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Atualizado em: 09 de julho, 2003 - 22h29 GMT (19h29 Brasília)
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Museu traz arte contemporânea em espaço faraônico

Crédito: Richard Barnes, courtesia Dia Art Foundation
Vista do exterior do museu Dia:Beacon

Criado com uma proposta tão ousada quanto incomum para um museu, a de apresentar um time de poucos artistas contemporâneos em caráter permanente e em um espaço faraônico, o Dia:Beacon tem atraído a marca de 500 visitantes por dia desde sua inauguração no final de maio.

Maior instituição do gênero do planeta, com 22 mil metros quadrados de área expositiva, o museu foi erguido numa antiga fábrica de embalagens remodelada na cidadezinha de Beacon, às margens do rio Hudson e 90 km ao norte de Nova York.

Iluminada por luz natural, uma concisa antologia de 24 nomes do melhor das artes visuais produzidas nos últimos 40 anos tem atraído o público, que, para chegar ao museu, precisa fazer um percurso de uma hora e meia por trem ou carro a partir de Nova York.

Destacam-se, entre outros trabalhos, uma impressionante coleção de 72 pinturas da série Shadows (Sombras), de Andy Wahrol (1928-1987), monumentais esculturas em aço de Michael Heizer e Richard Serra, além de instalações de Joseph Beuys (1921-1986).

Raridades

De acordo com o crítico Michael Kimmelman, do jornal The New York Times, a abertura do Dia:Beacon "muda a paisagem da arte na América".

De fato, a mudança promovida pelo museu diz respeito sobretudo ao acesso do público a obras raras pertencentes às mais importantes correntes das artes visuais criadas desde os anos 60.

É o caso, por exemplo, da histórica série Sem Título, realizada em 1970 com lâmpadas fluorescentes brancas, vermelhas e azuis pelo escultor minimalista Dan Flavin.

Nascida nos anos 60, a corrente minimalista pregava o uso de materiais industriais e o desapego absoluto do artista em relação à obra, pondo em xeque o próprio conceito de autoria.

Num exemplo diametralmente oposto está o multimídia alemão Joseph Beuys, dublê de escultor, performista e militante.

Beuys, que na juventude foi um piloto a serviço do Exército nazista, já maduro pregava o engajamento estético. Seu lema era a "escultura social", tematizando questões ecológicas e políticas.

Ele se propunha a realizar obras efêmeras e utilizar materiais orgânicos como feltro e cera de abelha. Dele, o Dia:Beacon apresenta Arena, que recria o cenário de uma série de performances realizadas por Beuys nos anos 70, com peças em lã e dezenas de fotos de suas performances.

Abismo e desequilíbrio

Já no caso de Michael Heizer, a sensação física de vazio e imensidão dão o tom de sua escultura North, East, South, West (Norte, Leste, Sul, Oeste), um projeto que ele desenvolve desde os anos 60 num deserto da Califórnia.

Heizer é um dos criadores da chamada "escultura negativa", uma vertente interessada em lidar com a noção de vazio, escala e interação física do público com a obra.

No trabalho literalmente escavado numa profundidade de seis metros no piso do Dia:Beacon, cada um dos pontos cardinais é simbolizado pelo "negativo" de gigantescas formas geométricas em aço negro. São dois quadrados e dois cones.

Diante delas, tem-se a muda sensação corporal do abismo, como se as formas geométricas se prolongassem para baixo até o infinito. As esculturas são separadas do público por uma espécie de "cerca" feita em vidro transparente.

Outro grande nome contemporâneo, Richard Serra comparece com quatro Torqued Elipses (Elipses Retorcidas), monumentais esculturas em grossas placas de aço enferrujado, generosamente abertas para serem percorridas pelo público como gigantes labirintos.

Dada a irregularidade de suas linhas, projetadas com os computadores do arquiteto Frank Gehry, amigo de Serra, as elipses provocam uma leve sensação de vertigem em quem se atreve a percorrê-las.

Obras como a de Serra e Heizer provam que, apesar da grande distância que separa o grande público da arte contemporânea, ela consegue interpretar com grande eloqüência a sensação de vazio e desequilíbrio que governam o nosso tempo.

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