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Madri abre feira mundial de arte 'transgressora' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A arte moderna é transgressora. Baseando-se nisso, 277 galerias internacionais inauguram nesta quarta-feira em Madri a maior feira de arte contemporânea do mundo, a Arco 2004. Um espaço onde quase tudo está permitido e justificado na concepção artística; da crítica social ao cibersexo, passando por Pelé, George W. Bush e Picasso. A 23ª edição foi aberta oficialmente pela Rainha Sofia e recebe o público até a próxima segunda-feira. São 22.860m² para galeristas de 32 países. A organização espera superar a marca de 200 mil visitantes de 2003. Instalações A Arco 2004 surpreende pela ousadia. A maioria das galerias apostou nas instalações que tem como público comprador museus e fundações. Arte interativa aberta à participação do visitante entendido ou não. Uma sala escura com sons gravados de gritos convida o público a soltar seus melhores berros, uma imensa máscara de George W. Bush (para que o visitante entre nela) ou uma série de mesas pretas cobertas de roupas sujas estão à mostra e à venda. A obra das mesas, por exemplo, chama-se Workers’s clothes worn while he/she is being at work (algo como roupas gastas de trabalhadores enquanto ele/ela estão no trabalhado/a) do artista iugoslavo Bojan Saucenic. Custa US$ 10 mil cada uma das seis mesas. Há obras para (quase) todos os bolsos e gostos, de pinturas, esculturas a fotografias. As mais baratas são fotos em preto e branco de galerias africanas de Senegal e Mali, debutantes na mostra espanhola, por 600 euros (cerca de R$ 1.800). Bem mais caros são os quadros de Picasso. O óleo sobre tela Mulher Alongada sai por 9.5 milhões de euros (aproximadamente R$ 30 milhões). ''A proposta da Arco é atrair todo o tipo de público que goste de arte, seja colecionador ou não. Pessoas que encontram na arte uma paixão e um deleite e, por isso, nossa intenção foi ampliar a perspectiva para esse público. Como notamos o aumento do interesse por outro tipo de obras inovadoras, esse ano abrimos mais espaço a novos criadores'', disse a curadora da mostra Rosina Gómez Baeza. Crítica social O lado mais mordaz da Arco é a crítica social. Fotos e vídeo-instalações mostram a morte, a solidão, a falta de comunicação, a guerra e as injustiças do mundo moderno. Como uma colagem de sacerdotes seduzindo menores e fotos de mulheres africanas sofrendo amputações genitais. Também há espaço para o inusitado. Travesseiros imensos e brancos para olhar e tocar ao lado de ícones como Pelé e Marilyn Monroe feitos de papel. Na arte contemporânea, o mundo fetichista e erótico mistura surrealismo e tecnologia. Uma galeria americana exibe um DVD que define como ''cibersexo em desenhos animados''. Outra mostra a sexualidade do personagem Fada Sininho (de Peter Pan) nua ao lado de um Mickey Mouse que aparece drogando-se. O espaço da mostra está dividido em dois setores: futuribles e project rooms, além de áreas de descanso em forma de instalações vanguardistas feitas com objetos do cotidiano para sentar, deitar e apreciar, onde cada cadeira, pedaço de chão e teto têm algo a exibir. Eventos paralelos A Arco tem este ano ainda dois eventos paralelos: arte na rua e 44 painéis de debate com especialistas internacionais. As mostras urbanas acontecem em vários pontos da cidade e uma das instalações chama-se Construção Inacabada. É uma casa feita de verdade por pedreiros. Só que enquanto um levanta uma parede, outro a derruba, de modo que a obra esteja sempre incompleta. A feira conta com curadores e críticos de instituições como os Museus Guggenheim, MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), Museu do Prado e Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre outros. O país homenageado é a Grécia. Segundo os organizadores, o mercado de arte está em alta e a perspectiva é subir em 2004. Nos últimos dois anos, o preço médio das obras aumentou 4,3% e os colecionadores consideram um investimento seguro, principalmente as peças mais modernas. ''Isso ocorre porque a arte está deixando de estar restrita a uma elite para abrir-se a um público maior, sensível às novas tendências. E sabemos que os mercados flutuam mas sempre haverá, por fetichismo, por beleza, por prestígio ou por cultura, quem compre arte'', disse o crítico espanhol Álvaro Durán. |
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