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Atualizado às: 04 de julho, 2003 - Publicado às 01h57 GMT
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Como o cinema enriqueceu a Marvel

Stan Lee, criador do Homem-Aranha e o Hulk
Stan Lee, criador do Homem-Aranha e o Hulk

O Incrível Hulk é o mais recente personagem da editora Marvel Comics a chegar às telas de cinema, seguindo os lucrativos passos do Homem-Aranha, dos X-Men e do Demolidor.

Durante os anos 60, a Marvel tinha de competir com a rival DC Comics, que atiçava a imaginação dos jovens com seus heróis mascarados como o Super-Homem e o Batman.

Mas os personagens da Marvel, sob a liderança de Stan Lee, eram diferentes.

O Hulk, o Homem-Aranha e os X-Men, todos criados por Stan Lee, eram frágeis emocionalmente e tinham sentimentos. Eles eram quase humanos.

Identificação

Os leitores tinham como se identificar com as vidas de seus heróis em pequenas cidades americanas, em vez de fictícias metrópoles como a Gotham de Batman.

Graças à divulgação boca a boca e ao seu novo tipo de super-herói batalhador, a nova-iorquina Marvel começou a aumentar sua popularidade.

O Hulk foi sempre um favorito do cinema e da TV. Talvez por ter uma alma tão atormentada.

O cientista Bruce Banner, alter-ego de Hulk, foi criado com problemas psicológicos por Lee. Uma de suas características é a raiva reprimida na infância contra o pai violento.

Depois de ser exposto a uma carga de radiação gama, a raiva de Banner o transformou no agente de destruição Hulk – uma criatura cujo "combustível" é a raiva.

Cena do filme "Hulk", de Ang Lee
Cena do filme "Hulk", de Ang Lee

Mas Banner acabava ficando ainda mais atormentado emocionalmente quando se transformava em Hulk. Parte dele apreciava o poder de seu alter-ego. Sua outra metade odiava sua raiva e violência.

Lee, que tem 80 anos e ainda assina tirinhas do Homem-Aranha em jornais, disse em entrevista à revista americana Entertainment Weekly que sua vida mudou após ter publicado sua primeira revista do Quarteto Fantástico, em 1961.

O sucesso rápido fez com que Lee mudasse o nome de sua editora de Timely Comics para Marvel Comics.

Ele continuou sendo o editor-chefe da Marvel até os anos 70, e nesse período ainda encontrou tempo para escrever seus amados quadrinhos, muitos dos quais hoje são artigos de colecionadores.

Contudo, apesar de sua lealdade com a Marvel, Lee está processando a editora, acusando-a de ter deixando-o de fora da "mina de ouro" gerada pelos sucesso do filme Homem-Aranha.

Mas Lee disse não querer manter nenhum tipo de animosidade em relação à editora.

“Eu os amo”

"Espero que meu processo seja o mais amigável da história. Eu amo os caras da Marvel. Amo a empresa, o seu espírito e o seu potencial. Sempre achei que a Marvel deveria ser uma outra Disney", acrescentou.

O sucesso da Marvel, cuja extensa lista de sucessos inclui o Homem de Ferro e o Surfista Prateado, começou a diminuir na década de 90.

A editora começou a registrar prejuízos. Segundo a revista Fortune, isso foi causado por "anos de desperdício e de ferrenhas batalhas pelo controle da empresa", entre os dois responsáveis pelas finanças da Marvel, Ronald Perelman e Carl Icahn.

Cena do segundo filme com os X-Men
Cena do segundo filme com os X-Men

As dívidas foram se acumulando e as vendas dos quadrinhos também começaram a cair. Problemas de distribuição foram fazendo com que as revistas da Marvel começassem a aparecer apenas em lojas especializadas, e não nas bancas de jornais em geral.

Mas, em maio de 2003, a Marvel voltou a lucrar, tendo obtido um ganhos colossais em direitos pagos pelos estúdios de Hollywood pelo uso de seus personagens nos filmes Homem-Aranha, X-Men e Demolidor - O Homem sem Medo.

A editora já havia obtido sucessos graças a projetos de TV, como a série de 1977 O Incrível Hulk, estrelando Bill Bixby como o dr. Banner e Lou Ferrigno como o personagem-título, além de um seriado e um filme para a TV inspirado no Homem-Aranha.

Mas a indústria multimilionária de Hollywood em princípio não mostrou ser a saída para a editora.

O filme O Justiceiro, de 1989, inspirado no personagem homônimo da Marvel e protagonizado por Dolph Lundgren, não teve sucesso de crítica. De acordo com jornalistas, o filme não foi fiel ao personagem dos quadrinhos no qual foi baseado.

Além disso, um filme baseado em outro dos personagens emblemáticos da Marvel, o Capitão América, nem passou pelos cinemas, tendo sido lançado diretamente em vídeo.

Mas os sucessos dos filmes inspirados em Homem-Aranha, nos X-Men, no Demolidor mudaram o destino da Marvel.

A editora finalmente encontrou cineastas que entenderam os seus personagens, e isso fez grande diferença.

O elemento nostálgico em relação ao Homem-Aranha e seus amigos também fez reviver a popularidade da Marvel entre os velhos fãs, que correram para ver estes longas metragens.

Por conta disso, a Marvel foi do prejuízo de US$ 8 milhões, de cinco anos atrás, para o lucro atual de US$41,1 milhões.

A receita da empresa também subiu em 53%, totalizando US$ 87,4 milhões.

Com as filmagens de Homem-Aranha 2, já em andamento, a editora já espera que o lucro aumente ainda mais.

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