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Almodóvar traz polêmica com padre e homossexuais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O novo filme do cineasta Pedro Almodóvar certamente será alvo de protestos e promete provocar muita polêmica. Em plena forma, o diretor narra uma história que tem como ponto de partida as relações homossexuais entre estudantes de um colégio católico e o assédio desses meninos por parte de padres. Intitulado La mala educación (A má educação, em tradução livre), o 15º longa-metragem do diretor espanhol foi apresentado à imprensa pela primeira vez na manhã desta quinta-feira, no cinema Coliseum, em Barcelona. A coletiva de imprensa com o diretor, no entanto, foi suspensa devido ao ataque em Madri. A BBC Brasil foi avisada pela assessora de imprensa Paz Sufrategui de que a entrevista de Pedro Almodóvar provavelmente seria cancelada. “Estamos todos muito abalados. A festa de apresentação de hoje à noite já foi desmarcada”, disse Paz. O diretor e o travesti O filme conta a história de dois meninos que se apaixonam em um colégio de padres na Espanha franquista da década de 60. Um dos meninos, Ignácio Rodrigues (o mexicano Gael García Bernal), sofre também o assédio do diretor da escola, o padre Manolo. Os dois amigos se reencontram anos depois. Ignácio deixou a vocação literária e tornou-se ator. Enrique Godet (Fele Martinez) é um diretor de cinema bem-sucedido. Ignácio apresenta a Enrique um roteiro com o sugestivo título de A visita, no qual o ponto de partida é a infância dos dois amigos no colégio religioso. Na trama escrita por Ignácio, os amigos também se reencontram anos depois. No roteiro, porém, Ignácio transforma-se no travesti Zahara e Enrique é um pai de família de uma cidade do interior. Enrique gosta do roteiro e resolve filmar a história. A única exigência de Ignácio é atuar no filme como Zahara. Antes de começar a rodagem, Enrique descobre que Ignácio é, na verdade, o irmão mais novo de seu antigo companheiro. Mesmo assim, decide produzir o filme para descobrir, no final, o que aconteceu com o verdadeiro Ignácio. Relações homossexuais La mala educación estreará na Espanha no dia 19 de março. Depois, será exibido na Inglaterra, França e Itália. O filme abrirá o festival de Cannes em maio e só entrará em cartaz no Brasil a partir de setembro. Almodóvar inspirou-se em experiências pessoais na hora de escrever o enredo. O diretor estudou em um colégio de padres na mesma época em que acontece a história. Uma das cenas de assédio do diretor da escola a Ignácio, durante um piquenique à beira de um rio, foi contada ao diretor por um colega de classe. O diretor nega, no entanto, que o filme seja totalmente autobiográfico ou que se trate de um acerto de contas com os padres que não souberam educá-lo. “Se quisesse vingança não esperaria 40 anos. A Igreja não me interessa nem como adversário”, diz, na sinopse do filme, Almodóvar. Outro elemento verídico do enredo é o contexto da segunda parte do filme, ambientada em 1980. Era a época de transição para a democracia depois de 40 anos de ditadura do general Francisco Franco (1939-1975). Estava em voga, então, a chamada “movida madrilenha”, uma manifestação artística que pregava a liberalização dos costumes, da qual fez parte Almodóvar. |
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