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Atualizado às: 12 de julho, 2004 - 19h12 GMT (16h12 Brasília)
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Para mim, Neruda passou de paixão proibida a devoção, diz Vargas Llosa
Vargas Llosa conta que Neruda ter sido um 'devoto' da poesia de Neruda
Vargas Llosa conta que Neruda ter sido um 'devoto' da poesia de Neruda
O escritor peruano Mario Vargas Llosa disse, em entrevista à BBC, que a poesia do chileno Pablo Neruda começou como um prazer proibido e se converteu em uma devoção.

O autor chileno que completaria 100 anos neste dia 12 de julho conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.

"Sempre fui leitor entusiasta e devoto de Neruda, a quem considero um dos maiores poetas de nossa língua", afirmou Vargas Llosa

Vargas Llosa disse que, em sua infância, sua mãe o proibía de ler os poemas de Neruda. "Segundo ela, eles não eram para crianças, o que logo os tornou mais atraentes", recorda o autor de Pantaleão e as Visitadoras.

Sedução

"Assim que li meu primeiro Neruda, quando era uma criança de calças curtas, não entendi bem o que estava lendo, mas me tornei um leitor devoto de Neruda", disse o escritor.

O autor conta que "praticamente em todas as épocas de sua vida, houve um Neruda que o seduziu".

"Quando criança, era o Neruda romântico. Ao virar um estudante universitário, o poeta épico e revolucionário de Canto Geral e Espanha no Coração."

"Quando, mais tarde, me tornei bem crítico da poesia de propaganda e ataque, meu Neruda de cabecereira era Residência na Terra, que acredito seja um dos mais importantes livros de língua espanhola ecritos no século 20", disse Vargas Llosa.

Segundo o escritor peruano, a poesia de Neruda é uma das mais influentes em toda a história latino-americana, até por ser capaz de atingir públicos distintos.

"Era um poeta para todos os gostos. Para um público que lê pouco, mas que no entanto sabia de cor seus poemas românticos e líricos. E, ao mesmo tempo, para um público mais exigente e rigoroso, porque há também um Neruda experimental, o da fase surrealista - o poeta intuitivo, racional, visionário, justamente o de Residência da Terra".

Divergência política

Vargas Llosa, que conheceu Neruda nos anos 60 e se tornou amigo do poeta, conta que as divergências políticas nunca abalou a relação dos dois.

"Desde o início, nossas diferenças políticas eram muito grandes. Eu não era comunista e era muito crítico das atividades pró-estalinistas que, durante um período, foram adotadas pelo próprio Neruda".

O autor peruano conta que Neruda chegou a escrever poemas louvando Stálin e deu declarações políticas "muito criticáveis".

"Mas isso nunca foi obstáculo para nossa amizade. Comigo, ele sempre foi de uma grande generosidade, de um grande carinho", recorda.

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