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Atualizado às: 09 de outubro, 2003 - 04h14 GMT (01h14 Brasília)
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'Cidade de Deus' ajuda a arrecadar fundos para ONG

Cena do filme Cidade de Deus
O filme foi a terceira maior bilheteria estrangeira em Londres

O sucesso de bilheteria brasileiro Cidade de Deus foi exibido na noite de quarta-feira, em Londres, num evento para arrecadar recursos para a ONG ABC Trust, que desenvolve projetos no Brasil, e para a ONG brasileira Nós do Cinema.

"O filme conta a história de como é a vida na favela sob o ponto de vista de alguém de dentro, não a partir de um ponto de vista de classe média, distanciado. Por isso ele tem um poder de tocar as pessoas muito grande", disse Fernando Meirelles, que dirigiu o filme juntamente com Kátia Lund.

Ele acrescentou que a exibição do longa era ideal para despertar as pessoas sobre problemas brasileiros como a violência e a pobreza.

A ABC Trust desenvolve projetos educacionais junto a crianças carentes, especialmente em estados do nordeste brasileiro, como a Bahia e Pernambuco.

Realidade

Além disso, a ONG dá apoio a outro projeto que dá ajuda a crianças carentes no Rio de Janeiro, a Casa Jimmy - que leva o nome do roqueiro Jimmy Page, guitarrista do grupo Led Zeppelin, casado com a fundadora da ABC Trust, Jimena Page.

"O objetivo é usar o filme para passar uma idéia da realidade brasileira para as pessoas aqui na Inglaterra", disse Jimena.

Para pessoas da platéia, como a advogada bósnia Asdra Kucuklic, a intensidade do relato cinematográfico feito por Cidade de Deus tem o poder de convencer pessoas que não têm familiaridade com a realidade brasileira a contribuir.

"O filme mostra a vida no Brasil sem os retoques de Hollywood, parece um pedaço da vida real das pessoas que moram na favela, e isso pode despertar pessoas", disse ela.

Língua estrangeira

Para o também advogado Toby Glive, no entanto, o fato de o filme ser em língua estrangeira pode limitar o eventual interesse de britânicos sobre o assunto, fazendo com que a exposição do tema seja limitada.

No entanto, mesmo com a barreira da língua, o filme ficou em cartaz durante muitas semanas na Grã-Bretanha e, segundo Meirelles, conquistou a terceira maior bilheteria de filme estrangeiro no país, perdendo apenas para O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e O Tigre e o Dragão.

Meirelles e Kátia Lund também estão por trás de um projeto que dá apoio a crianças e jovens carentes, chamado Nós do Cinema, que deve receber parte dos recursos angariados esta semana.

O grupo inclui 50 garotos e garotas de bairros pobres cariocas, que trabalham com cinema.

A idéia é dar algum tipo de treinamento para menores carentes, ampliando sua chance de colocação no mercado de trabalho.

Exterior

Meireles diz que sua intenção, ao fazer o filme, não era despertar a consciência sobre os problemas brasileiros no exterior, mas sim a da classe média brasileira.

"A gente está tão perto, e ao mesmo tempo tão longe (da realidade da favela)", explica o diretor.

Ele lamenta que países do primeiro mundo não tenham uma participação mais ativa na resolução de problemas de países em desenvolvimento.

"É muito importante que existam eventos como esse, porque o primeiro mundo não se sente responsável pelos problemas enfrentados por países em desenvolvimento, mas deveria", disse Meirelles.

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