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Indústria de filmes britânica faz planos para evitar queda | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A indústria cinematográfica britânica tem sido motivo de manchetes positivas nos últimos tempos, com aumento no número de produções, na quantidade de empregos e de pessoas que assistem a filmes feitos na Grã-Bretanha. Em 2003, o setor bateu recordes, gastando 1,16 bilhão de libras (cerca de R$ 6,45 bilhões) em 173 produções. O cinema emprega atualmente 57.429 pessoas no país, um aumento de 77% com relação à situação há dez anos. Os dez principais filmes britânicos arrecadaram juntos em 2003 mais de US$ 1 bilhão, isso sem o lançamento naquele ano de nenhum episódio novo de James Bond ou Harry Potter. Parcerias Mas especialistas advertem que algumas questões precisam ser resolvidas para evitar que, como no passado, o crescimento da produção cinematográfica britânica não seja seguido de uma brusca queda. "Entre os desafios estão melhorar a distribuição dos filmes novos da Grã-Bretanha, aumentar o envolvimento das redes de TV, garantir a disponibilidade de mão-de-obra de alta qualificação e lidar com a ameaça da pirataria", afirma John Woodward, diretor do Film Council, órgão que coordena a produção de filmes britânicos. Outro obstáculo é assegurar o prosseguimento das produção num momento em que o governo introduz uma nova série de incentivos fiscais para o setor. Em fevereiro, o Tesouro subitamente mudou a legislação fiscal para os filmes ao fechar uma brecha na lei sobre "parcerias". Crédito Ministros disseram que a brecha era utilizada por investidores que colocavam dinheiro em produções numa jogada para pagar menos impostos, encerrando a sua parceria antes que os filmes chegassem aos cinemas. Além disso, o governo anunciou que a Seção 48 da Lei de Financiamento – que por sete anos permitiu que indivíduos ricos deduzissem do imposto investimentos realizados em filmes – será extinta em julho de 2005. Um novo crédito fiscal para o setor, com um orçamento de 15 milhões de libras, vai substituir a Seção 48. Mas o dinheiro só poderá ser pago diretamento aos produtores de cinema, sem passar por intermediários especializados no financiamento. Espera-se que o novo crédito continue de forma indefinida, ajudando a dar estabilidade à indústria cinematográfica britânica. Competição “A Seção 48foi um dos fatores mais importantes na regeneração da indústria cinematográfica britânica”, diz Steve Bowden, da produtora Ipso Fact, que é responsável pelo longa School of Seduction (ainda sem título em português). A quantidade de pessoal qualificado, de operadores de câmera a engenheiros de som e especialistas em efeitos especiais, vem atraindo vários diretores de Hollywood. A competição internacional, entretanto, vem crescendo. Muitos países do leste europeu ou vindos de lugares como o México podem municiar diretores com mão-de-obra barata, locações ou uma boa infra-estrutura de pós-produção. Custos O governo e o órgão que cuida do setor no país, o UK Film Council (Conselho Britânico de Cinema), desejam assegurar que os britânicos continuem oferecendo qualidade ao mercado, tanto que aprovaram um programa de treinamento orçado em £50 milhões (cerca de R$ 250 milhões). Outro aspecto importante é o da distribuição. Existe a preocupação de que filmes já prontos não deixem de chegar às telas por detalhes ligados à burocracia. “Muitos dos filmes feitos na Grã-Bretanha não chegam aos cinemas”, diz Bowden. “Um dos maiores impedimentos é o custo de lançar e comercializar o filme.” Qualidade “Fazemos filmes em 35 mm, e isso é mais caro do que as produções digitais”. Além de auxiliar em custos como os de pós-produção e distribuição, o Conselho Britânico de Cinema pretende introduzir incentivos para a distribuição de filmes britânicos. Outra meta da organização é instituir e manter 250 telas digitais em 150 cinemas para tornar mais fácil o acesso a filmes britânicos em todo o país. Tony Earnshaw, responsável pela programação de filmes no Museu Nacional da Fotografia, Filme e Televisão, entretanto, acredita que o maior problema seja os tipos de filmes que vêm recebendo financiamento. “O que vem acontecendo nos últimos anos é que o financiamento vem sendo dado a filmes que não são necessariamente bons”, diz ele. “Muitas pessoas dizem que querem fazer filmes de qualidade na Grã-Bretanha mas dizem que não conseguem financiamento. Tudo bem se você quer fazer um filme de ação ou uma comédia romântica, mas fora isso, fica difícil.” |
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