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Atualizado às: 26 de maio, 2004 - 20h51 GMT (17h51 Brasília)
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Edward Hopper, o 'pintor da alienação', chega à Tate Modern

Nighthawks, de Edward Hopper
'Nighthawks' ('Noctâmbulos'): ícone das artes visuais
Uma das exposições mais aguardadas do ano em Londres será inaugurada nesta quinta-feira: a retrospectiva dedicada ao pintor americano Edward Hopper.

A mostra exibe 70 obras de Hopper, entre elas alguns dos trabalhos mais famosos da pintura moderna, como o quadro Nighthawks, de 1942.

Com seus retratos a óleo de pessoas olhando pela janela ou perdidas em um mundo à parte, sentadas em hotéis, bares e teatros, o pintor criou ícones do mundo das artes visuais.

Por sua influência, inclusive sobre o cinema, Edward Hopper é considerado um dos maiores nomes da pintura moderna.

'Nova Luz'

Trata-se da primeira grande exposição dedicada ao pintor na Grã-Bretanha nos últimos 20 anos.

A mostra tenta cobrir toda a carreira de Hopper, falecido em 1967, aos 79 anos, e a expectativa é de que ela venha a ser uma das mais visitadas desde a inauguração da galeria Tate Modern, em maio de 2000.

"Essa exposição é similar à dedicada a Matisse e Picasso por apresentar um artista que todo mundo acredita conhecer, mas, na verdade, não conhece", disse à BBC Brasil a curadora da mostra, Sheena Wagstaff.

 Não há piadas, não há humor em Hopper
Michael Palin, ex-Monthy Python

Segundo Wagstaff, o objetivo é "lançar uma nova luz sobre às obras dele, fazer as pessoas entenderem Hopper como um artista complexo e internacional, cuja influência é exercida até hoje".

Os trabalhos em exibição vão das gravuras e pinturas criadas nos tempos de estudante em Paris, no início do século 20, aos retratos do cotidiano em Nova York, realizados nos anos 60.

O mais famoso é Nighthawks, o retrato de uma cena noturna em um café de esquina, com três fregueses sentados no balcão, uma imagem reproduzida em pôsters – e, algumas vezes, parodiada – no mundo inteiro.

Críticos de arte são da opinião que poucos pintores conseguiram expressar tão bem a alienação e o isolamento das pessoas nos centros urbanos como Hopper.

'A Woman in the Sun'
'A Woman in the Sun', de 1961

O jornal Financial Times diz que o trabalho de Hopper lida com "alienação urbana e solidão existencial". O The Guardian diz que seu quadros são "retratos da vida interior".

O escritor Brian O'Doherty, amigo de Hopper que ajudou a organizar a retrospectiva, disse à BBC Brasil que – ao contrário do que o trabalho dele poderia fazer supor – o artista não era uma pessoa "melancólica".

"Hopper era quieto, um pouco tímido, gentil, e de uma forte presença, uma pessoa confortável consigo mesmo, que certamente não correspondia aos clichês relacionados a obra dele."

O'Doherty diz que Hopper – que viveu a maior parte de sua vida em Nova York – buscava "descobrir a si mesmo com seus quadros" e, por isso, os seus trabalhos eram "marcados por mistério e silêncio".

Um elemento praticamente ausente da obra de Hopper é o humor. O ex-Monthy Python Michael Palin, que é amante das artes e esteve na pré-estréia da mostra, disse à BBC Brasil que "não há piadas em Hooper".

Palin disse gostar do fato de Hopper ser "um pintor urbano". O ator e comediante, que tem apresentado e produzido programas sobre diferentes regiões e trajetos ferroviários do mundo para a BBC, disse que admira o "realismo" de Hopper.

"Lembro-me de uma ocasião em que viajei de trem de Washington para Nova York", contou Palin. "Quando chegou o final da tarde, e a luz do sol entrava pelo lado oeste dos vagões, os prédios da cidade vistos da janela, as esquinas, as cores polidas, os tons de ocre e marrom, tudo isso era puro Hopper."

Influência

Além dos trabalhos de Hopper, a mostra exibe uma programação paralela de palestras, discussões e filmes relacionados e/ou influenciados pela obra de Edward Hopper.

'Early Sunday Morning'
'Early Sunday Morning', 1930

"A influência dele é extraordinária", justifica a curadora Sheena Wagstaff. "Uma das coisas que me convenceram a fazer a retrospectiva agora – e não mais tarde – foi a constatação de que há uma leva de fotógrafos, cineastas, pintores, diretores teatrais, dramaturgos e escritores influenciados pelo Hopper, de formas diferentes", disse.

"O elemento mais abrangente é sua habilidade em sugerir histórias", acrescenta Wagstaff. "Outro aspecto influente, principalmente na pintura, foi sua habilidade em pintar luz 'refletiva', luz como um elemento arquitetônico dentro de quadros, em que ela representa uma chave para entender os trabalhos e para realçar a tensão psicologica das pinturas."

Shena Wagstaff diz que há várias razões para o apelo internacional de seus trabalhos junto ao grande público.

"Uma é que Hopper desde cedo usava a linguagem dos filmes, ele adorava ir ao cinema", afirma a curadora. "Ele usou o vocabulário do cinema para assimilar suas influências do realismo europeu do século 14, de pintores como Manet e Degas."

Segundo Wagstaff, Hopper "construía cenas de um roteiro imaginário, que faziam parte de um enredo do qual não se sabe o que veio antes nem o que vinha depois".

"O espectador acaba imaginando o resto da história. E é fazendo isso", segundo Wagstaff, que Hopper "consegue envolver tanto o espectador"

A programação dos filmes influenciados por Hopper ou que influenciaram o trabalho do pintor foi organizada pelo cineasta Todd Haynes (Velvet Goldmine, Longe do Paraíso).

A lista inclui filmes de Haynes, Hitchcock, Fassbinder, David Lynch, Terrence Malick, George Stevens e Douglas Sirk.

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