|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Compasso do samba domina Carnaval de Notting Hill
O samba já comparece ao Carnaval de Notting Hill há anos, mas em edições passadas o estilo tinha de brigar por espaço, numa disputa ferrenha, com os gêneros mais diversos. Entre os rivais do samba estavam desde soca, calipso e merengue – os estilos caribenhos que marcaram o surgimento da festa carnavalesca londrina, em 1958 – até os modernos house, garage e tecno. A sorte do samba no Carnaval de 2003 parece ter mudado. O ritmo brasileiro dominou as ruas de Notting Hill na folia londrina deste ano. "A longo prazo, o Carnaval de Notting Hill tem tudo para chegar à mesma altura que o desfile das escolas de samba do Rio. Acredito nisso porque num lugar onde há organização, e disposição – aqui são nove horas de desfile – tem tudo para dar certo", diz o ritmista Júnior da Mangueira. 'Embolados' O músico, que toca tamborim na Mangueira, foi recrutado pela London School of Samba para participar da festa de Notting Hill e para dar workshops de percussão para os integrantes da escola. Júnior acredita que os ritmistas britânicos têm talento, mas ainda lhes falta um certo jogo de cintura brasileiro. "Muitos ingleses tocam de forma similar aos brasileiros. Mas alguns têm dificuldade quando mudamos alguma convenção. Quando passamos do funk para o samba, eles ficam meio embolados. Mas se fazemos de forma lenta, eles entendem e acabam tocando", afirma Júnior. Mas a qualidade ressaltada por Júnior, a organização, pôde ser aferida no desfile deste ano. Em edições passadas, passistas de uma mesma escola desfilavam lado a lado com fantasias as mais diversas. Nos carnavais de alguns anos, era possível ver pirata ao lado de pierrô e baiana dividindo espaço com mulata seminua. Neste ano, o desfile das escolas esteve bem mais harmônico. Até mesmo os tíutlos dos enredos aludem diretamente ao Brasil – a London School of Samba veio com Orfeu do Rio, a Paraíso School of Samba levou para as ruas de Notting Hill o ufanista Brasil, Paraíso dos Deuses e a Quilombo do Samba trouxe Amazonas. Mas algumas tradições carnavalescas brasileiras serão difíceis de pegar na festa londrina como a tradiçao mangueirense de impedir a presença de mulheres na bateria. "Isso é uma tradição que vem desde a década de 20. A cultura aqui é outra. Se fôssemos fazer o mesmo aqui, eu ficaria lá no Rio vendo a BBC e as mulheres protestando, gritando: 'Quermeos samba, queremos batucada'." Com a sabedoria que o samba lhe deu, Júnior da Mangueira sabe que certas tradições não merecem ser exportadas. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||