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Documentário da BBC mostra Tropicália para britânicos
A Rádio 3 da BBC apresenta no domingo o documentário de 45 minutos Tropicália. que vai contar um pouco da história e dos personagens envolvidos no movimento. Além de revolucionar a música brasileira, o Tropicalismo intrigou muitos britânicos. Entre eles o jornalista Will Hodgkinson, que foi ao Brasil e é o apresentador do programa. ''Gosto muito da música brasileira, mas às vezes soava muito distante. O primeiro contato que tive com a Tropicália foi ouvindo Os Mutantes. Então vi uma ligação com os Beatles, Rolling Stones e tudo o que existe no pop rock britânico, psicodelia e também da cultura tradicional brasileira. Era fascinante'', disse. Hodgkinson foi ao Brasil duas vezes e conseguiu entrevistas com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e os ex-Mutantes Sérgio Dias e Arnaldo Baptista. Mutantes Hodgkinson foi ao Brasil pela primeira vez em 2002, para fazer um artigo para a revista musical britânica Mojo. O artigo era justamente sobre Tropicalismo, um estilo de música que ele gostava desde 1999, quando ouviu Os Mutantes pela primeira vez. Quando voltou com o artigo pronto, o jornalista resolveu apresentar o projeto do documentário de rádio para a BBC. No Carnaval de 2003, ele e o produtor da BBC Felix Carey voltaram ao Brasil e gravaram as entrevistas para o documentário de domingo. Hodgkinson conta que foi muito difícil localizar algumas pessoas como o maestro Rogério Duprat. ''Rogério Duprat, o maestro, ele foi para a Tropicália mais ou menos o que George Martin foi para os Beatles, ele fez os arranjos para todas aquelas canções e álbuns incríveis. Nós pensamos que ele já tinha morrido.'' ''Descobrimos que ele estava vivo, morando em São Paulo, mas ele está totalmente surdo. Então, por causa de problemas técnicos, afinal é um documentário para o rádio, seria impossível contar com a voz dele no programa'', contou Hodgkinson. Mas, o mais difícil foi o ex-Mutante Arnaldo Baptista, que ele localizou em Minas Gerais. E segundo ele, foi o encontro mais emocionante. ''Os Mutantes são importantes para mim, eu adoro a banda. Então, ia ser emocionante para mim de qualquer jeito. Mas eu também sabia que os integrantes da banda não tinham contato há muito tempo. Baptista era casado com Rita Lee, eles se separaram no início dos anos 70. Ele foi parar em uma instituição psiquiátrica. No auge dos problemas dele, ele estava envolvido com drogas, e a banda estava desmoronando.'' Na entrevista, Arnaldo Baptista explica que Beatles e Rolling Stones pareciam mutações para eles. ''Mas eles não tinham uma garota cantando. E isso era muito importante para nós, junto com maquiagem, fantasias de carnaval. Nós nos reunimos e fizemos da música uma coisa meio circense, com cavaleiros, animais...'', disse Baptista. Hodgkinson conta que não chegou a conversar com Rita Lee, apenas trocaram emails. Origens e política Além dos ex-integrantes dos Mutantes, as grandes estrelas do documentário são Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa, que foram entrevistados em Salvador. Gilberto Gil tentou explicar a origem das idéias que marcaram o Tropicalismo. ''Foi quando fui ao Recife e vi a Banda de Pífaros de Caruaru tocando, como eles conseguiram expressar algo com instrumentos tão simples'', disse. O programa também vai contar como a Tropicália se envolveu com a situação política do Brasil, a prisão e o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil em Londres, a decretação do AI-5, os festivais de música e as críticas que a própria esquerda fazia ao Tropicalismo. ''Eu lembro que costumávamos dizer que é ridículo que você tenha que mostrar um 'passaporte de esquerda' para ser aceito artísticamente. Eles (a esquerda) nos vaiavam, mas, mesmo assim, nós apoiavamos a esquerda'', explicou Caetano Veloso no documentário. Hodgkinson afirma que, em sua opinião, Gilberto Gil e Caetano Veloso sofreram as conseqüências políticas, se arriscaram e não tiveram outra escolha a não ser deixar o país. Mas, inicialmente, segundo o jornalista, a Tropicália não tinha um objetivo explicitamente político. ''Acho que a Tropicália não queria entrar em confronto direto com o regime militar. O objetivo era internacionalizar a música brasileira. Fazer algo parecido com o que os Beatles fizeram na Grã-Bretanha, mas sem abandonar as raízes da cultura brasileira.'' ''Então eles cantaram sobre as questões brasileiras, misturaram com o que as pessoas chamavam de mau gosto como Chacrinha e o cantor Vicente Celestino. Mas a Tropicália foi um movimento artístico'', disse. |
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