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Atualizado às: 21 de agosto, 2003 - 01h20 GMT (22h20 Brasília)
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Exposição em Edimburgo traz Monet ‘pobre e competitivo’

O jardim do artista em Vetheuil
O jardim do artista em Vetheuil

Uma das atrações mais concorridas do Festival Fringe de Edimburgo neste ano não traz atores fazendo sexo explícito, nem mistura textos clássicos com rock pesado, ou sequer usa como cenário locais inusitados como elevadores, táxis ou cabines telefônicas, como é de se esperar do maior evento de teatro independente do mundo.

O Fringe de 2003 resolveu inovar e traz para a Academia Real da Escócia a exposição Monet – O Sena e O Mar, que reúne, pela primeira vez, 90 quadros que o pintor realizou quando morou no vilarejo de Vetheuil, na França, entre 1878 e 1883.

O peréodo é tido pelos estudiosos de Claude Monet como o momento em que ele se consolidou como pintor impressionista, mas também mostra um Monet “pobre, obstinado e competitivo”, nas palavras de um dos curadores, Richard Thompson.

A mostra atraiu 19 mil pessoas em sua semana de estréia, e a média diária de público tem sido de 2,6 mil visitantes.

Miséria

“Em todo o mundo, as pessoas são muito interessadas no impressionismo, talvez porque ele retrata a vida moderna mais ou menos da mesma maneira como ela é hoje”, disse à BBC Brasil o curador Richard Thompson. “E as imagens de Monet são paisagens que todos nós já vimos alguma vez na vida.”

O casal de turistas americanos Edward e Marianne Villanueva, que visitava a exposição, concorda: “Pelos quadros podemos ver que, apesar das dificuldades financeiras que enfrentava, Monet parecia ser uma pessoa íntegra e que levava uma vida normal junto à familia”.

Em Vetheuil, o pintor gostava de retratar as margens do rio Sena nas diferentes estações do ano. Monet tinha até um barco que funcionava como atelier.

Mas as paisagens não lhe rendiam dinheiro – apenas as naturezas-mortas eram apreciadas pelo exigente público de Paris.

Monet chegou até a pintar três quadros em dimensões ampliadas para serem exibidos no Salão Annual da capital francesa, mas apenas um deles foi vendido.

Em O Sena e O Mar, o visitante percebe que Monet pintava mesmo em momentos de profunda tristeza e miséria: um dos quadros mais impressionantes da exibição é o que mostra sua mulher, Camille, no leito de morte, em 1879.

Monet também usou suas tintas para retratar o rigoroso inverno daquele mesmo ano, quando o rio Sena congelou, e a correnteza arrastou blocos de gelo de Paris até Vetheuil, derrubando vérias árvores no caminho.

Competição

A parte da mostra que traz os quadros pintados na costa da Normandia revela um Monet “determinado e obstinado”, como definiu Richard Thompson.

“Ele ia até uma vila de pescadores qualquer e passava meses ali, andando quilômetros até chegar a um ponto que gostasse”, explica Thompson. “Olhando o conjunto desses quadros, é possível entender qual era a intenção do pintor e como a sensibilidade e o humor dele mudavam de acordo com o clima e o momento do dia.”

A editora de livros Stella Humfer, que também visitava a exposição, disse que o que chamou sua atenção foram os contrastes de Monet.

“Quando vejo as imagens da beira do Sena e as imagens das praias e penhascos da costa, reconheço o mesmo pintor, mas não reconheço o mesmo sentimento”, afirmou. “Acho que ele era mais feliz em Vetheuil.”

Para a estudante Astra Jonston, a exposição é bastante didática ao se concentrar em apenas cinco dos quase sessenta anos da carreria de Monet: “Quando temos um foco em um determinado período de tempo e espaço, conseguimos entender melhor os processos de criação do artista”.

A exposição O Sena e O Mar também traz quadros de pintores de uma geração anterior a Monet, como Corot, Coubert e Delacroix – artistas que o prório Monet admirava.

“Ao colocarmos esses diferentes quadros lado a lado, nossa intenção foi mostrar não só os contrastes entre esses artistas, mas também a ambição e a competitividade de Monet”, disse o curador Richard Thompson.

“Ele mostra que queria pintar as mesmas coisas, mas à sua própria maneira”, explicou. “E é essa maneira que o tornou célebre.”

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