|
Festival de cinema brasileiro em Paris exibe 30 filmes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Começou nesta quarta-feira em Paris o 6° Festival do Cinema Brasileiro. O evento reforça sua posição de vitrine da produção cinematográfica brasileira atual não só para o público, mas também para produtores e distribuidores franceses e europeus. Cerca de 30 filmes serão exibidos até o próximo dia 4 de maio. Os organizadores preferem não fazer previsões em relação ao público desta 6ª edição, mas esperam que, após o término do festival, distruidores de países europeus solicitem filmes exibidos. Mas o interesse dos franceses pelo cinema brasileiro tem crescido. O número de espectadores passou de 1,5 mil na primeira edição do festival para 7 mil em 2003. "O festival existe para atrair público e também para favorecer a distribuição de filmes brasileiros, o que é bastante importante para nós", diz Kátia Adler, organizadora do evento, promovido pela associação Jangada. "Este é o quarto ano em que convidamos distribuidores. O filme Janela da Alma, dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, ganhou o prêmio do público no festival de 2002 e será lançado em julho próximo na França", diz Kátia Adler. O festival será lançado nesta noite com a exibição de Carandiru, de Hector Babenco, que está fora de competição. Também serão exibidos, em competição, O Homem que Copiava, de Jorge Furtado, O Caminho das Nuvens, de Vicente Amorim, O Vestido, de Paulo Tiago, O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, e Deus é Brasileiro, de Carlos Diegues, entre outros. 'Visibilidade' Patrick Straumann, escritor e crítico de cinema suíço, não perde o festival de cinema brasileiro em Paris. "Desde o início assisto ao festival. É muito interessante poder ver filmes brasileiros que, com exceção de obras como Cidade de Deus, não têm visibilidade fora do Brasil", diz ele. Para Jean-Luc Vachetausen, editor do caderno de Cultura do jornal Le Figaro, o Brasil interessa bastante ao público francês e iniciativas como a do Festival de Cinema Brasileiro agradam aos franceses. "O festival é interessante porque mostra um panorama da produção brasileira. Ela teve uma importância considerável durante os anos 70 e depois desapareceu um pouco das telas. Mas hoje, tem-se a impressão de que há uma ressurreição da produção brasileira", diz o crítico. Vachetausen faz, no entanto, uma ressalva em relação à data do evento. "Ele ocorre pouco antes do Festival de Cannes (que tem início no dia 13 de maio) e acabamos não dando a cobertura que gostaríamos", afirma o editor do Le Figaro. O tema desta 6ª edição do Festival de Cinema Brasileiro em Paris é o Rio de Janeiro. Os organizadores querem mostrar o lado positivo do Rio, longe da violência urbana que representa a maior parte das notícias veiculadas sobre a cidade na Europa. Serão exibidos os filmes Cariocas, de Ariel de Bigault, Veja Esta Canção e Os Cafajestes, de Ruy Guerra, e os documentários Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje, de Izabel Jaguaribe, e Rio de Jano, de Anna Azevedo, Eduardo Souza, Lima e Renata Baldi. Filmes mudos Além disso, o evento conta com uma seleção de curtas-metragens mudos filmados no Rio dos anos 20. O pianista Carlos Eduardo Pereira, que virá do Brasil especialmente para o festival, acompanhará no piano a projeção dos filmes mudos. Além do Rio de Janeiro, outro tema que interessa bastante os franceses é a Amazônia. O documentário Amazonie, la Ruée Sauvage (Amazônia, a Corrida Selvagem), uma co-produção franco-brasileira, do diretor Alexandre Valenti, será assistido por cerca de 500 alunos franceses. Ele já foi exibido pela televisão francesa no ano passado. Para Valenti, o festival tem uma importância "capital" para os cineastas. "O maior problema para quem faz cinema hoje é o monopólio das grandes distribuidoras. Esse festival permite que alguns distribuidores assistam aos filmes, permitindo que eles tenham a possibilidade de ser exibidos rapidamente", diz o diretor. Além da exibição de filmes, serão realizados durante o festival debates, exposições de fotografia e concertos. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||