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Acredite, come-se muito bem em Londres
As publicações sintonizadas nas ondas da Londres dos novos tempos, como a revista Time Out, trazem toda semana páginas e mais páginas sobre as novidades gastronômicas. Mas ainda há quem acredite que não se consegue fazer uma refeição decente na capital inglesa. (É difícil se livrar de preconceitos arraigados). Londres tem cerca de 6 mil restaurantes e bares, segundo dados oficiais do setor, e, nos últimos anos, vem sendo reconhecida por gourmets e especialistas como uma das cidades mais estimulantes quando o assunto é o prazer à mesa. É onde culinárias de diferentes países se encontram produzindo um cenário de diversidade de dar água na boca. Aqui, chefs estão abertos a influências de toda parte. Franceses perdem terreno Um dos chefs franceses mais famosos e premiados, Alain Ducasse, que está à frente de restaurantes em Nova Iorque, Paris, Monte Carlo e Ilhas Maurício, discorda dos que ainda disseminam a velha imagem de Londres como um deserto culinário.
Em entrevista a um jornal britânico, ele disse que os franceses não têm mais a supremacia culinária. “Os cozinheiros franceses precisam viajar e ver o que está acontecendo no mundo. Nos últimos 10 a 20 anos houve uma revolução”, diz Ducasse. Ele confessa que simplesmente adora o bread-and-butter pudding, um tipo de pudim de pão, sobremesa britânica tradicionalíssima. Outro chef francês de renome internacional, Raymond Blanc, tem opinião semelhante sobre o cenário gastronômico londrino. "Houve uma revolução total e a comida, agora, é importantíssima para os britânicos. É parte do estilo de vida, da diversão. Eles estão curtindo mais sua comida, festejando a vida", disse. "Há uma enorme proliferação de restaurantes em Londres. Londres, hoje em dia, tem tantos restaurantes quanto Paris. É impressionante", delcarou Blanc. Caso de amor A opinião de Ducasse e Blanc encontra eco no hoteleiro nova-iorquino Ian Schrager, dono dos badalados Sanderson e St Martin’s Lane, em Londres, e de um grupo de hotéis estilosos frequentados por celebridades nos Estados Unidos. Ele declarou que uma das coisas de que mais gosta em Londres são os restaurantes. E não está sozinho. Há poucos anos, a revista New Yorker elegeu o que considera os melhores restaurantes italianos do mundo. O vencedor foi o londrino River Café. Com ou sem aval de nomes famosos, os londrinos estão vivendo um caso de amor com seus restaurantes. Experimente conseguir uma mesa para jantar na área central da cidade, o West End, nas noites de quinta-feira, sexta e sábado, sem ter feito reserva. É o equivalente a ganhar na loteria. Mas não há risco de passar fome. Milhares --melhor dizendo, milhões -- de visitantes deixam Londres de barriga cheia e engordam a economia da cidade, que fatura £1.5 bilhão e meio com seus restaurantes.
Galã na cozinha Dois nomes, em especial, transformaram o cenário gastronômico londrino, acrescentando um certo glamour, modernidade e diversão à idéia de comer fora. Eles são os ingleses Marco Pierre White e Sir Terence Conran. White é um chef de 38 anos cuja maestria culinária à frente de restaurantes como Mirabelle e Quo Vadis rendeu-lhe inúmeros prêmios e loas; e cuja exuberância, lendário mau-humor e jeitão de galã lhe garantem amplo espaço na mídia. Fez tanto sucesso que aposentou o avental e agora é o poderoso chefão de vários restaurantes de sua propriedade em Londres. Ousadia inglesa Sir Terence Conran, dublê de designer e gastrônomo, é responsável pela explosão, nos últimos 10 anos, de restaurantes gigantescos, na linha do Mezzo e do Quaglino's, que aliam boa comida à badalação.
Em poucos anos, o império Conran expandiu com novas casas igualmente bem sucedidas, como Bluebird, Le Pont de La Tour e o Butler’s Wharf Chop House (esta última, à margem do Tâmisa, foi onde Tony Blair levou o amigo Bill Clinton para jantar). Os tentáculos de Sir Terence o levaram até a capital mundial da gastronomia, Paris, onde inaugurou há alguns anos com grande badalação o Alcazar, e mais Nova York, Estocolmo, além de outras cidades britânicas. Não se pode dizer que seja barato comer maravilhosamente bem em Londres. Mas Londres não é uma cidade barata. Truques na hora da conta É possível, no entanto, contornar o orçamento curto com alguns truques. Um deles é procurar os restaurantes mais caros -- como o premiado Gordon Ramsay, o La Tante Claire e o Bibendum -- na hora do almoço, quando a refeição de cardápio fixo pode sair até pela metade do preço do jantar. De uma maneira geral, come-se bem mais barato no almoço. Vários restaurantes também oferecem um menu pré-teatro a preço reduzido. Essas são casas onde predomina a culinária francesa. Mas o que torna o cenário gastronômico londrino estimulante e nos convida a aventurar é a chamada cozinha Britânica Moderna, que assimila influências e pratica a fusão da disciplina francesa com temperos e técnicas dos quatro cantos do mundo.
E para quem ainda acha que a expressão “boa culinária britânica tradicional” é uma contradição em termos, é recomendável uma visita ao St John’s ou ao Grill Room do Hotel Savoy. Até os pubs mudaram Nem os pubs escaparam ao apetite da cidade por refeições criativas. Há algum tempo já não são necessariamente sinônimo de lugar onde se vai beber cerveja e beliscar pratos poucos inspirados. A nova corrente é batizada de gastropubs -- que vêm a ser o velho botequim com um cardápio mais sofisticado para satisfazer uma clientela mais exigente. Aí está o sucesso de gastropubs como The Engineer e The Eagle para provar que a mistura funciona. Na Londres do século 21, tem até pub em que todas as bebidas e comidas são orgânicas! |
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