|
Análise: EUA são acusados de instigar protestos no Irã | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nesta semana, houve diversas noites de protestos no Irã, com estudantes gritando slogans tanto contra o supremo líder religioso do país, o aiatolá Khamenei, quanto contra o presidente eleito democraticamente, Mohammad Khatami. Algumas pessoas disseram que se uniram aos protestos depois de ouvir sobre eles em canais de televisão por satélite coordenados por exilados iranianos nos Estados Unidos. O ministro da Inteligência do Irã acusou esses canais de instigarem os protestos. Khamenei acusou o próprio governo americano de estar tentando instigar confusão. Os manifestantes estavam claramente frustrados com o ritmo lento das reformas no Irã e alguns pareciam estar olhando para os Estados Unidos em busca de apoio. Apelos "Precisa haver uma mudança", disse um manifestante. "Ninguém mais gosta desse regime. Se os Estados Unidos nos ajudarem, (a mudança) vai acontecer." Raymond Tanter, professor visitante do Instituto de Políticas do Oriente Próximo de Washington, acredita que as sugestões de autoridades americanas para que iranianos comuns comecem a pressionar por mudanças tiveram um efeito. "O presidente George W. Bush fez um discurso no qual disse que ele iria além dos chamados moderados do governo do Irã", afirmou Tanter. "Ele já desistiu dos radicais no início e foi direto ao povo iraniano, e algumas das palavras que o presidente Bush usou em seus discursos estão ricocheteando através do Irã e reaparecendo na boca dos manifestantes, como a frase 'os cultos não eleitos do Irã". Frases como essa foram irradiadas no país através dos canais de TV por satélite, principalmente aqueles que pertencem a grupos de oposição iranianos exilados nos Estados Unidos. Eles têm chamado o povo a se juntar aos protestos. Reza Pahlavi, o filho do ex-xá do Irã, mora nos Estados Unidos e é um colaborador constante e proeminente de alguns desses canais. "A mensagem básica é sobre liberdade e o povo iraniano hoje está tomando todos os passos para atingir essa liberdade através da desobediência civil", afirmou. "A campanha de desobediência civil sem violência está agora no seu caminho." 'Propaganda' Mas acadêmicos iranianos tendem a rejeitar a idéia de que os protestos foram motivados por canais de televisão. Hoshang Amir Ahmadi é professor da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, e viaja frequentemente ao Irã. Ele disse que, enquanto esses canais têm algum efeito – por exemplo, através da transmissão de notícias sobre a existência dos protestos –, sua influência não é tão forte. "Esses canais não são intelectualizados e são muito superficiais; eles não têm análises, são canais de propaganda, pura propaganda. E você sabe, propaganda tem impacto apenas até um certo ponto, depois disso, não." "O povo iraniano atualmente é bastante intelectual. Ele vem se envolvendo em política nos últimos 22, 24 anos. Ele não precisa ser instigado a sair às ruas e sabe o que quer", afirmou Ahmadi. Muitos acadêmicos iranianos acreditam que as manifestações são um reflexo genuíno das frustrações sentidas pelos cidadãos comuns. Eles votaram no presidente reformista Mohammad Khatami há seis anos, apenas para ver seu programa de reformas bloqueado por conservadores de linha-dura. Agora, alguns ex-partidários parecem estar desistindo do presidente. Exemplo iraquiano Mas Sadeq Ziba Kalam, da Universidade de Teerã, acrescenta que alguns iranianos podem estar sendo influenciados ao assistir a derrubada de um regime impopular pelos americanos no vizinho Iraque. "De uma certa forma, isso politizou a geração mais nova de iranianos mais do que antes. Mas a impressão que tenho dos estudantes com quem converso é que estão divididos." "Os estudantes mais novos estão dizendo 'porque os americanos não atacam o Irã e acabam com esse regime clerical?'", afirmou Kalam. "Mas os estudantes mais moderados dizem 'não, não, não, seria totalmente errado os americanos nos atacarem e, não só não conseguiríamos nada, mas perderíamos muito do que conquistamos nos últimos 24 anos como resultado da revolução islâmica'." Os Estados Unidos podem estar esperando que iranianos comuns comecem um processo que vá culminar com a mudança das políticas do país. Mas se surgir qualquer evidência de que os americanos estão tentando forçar isso, pode haver uma contra-explosão. Muitos reformistas no Irã temem que se houver a impressão de que os americanos estão aumentando a pressão, isso poderá ajudar os conservadores a reunir o apoio do povo iraniano, em detrimento do presidente reformista. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||