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Cientistas isolam gene de obesidade e diabetes | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cientistas do Imperial College de Londres afirmam ter descoberto um gene ligado à obesidade e à diabetes, que poderia contribuir para exames de diagnóstico. Versões defeituosas do gene ENPP1 prejudicam o modo como o corpo armazena energia e lida com o açúcar, ao bloquear a produção do hormônio insulina. Crianças com versões defeituosas do gene já são obesas aos cinco anos de idade, afirma a pesquisa liderada por Phillippe Froguel. Um diagnóstico precoce, seguido de uma intervenção, poderia salvar vidas, disseram os cientistas à revista especializada Nature Genetics. Obesos O índice de obesidade vem aumentando no mundo nos últimos anos e, no Brasil, 38,5% dos homens e 39% das mulheres estão acima do peso, segundo uma pesquisa realizada em 1997 pela Associação Brasileira de Estudo da Obesidade. Segundo um censo nacional realizado em 1989, 7,6% da população entre 30 e 69 anos têm diabetes. O Ministério da Saúde trabalha, desde 2001, com um número de 11 milhões de diabéticos no país. A diabetes e a obesidade aumentam o risco de desenvolvimento de doenças fatais, como cardíacas, por exemplo. Geralmente a falta de atividades físicas e a má alimentação são apontadas como as principais causas da obesidade e problemas metabólicos que podem levar à diabetes, mas os responsáveis por este estudo afirmam que, além disso, há que se levar em conta a carga genética. Fator genético Nesses indivíduos - até 20% nas comunidades caucasianas e 50% das comunidades negras - um estilo de vida saudável desde cedo é essencial para evitar problemas mais tarde, afirma o médico responsável pela pesquisa. Os cientistas observaram famílias francesas com forte histórico de diabetes e obesidade e compararam-nas com famílias que não apresentavam o problema. Quando os cientistas compararam os genes das 1.225 crianças obesas ou acima do peso aos cinco e 11 anos de idade aos das 1.205 crianças com peso normal, eles identificaram um padrão comum - muitas das crianças obesas apresentavam versões defeituosas do ENPP1. Ao analisar os adultos das famílias, os cientistas descobriram uma ligação semelhante entre as variantes do ENPP1 e a obesidade, além de uma ligação entre os genes com defeito e os sinais precoces de diabetes. O gene ainda foi relacionado à agressiva daibetes do tipo 2 nos adultos. Armazenando problemas Segundo o médico Phillippe Froguel, "o que é extremamente preocupante é que as crianças que apresentam esta mutação genética desenvolvem obesidade bem cedo - com cinco ou seis anos de idade - e a diabetes ocorre na meia idade". Segundo o médico, apesar de a descoberta não levar à criação de uma "pílula mágica" para curar a obesidade e a diabetes do tipo 2, ela poderá ajudar a identificar indivíduos e grupos em alto risco. O médico afirma que é tecnicamente possível realizar um exame para identificar quem tenha o gene defeituoso mas, para ele, este não seria o modo mais apropriado de atacar o problema da obesidade e diabetes. Em vez disso, Phillippe Froguel acredita que seria melhor introduzir medidas de saúde pública, como encorajar a indústria a diminuir a quantidade de açúcar e gordura dos alimentos, e estimular as famílias a fazer mais exercícios. A pesquisa não avaliou o quanto o defeito do gene pode ser responsabilizado pela diabetes e obesidade, em comparação com a falta de exercícios e a má alimentação. Mas o médico afirma que aqueles com histórico na família devem ficar atentos aos riscos. |
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