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Atualizado às: 23 de outubro, 2003 - 08h27 GMT (06h27 Brasília)
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Mauricio de Sousa planeja finalmente dar banho no Cascão

Cascão representando o Nordeste brasileiro
Mauricio de Sousa acha que banho de Cascão pode ser educacional

O cartunista Mauricio de Sousa está pensando em finalmente dar um banho no Cascão no ano que vem, quando seus personagens participarão de programa educacional.

A revelação foi feita pelo próprio artista, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em que respondeu perguntas de ouvintes e internautas.

Mauricio de Sousa está em Londres, onde veio participar de eventos ligados à embaixada brasileira. Os personagens da Turma da Mônica foram escolhidos para uma campanha promovendo o Brasil no site da embaixada.

Acompanhe trechos da entrevista de Mauricio de Sousa, em que ele fala de seus projetos educacionais, da criação de uma turma amazônica e da exportação de seus desenhos para o exterior.

BBC Brasil – A sua empresa está fazendo a campanha da promoção do Brasil aos turistas estrangeiros no site da embaixada brasileira na Grã-Bretanha. Qual é a imagem do Brasil que essa campanha tenta mostrar para atrair o público estrangeiro?

Mauricio de Sousa – Nós criamos um veículo espacial para a turminha toda percorrer o Nordeste brasileiro e mostrar as praias, os costumes, as cidades a um simples clique do internauta. E a procura tem sido muito boa. Certamente, vamos estender esse serviço a outras embaixadas brasileiras pelo mundo.

BBC Brasil – Qual a imagem que o europeu tem da Turma da Mônica?

Sousa – Os personagens já são conhecidos em alguns países, até fora da Europa. E, para minha surpresa e alegria, a criançada do mundo inteiro recebe a Turma da Mônica do mesmo jeito. A Turma da Mônica não tem fronteiras.

BBC Brasil – Nós recebemos muitas mensagens de internautas brasileiros que gostariam de ter acesso às revistas publicadas no exterior. Por exemplo, a internauta Patrícia, de Melbourne, na Austrália, diz que as filhas são fãs dos personagens, mas não há no país esse tipo de publicação para crianças. E ela quer saber se as revistas são publicadas em outras línguas e em outros países.

Sousa – Sim. Perto da Austrália, o país mais próximo é a Indonésia. Nós estamos publicando em javanês três revistas, Mônica, Cebolinha e Chico Bento, com um certo sucesso.

BBC Brasil – A Indonésia é um país muçulmano. Que tipo de história a sua empresa evita publicar lá?

Sousa – Por incrível que pareça, só houve dois casos de censura. Uma vez foi quando o Chico Bento dá uma bicotinha na Rosinha e eles cobriram o beijo com um coraçãozinho preto. O outro momento foi quando a turma do Chico Bento está nadando no rio, todos peladinhos. Na Indonésia, eles apagaram umas partezinhas lá…

BBC Brasil – E como são reproduzidos os "erros" de fala do Cebolinha e do Chico Bento em outras línguas?

Sousa – Todo país tem a sua população dos campos, além de crianças que trocam letras na primeira infância. Então, vamos pesquisando. Agora mesmo cheguei de Portugal, onde estava discutindo como seria o sotaque do Chico Bento lá, e eles mesmos sugeriram o alentejano. Na Grécia, é do pessoal das montanhas. Da Indonésia, acho que é de uma ilha distante.

BBC Brasil – E já há publicação na língua inglesa?

Sousa – Ainda não. Eu quero ver se no ano que vem entramos aqui na Grã-Bretanha.

BBC Brasil – Sílvia Cileni, de Munique, na Alemanha, diz que se identifica muito com a Magali e pergunta se a revista da personagem será lançada lá.

Sousa – Já publicamos as revistas Mônica e Cebolinha lá, mas, por causa dos desenhos animados, nós perdemos mercado. Então eu aprendi a fazer desenho animado, estamos produzindo para TV e cinema, e estamos nos preparando para reconquistar os mercados que perdemos, principalmente no norte da Europa.

