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Londres inaugura festival para celebrar quadrinhos
Dezenas de autores renomados do mundo dos quadrinhos estão participando do Comica, o primeiro festival dedicado exclusivamente às HQs em Londres. O festival está sendo realizado no Instituto de Artes Contemporâneas (ICA), um dos centros culturais mais importantes de Londres. Além das palestras de autores como Joe Sacco, Chris Ware, Warren Ellis, o evento traz ainda exposições e workshops. A principal exposição faz um apanhado da história do circuito dos quadrinhos independentes americanos, com exemplares originais raros de revistas como Zap Comix, Fritz The Cat, Mad, Krazy Kat e Raw. "Nosso principal objetivo, basicamente, é mostrar ao público interessado em arte de forma geral, como os quadrinhos são geniais", disse à BBC Brasil o curador da Comica!, Paul Gravett. Premiados Apesar de a Grã-Bretanha ter produzido vários dos mais influentes artistas do gênero nas últimas décadas - como Alan Moore e Neil Gaiman - o país, segundo Gravett, "não dá destaque aos quadrinhos há muito tempo". Entre os artistas participantes do evento estão alguns dos autores e desenhistas mais importantes da atualidade. O americano Chris Ware é o criador do livro autobiográfico Jimmy Corrigan: The Smartest Kid On Earth, a primeira graphic novel a ganhar um dos mais importantes prêmios literários concedidos na Grã-Bretanha, o Guardian Book Prize. Charles Burns, também americano, foi co-fundador de Raw, uma das mais influentes revistas independentes de quadrinhos dos EUA nos anos 80. Ele é autor e desenhista de Skin Deep e da conhecida série Black Hole, publicada em formato de graphic novel. Mas o mais festejado autor no Comica é outro americano, Joe Sacco, considerado expoente do comic journalism, o jornalismo em quadrinhos. Em 1991, Sacco esteve nos territórios palestinos e colheu depoimentos que resultaram no livro Palestine. A obra recebeu vários prêmios, entre eles o American Book Award em 96. O autor repetiu a dose com Safe Area Gorazde: The War in Eastern Bosnia, depois de visitar a Bósnia após a guerra dos Bálcãs. Digital Uma das propostas do evento é investigar a relação dos quadrinhos com outras formas de arte multimídia. O estúdio digital, que mostra exemplos de quadrinhos criados e veiculados na internet, é um exemplo desta preocupação. Segundo Peter Gravett, "a vantagem da internet é que ela permite que o artista tenha contato direto com o leitor, sem a intermediação de editores ou distribuidores". "Nos Estados Unidos esse esquema tem sido o modo de subsistência de vários artistas, porque o público aos poucos tem se mostrado disposto a pagar pelo acesso aos quadrinhos digitais", disse ele. Mas as melhores perspectivas para o futuro dos quadrinhos, na opinião do curador do Comica!, estão nas possibilidades oferecidas pela crescente popularidade internacional dos mangás japoneses. Gravett diz que "o mundo dos quadrinhos foi tomado pela febre dos mangás". "Em breve, nós teremos novos autores, em vários países, absorvendo essa influência e oferecendo novas possibilidades". Um dos exemplos do que pode surgir dessa influência é mostrada pelo festival, que convidou, para uma palestra, o francês Frederic Boilet. Boilet cria trabalhos autobiográficos de forte conteúdo erótico, mesclando técnicas de mangá com "cinema novo francês", segundo Gravett. |
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