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Irmãos Campana 'traduzem' Brasil em museu londrino | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Materiais inusitados como palha, plástico-bolha, tubos de PVC e até bichos de pelúcia seriam impensáveis como peças do tradicional mobiliário britânico. Mas tanto público como imprensa na Grã-Bretanha parecem estar fascinados com tais materiais, que compõem os móveis da dupla de desingers Fernando e Humberto Campana - de quem o Museu do Design, de Londres, inaugurou a mostra Zest for Life (Gosto pela Vida) neste fim de semana. A "brasilidade" do trabalho da dupla é o que mais têm chamado atenção da imprensa britânica. "O colorido dos móveis deles é um passeio pela palheta de cores do Brasil", afirmou o jornal Observer. "Inspirados pelos modestos materiais essenciais à vida nas favelas, eles criaram objetos de luxo e destacaram a desigualdade entre ricos e pobres", destacou o Independent. A dupla não nega tais associações. "O Brasil é nossa grande fonte de inspiração. Nós traduzimos muito o Brasil com nosso trabalho", disse Humberto Campana à BBC Brasil. Bichos de pelúcia A curadora do Museu do Design, Sophie McKinlay, afirma que era importante trazer a obra dos Campana à Grã-Bretanha porque eles "dão uma contribuição muito empolgante ao design atual, especialmente na maneira como fazem uso de objetos do dia-a-dia". Ela cita, entre outras peças, as cadeiras Azul, Vermelha e Verde, presentes na exposição. "Eles pegaram uma corda de 400, 500 metros, que encontraram nas ruas de São Paulo e fizeram um artigo de luxo."
A curadora conta primeiro ter travado contato com a obra dos Irmãos Campana, ao ver a Cadeira Banquete - um dos itens da mostra, que é uma cadeira inteiramente composta por bichos de pelúcia. Talvez a obra mais famosa a integrar a mostra seja a Cadeira Favela, composta por centenas de lascas de madeira coladas de forma assimétrica e pregadas à uma estrutura metálica. "É algo que evoca o Brasil e São Paulo. É um retrato muito pessoal de onde eles vêm", diz a curadora. Barato que sai caro Ainda que usem materiais baratos e muitas vezes recicláveis, o valor de mercado das obras dos Campana está bem distante dessa "origem humilde". A Cadeira Favela que, segundo Humberto Campana, evoca as formas de uma favela brasileira, chega ao mercado europeu por valores superiores a 1,3 mil libras (acima de R$ 7,4 mil). Humberto diz não haver qualquer ironia nesse fato. "Sou um criador, meu lado social é estimular outras pessoas a criar. Essa cadeira é produzida por um pequeno grupo de pessoas no Brasil e exportada para a Itália. Tem essa realidade, na qual um real vale seis libras", comenta. O designer afirma que pretende criar produtos mais acessíveis ao longo do tempo. "Sinto que minha maturidade é chegar a um produto democrático, barato. Sinto que vou conseguir isso, porque sou muito obsessivo." |
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