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Pedofilia e morte criam polêmica no Turner Prize
Sexo, morte, pedofilia, materiais inesperados: ingredientes deste ano para as polêmicas que, como todos os anos, cercam o Turner Prize, o mais importante prêmio de arte contemporânea da Grã-Bretanha. As obras dos artistas indicados - Anya Galaccio, Willie Doherty, Grayson Perry e os irmão Jake e Dinos Chapman - estão expostas desde a terça-feira na Tate Britain. Além de todo o prestígio, o premiado - necessariamente um artista com menos de 50 anos de idade que viva e trabalhe na Grã-Bretanha - leva 20 mil libras (quase R$ 100 mil). "O Turner Prize não tem a intenção de dar um panorama da arte contemporânea e sim mostrar quais os desenvolvimentos e novidades que os artistas estão buscando", explicou o diretor da Tate Britain, Steven Ducan. Polêmica Os irmãos Chapman já são conhecidos no mundo das artes plásticas pelo gosto que têm pela polêmica. E desta vez eles capricharam.
A primeira obra que se vê ao entrar na sala deles chama-se Morte: dois bonecos infláveis, de anatomia exagerada, fazendo sexo oral em cima de um colchão também inflável. E, logo atrás, uma árvore com pedaços de corpos e esqueletos pendurados, um abutre e vermes de plástico de detalhes e realismo impressionantes, com o título Sexo. Para apimentar mais um pouco, os Chapman penduraram nas paredes valiosas gravuras com quase de 70 anos feitas a partir de chapas originais do mestre espanhol Francisco Goya. Os artistas pintaram sobre estas gravuras suas próprias intervenções, que eles qualificam de "retificações", mas que para muitos criticos não passam de vandalismo. Pedofilia
Olhando de longe, os vasos feitos pelo artista Grayson Perry parecem mais exemplos da delicada e tradicional porcelana chinesa do que obras de artes contemporânea. Mas, chegando mais perto, as fotos, imagens e palavras colocadas nos trabalhos trazem o visitante de volta para o Ocidente e o século 21. Perry diz que o objetivo dele é "fazer trabalhos que vivam para os olhos como belas obras de artes, mas que, em uma observação mais atenta, revelem uma ideologia ou uma polêmica". Um dos vasos levanta a questão da violência sexual contra crianças dentro de casa. Ambigüidade O trabalho apresentado pelo irlandês Willie Doherty já foi visto pelos brasileiros na 25ª Bienal de Arte de São Paulo. Trata-se de uma instalação em vídeo na qual um homem é filmado correndo sobre uma ponte filmado em dois angulos diferentes e as imagens são repetidas sem parar.
Em um telão num lado da sala, o homem corre em direção à câmera enquanto numa tela oposta é câmera que o persegue. Segundo os curadores, a obra é reveladora dos trabalhos do artista que costumam mostrar como coisas e sensações são bem diferentes dependendo apenas do ângulo pelao qual são vistas. Natureza Os trabalhos de Anya Galaccio não são tão polêmicos quanto outros que concorrem ao Turner, mas os materiais inovadores usados pela artista justifcam sua indicação ao importante prêmio de arte contemporânea.
Galaccio é considerada uma das mais importantes artistas de sua geração, mas o hábito dela de usar materiais perecíveis - frutas, flores e gelo, por exemplo - faz com que que poucas obras dela possam ser apreciadas em exposições permantes. No Turner Prize deste ano, ela expõe grande painéis feitos com flores e uma árvore de bronze com maçãs de verdade penduradas. |
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