamento do álbum Hymns of the 49th Parallel no Carnegie Hall, em Nova York, k.d. Lang pediu a Eumir Deodato que se levantasse e agradeceu publicamente sua contribuição para o disco. Deodato vive nos arredores de Nova York. Além do trabalho como arranjador, ele também compõe e lidera sua própria banda em shows em todo o mundo. |
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