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Filme de Walter Salles é aclamado com aplausos em Cannes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O filme do diretor brasileiro Walter Salles pode ser um dos novos favoritos à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, pelo menos no que depender de aplauso. No final de sua primeira exibição para a imprensa na manhã desta quarta feira, o longa foi aplaudido por jornalistas por vários minutos. Um aplauso tão prolongado foi visto apenas depois da exibição do longa de animação Shrek 2, no último sábado, e depois da exibição do documentário Fareheint 9/11, de Michael Moore, na segunda-feira. Em uma longa entrevista coletiva, em que Salles conversou em francês, inglês e português com jornalistas, o diretor afirmou que a missão de Diários de Motocicleta é com a América Latina. “Espero que o filme dialogue com as platéias latino-americanas em primeiro lugar. É para ali que estamos olhando. É um filme feito por pessoas que vieram de tantas partes diferentes deste continente. É quase natural que isso comece por ali.” “Nossa expectativa sempre foi de que o filme gerasse um debate interno na América Latina, que as pessoas possam ver e reagir a ele”, acrescentou o brasileiro. “E, mais importante ainda, que as pessoas voltem aos livros, possam acompanhar a viagem. O que nós podemos dar é uma interpretação da viagem. Mas, por sorte, tanto Alberto (Granado) quanto Ernesto (Guevara) escreveram estes diários de bordo e é sempre possível voltar a eles.” ‘Babel’ Salles afirma que quando começou a trabalhar em Diários de Motocicleta, observou que a equipe parecia uma “Babel latino-americana". “Estava trabalhando com pessoas de lugares diferentes. Rodrigo (de La Serna) é argentino, Gael (García Bernal) é do México, muitos companheiros do Chile, do Peru.” “Nós todos tínhamos esta mesma indagação que, acho, é a base do livro escrito em 1952: que continente é este? Será que existe, como no discurso feito em 1952, uma única América Latina. Será que isso é possível?” “Começamos sem saber essa resposta. À medida que fomos avançando, descobrimos que éramos muito mais próximos do que imaginávamos no início”, afirmou Salles. “É como naquele filme dirigido por (Wim) Wenders, tão próximos e tão distantes.” Salles continou: “A percepção que nós tivemos foi de que nossas fronteiras eram muito mais porosas do que elas pareciam num primeiro momento. Mas, nós somos ainda muito distantes, e não deveríamos sê-lo”, afirmou o diretor. Como exemplo, Salles afirma que gosta muito do cinema argentino, mas, segundo ele, pouco chega desta cinematografia no país, e isso precisa mudar. Perspectiva Salles afirmou que sua perspectiva de trabalho mudou depois de Diários de Motocicleta. “Eu comecei este filme me sentindo um realizador essencialmente brasileiro. Terminei o filme ainda me sentindo essencialmente brasileiro, mas também latino-americano”, afirmou. “E me sinto feliz por ter podido mergulhar nisso e quase com vergonha de não saber tanto quanto eu deveria ter sabido", acrescentou. |
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