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Atualizado às: 30 de abril, 2007 - 21h01 GMT (18h01 Brasília)
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Cientistas apontam danos da maconha no cérebro
Estima-se que 500 mil britânicos são dependentes de maconha
Equipes de cientistas de vários países mostraram como a maconha pode desencadear doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia.

Uma equipe do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres deu a voluntários saudáveis o ingrediente ativo da maconha, o tetrahidrocanabinol (THC).

Os cientistas registraram atividade reduzida na área do cérebro que evita os pensamentos considerados inadequados.

Nos últimos anos, os níveis de THC teriam dobrado na maconha vendida nas ruas da Grã-Bretanha - diminuindo os outros ingredientes que poderiam ter um efeito benéfico.

Um outro estudo mostrou que um destes ingredientes - canabidiol (CBD) - tem o potencial de amortecer os sintomas psicóticos e poderia formar a base de novos tratamentos.

A pesquisa será discutida em uma conferência sobre o impacto do uso de maconha, que deve ocorrer nesta semana no King's College.

Dependência

Apesar das estatísticas não serem mantidas com precisão, estima-se que cerca de 500 mil pessoas na Grã-Bretanha possam ser dependentes de maconha.

Especialistas temem que a maconha esteja ficando mais potente. Acredita-se que o conteúdo de THC aumentou, em média, de 6% para 12% nos últimos anos.

O estudo do Instituto de Psiquiatria deu um comprimido de placebo para alguns voluntários, THC ou CBD para outros que não tinham usado maconha.

Foram realizados exames do cérebro e uma série de testes que mostraram que os que tomaram o THC tinham atividade reduzida em uma área do cérebro chamada córtex inferior frontal que controla pensamentos e comportamentos inadequados, como xingamentos e paranóia.

Os efeitos foram curtos, mas algumas pessoas se mostraram mais vulneráveis que outras.

Em um segundo estudo, uma equipe da Universidade americana de Yale administrou o THC de modo intravenoso. Mesmo em doses relativamente baixas, eles descobriram que 50% dos voluntários saudáveis começaram a mostrar sintomas de psicose.

Voluntários que já tinham um histórico de sintomas psicóticos se mostraram mais vulneráveis.

Efeitos colaterais

Um outro estudo da Universidade de Colônia, na Alemanha, comparou o efeito do CBD e de um remédio usado freqüentemente no combate à psicose, o Amisulpride, em 42 pacientes com histórico de esquizofrenia.

Depois de quatro semanas os dois grupos mostraram uma redução em sintomas psicóticos, mas o grupo que recebeu o CBD tinha menos tendências a sofrer efeitos colaterais como rigidez muscular e ganho de peso.

Os pesquisadores alertaram que o THC e o CBD competem um com o outro em termos bioquímicos, então um aumento nos níveis de THC iria prejudicar qualquer impacto positivo do CBD.

"Se algo tem um efeito ativo para induzir os sintomas de psicose depois de uma dose, então não seria surpresa se o uso repetido induzisse à condição crônica", disse o professor Robin Murray, psiquiatra consultar no Instituto de Psiquiatria.

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