Magali representando o Norte brasileiro
Magali faz campanha pelo Norte do Brasil

BBC Brasil – Esse tema do desenho animado é justamente a pergunta de outros três internautas: Gilberto da Silva, de São Bernardo do Campo (SP), Luís Carlos Pedroso Lacerda, de Porto Alegre (RS) e João Luiz Serpa Seraine, de Brasília (DF). Todos eles querem saber por que o senhor não faz mais desenhos animados para competir com os japoneses e americanos, que, segundo eles, são muito violentos.

Sousa – (Risos). São sim, eu também acho. Mas não faço mais porque é muito caro. Para fazer só para o Brasil, não compensaria. Agora estamos abrindo para o mercado internacional, rateando os custos. Também estamos produzindo uma série educacional, mais ou menos como o Vila Sésamo, em 60 programas de meia hora para a televisão. O presidente Lula já manifestou seu interesse de que isso saia logo e vá para a África e para o resto da América Latina. A partir de março ou abril, esses programas vão estar circulando por aí.

BBC Brasil – Hoje em dia, o seu trabalho é mais de empreendedor ou é mais de criação artística?

Sousa – Todas as histórias que são escritas eu leio e faço uma avaliação. Uma parte do meu dia é de criação. Outra parte é cuidar dos negócios. Também me dedico ao Instituto Cultural da Turma da Mônica, que produz campanhas ligadas a saúde, meio ambiente e educação. Trabalhamos com a Organização Panamericana de Saúde, o Banco Mundial e outros. Agora mesmo estamos com um projeto do ônibus-biblioteca, em conjunto com a empresa Itapemirim, que vai levar até lugares remotos do Brasil livros, computadores e outros equipamentos para crianças que nunca viram isso na vida.

BBC Brasil – Rosa Matsushita, de São Paulo (SP), escreveu para dizer que é diretora de uma entidade assistencial pequena, mas com necessidades enormes, segundo ela. Ela pergunta por que o seu trabalho só é direcionado para as grandes organizações beneficentes e não às menores?

Sousa – Desculpe, ela sabe só das grandes. As pequenas também existem, nós procuramos atender na medida do possível. Nosso serviço é realizado facilmente, pois temos muito material pronto, coisas de arquivo que podem servir a entidades como a da Rosa. Pode nos escrever que nós vamos atender com prazer.

BBC Brasil – O senhor visitou recentemente algumas tribos indígenas no Acre. É verdade que há novos personagens indígenas a caminho?

Sousa - Estamos estudando tribos não só do Acre. Do Pará também. A ideia é criar uma nova linha de personagens, chamada Os Amazônicos. Não serão só indiozinhos, mas também os filhos das populações ribeirinhas, os filhos dos seringueiros... Também vão aparecer na Turma da Mônica uma menininha cega e um menino de cadeira de rodas.

BBC Brasil – Muitos dos nossos internautas estão curiosos sobre a intimidade de cada personagem. Uma pergunta vem de dois irmãos: Nino e Geórgia Cirenza, de 5 e 2 anos, que querem saber se o Cascão nunca vai tomar banho...

Sousa – Grande pergunta! Você sabe que eu tenho pensado em seriamente… De vez em quando eu falo: 'acho que vou dar banho no Cascão' e muitos leitores são contra. Mas veja bem: no ano que vem, esses personagens vão entrar em um programa educacional. Como é que eu vou explicar para o público que um menino de seus 7 anos vai para a escola sem tomar banho ou que a mãe dele consinta que ele vá para a escola sem tomar banho? Cá entre nós, eu estou pensando em um planinho, que ninguém nos ouça… Nino, Geórgia, vou contar só para vocês, tá? Pode ser que no ano que vem, a mãe do Cascão o convença a tomar um banho. Só para ir à escola, ou pelo menos de vez em quando. Mas ninguém vai saber disso, a mãe não vai contar pra ninguém. Ele vai sair de casa, chega à porta, passa a mão no chão e faz aquela manchinha no rosto e sai como se não tivesse acontecido nada. Ninguém vai ficar sabendo, nem vocês, que o Cascão tomou um banho.

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