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Prefeito lança campanha para londrinos lerem mais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
É difícil entrar em um ônibus ou no metrô de Londres sem ver um considerável número de pessoas lendo livros. O londrino lê muito. No transporte, nos cafés, em meio ao burburinho dos pubs, nos parques e até em intervalos de peças teatrais. Qualquer tempinho vago é pretexto para tirar o livro da bolsa. Mas o prefeito Ken Livingstone acha pouco e, junto com a organização beneficente Booktrust e um grupo de escritores, lançou nesta semana uma campanha para incentivar as pessoas a lerem mais e para festejar a diversidade da literatura produzida na capital inglesa. ''Londres tem uma das maiores heranças literárias do mundo'', disse ele, no lançamento da campanha que, até o dia 7 de março, contará com posters espalhados nas estações de metrô, de trem e nos ônibus; programas especiais na televisão e no rádio; e inúmeros outros eventos, como promoções em livrarias e bibliotecas. Cidade de escritores O título da iniciativa, Get London Reading, pode ser traduzido livremente por Vamos Ler Londres. Tem duplo sentido: funciona como incentivo à leitura e também como um convite ao londrino para ler livros que falem da sua cidade ou que a tenham como cenário.
Um grupo de 11 escritores reuniu-se numa tarde de autógrafos em Canary Wharf, na Zona Leste da cidade, na segunda-feira, como parte da campanha. Entre eles, Nick Hornby (Alta Fidelidade e Febre de Bola), Zadie Smith (Dentes Brancos) e Tony Parsons (Pai e Filho). ''Londres é a cidade de Charles Dickens e Bridget Jones, Peter Ackroyd e Nick Hornby, Sherlock Holmes e Martin Amis'', declarou Tony Parsons, ''uma cidade de escritores e leitores''. Autores contemporâneos O apetite do londrino pela leitura é refletido no número de bibliotecas públicas: Londres tem nada menos que 395 bibliotecas que recebem mais de 50 milhões de visitas por ano (sem falar nas centenas de livrarias excelentes). Para abrir ainda mais este apetite, a co-organizadora do Get London Reading, Booktrust – instituição beneficente educativa fundada nos anos 20 –, compilou uma lista de 12 livros de autores contemporâneos representativos da diversidade cultural de Londres e que apresentam diferentes aspectos da cidade. Com gêneros que vão desde biografia a crime, passando por romance, a lista inclui os títulos Dangerous Lady de Martina Cole, London Orbital de Ian Sinclair e Diaspora City, uma coletânea de contos de autores consagrados, como Ben Okri, e mais alguns vencedores de um concurso literário. 'Omissões óbvias' Imagina-se que uma iniciativa deste tipo provoque uma reação de maneira geral positiva. Mas há sempre uma voz discordante. O editor de literatura do único jornal exclusivamente londrino, o Evening Standard, David Sexton, encontrou defeito na lista de livros escolhidos. ''Há algumas omissões óbvias'', escreveu, ''não tem nenhum livro da Monica Ali (porque ainda não saiu em brochura) e nenhum Martin Amis (porque não é politicamente correto)'', disse.
Mas as sugestões de livros e autores ligados de alguma forma a Londres não se limitam aos 12 escolhidos para impulsionar a campanha de incentivo à leitura. Para leitores ávidos A página na internet da campanha Get London Reading traz nomes e títulos do passado e do presente literário da capital, separados por gênero: ficção, biografia, história, não-ficção e literatura infanto-juvenil. Nomes não só como os dois registrados pelo crítico como também Charles Dickens, Peter Ackroyd, Muriel Spark, Michael Frayn, Hanif Kureishi, Conan Doyle, Will Self, George Orwell e Benjamin Zephaniah, entre dezenas de outros. Há sugestões suficientes para saciar o apetite literário não só dos londrinos mas também dos amantes da boa literatura no mundo inteiro. O editor literário David Sexton, no entanto, não implicou apenas com a escolha dos escritores e suas obras. ''A campanha Get London Reading inadvertidamente insinua que Londres não está lendo, ou não está lendo o suficiente. Isto é absurdo'', protesta ele. Apesar do preciosismo do editor, uma campanha para estimular – ou, se for o caso, aumentar - o hábito da leitura não vai encontrar muitos opositores. Ah, sim, e vem mais por aí. No dia 4 de março, comemora-se o Dia Mundial do Livro. |
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