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Londres é mais gostosa à beira-rio
Quando o performático americano David Blaine escolheu a margem do Tâmisa para sua mais recente estripulia (passar 44 dias em jejum, exposto num caixote transparente), ele se posicionou num dos locais mais aprazíveis de Londres. O trecho à margem sul do rio que vai da ponte de Westminster à ponte da Torre de Londres, batizado de Millennium Mile, é um dos grandes passeios que a cidade tem a oferecer - aos nativos e visitantes. A milha (ou trilha) do milênio é uma sucessão de atracões culturais, ousadias arquitetônicas e delícias gastronômicas. Sem dizer que o percurso é inteiramente para pedestres. Atividade é intensa Logo no início da caminhada, na margem oposta ao Palácio de Westminster, depara-se com o imponente prédio do County Hall, a antiga sede da Prefeitura de Londres, fechada pela ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1986. Quando reabriu, foi como centro de entretenimentos múltiplos. Ali ficam a Saatchi Gallery, de arte britânica contemporânea; os peixes do London Aquarium; uma exposição permanente de obras de Salvador Dalí; além de restaurantes e cafés. Vizinha ao prédio, gira a roda-gigante do milênio, o London Eye, uma das atracões londrinas mais concorridas. A poucos metros dela, o complexo cultural do South Bank recebe diariamente milhares de pessoas.
A atividade é intensa nas salas de concerto Royal Festival Hall e Queen Elizabeth Hall, onde costumam se apresentar os artistas brasileiros mais consagrados. É grande também o movimento no saguão do RFH, onde grupos musicais tocam de graça na hora do almoço e onde grupos de aposentados dançam nos fins de semana. O centro cultural inclui ainda os teatros que compõem o National Theatre, a principal cinemateca da cidade (o National Film Theatre) e a galeria Hayward. Mesmo para quem só está passando, há sempre muita coisa rolando por ali: desde uma feirinha de livros usados até eventos ao ar livre. Artes e artesãos A poucos metros do South Bank, inúmeras oficinas de artesãos, bares e restaurantes dão vida e cor ao antigo ancoradouro Gabriel’s Wharf. Muitos designers que trabalhavam no local debandaram para o edifício ao lado, a Oxo Tower, uma antiga fábrica transformada em prédio de apartamentos para moradores de baixa renda, onde, no primeiro andar, funcionam estúdios e lojinhas de arte utilitária. No oitavo andar, fica um dos restaurantes badalados da cidade, o Oxo Tower, que foi obrigado a reservar uma parte da sua varanda ao povão. O lugar oferece vista panorâmica e acesso livre. Uma das grandes atrações deste trajeto, no entanto, fica um pouco mais à frente. É a Tate Modern, a principal galeria de arte moderna e contemporânea de Londres. Parada final com estilo
Ligando a Tate à Catedral de São Paulo, na outra margem do rio, fica a Millennium Bridge, a primeira ponte londrina construída exclusivamente para pedestres em mais de um século. Poucos passos adiante, o clima futurista da Ponte do Milênio dá lugar ao passado, mais precisamente ao Globe Theatre, a réplica fiel do teatro em que Shakespeare encenava suas peças. Para acrescentar alguns graus etílicos à imaginação, pode-se fazer um pit stop no museu do vinho, antes de caminhar pela Hay’s Gallery, uma moderna galeria de lojas e restaurantes, e se surpreender com o projeto arquitetônico da nova sede da prefeitura de Londres. É preciso ter fôlego mas, para encerrar este passeio com estilo, deve-se incluir uma visita ao Museu do Design e pelo menos um drinque no complexo gastronômico do designer e restauranteur Terence Conran, em Butler’s Wharf. Dali, tem-se uma vista espetacular da Torre de Londres e da ponte da Torre, a Tower Bridge – pano de fundo para o desafio londrino de David Blaine. Um lugar perfeito para contemplação – mas, de preferência, sem jejum forçado. |
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