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Atualizado às: 19 de março, 2004 - 12h54 GMT (09h54 Brasília)
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Bebê recebe oito órgãos em transplante recorde
Cirurgia
Cirurgia em menina italiana de seis meses durou 12 horas
Uma equipe médica americana conseguiu fazer um transplante de oito órgãos em uma menina de seis meses. O número de órgãos transplantados é recorde.

Em uma operação que durou 12 horas, a menina italiana Alessia Di Matteo recebeu novos fígado, estômago, pâncreas, intestino grosso e delgado, baço e dois rins.

Alessia tinha uma doença fatal do sistema digestivo em que os músculos dos órgãos fazem movimentos involuntários.

A equipe do professor Andreas Tzakis, do hospital Jackson Memorial, em Miami, foi responsável pelo transplante. "Pelo que sei, esta é a primeira tentativa com oito órgãos", disse o médico.

'Passando bem'

O último recorde em transplante foi com sete órgãos, também realizado por Tzakis, em 1997.

Segundo o cirurgião, pelo menos um dos pacientes anteriores sobrevive há dez anos e outros estão passando bem.

"Quando essas crianças sobrevivem à cirurgia e passam bem, elas podem viver de forma perfeitamente bem", disse.

A doença de Alessia foi diagnosticada por ecografia quando ela ainda estava no útero da mãe. Se não for tratada, a doença mata.

Segundo Tzakis, o primeiro ano será decisivo para a sobrevivência de Alessia, mas ela passa bem.

"A criança está bastante bem", disse. "Ela está nos braços da mãe e está sendo alimentada por meio dos novos intestinos."

'Cautela'

Os órgãos novos saíram de um bebê de um ano. Aléssia está em observação, mas deve voltar à Itália em três meses.

O transplante foi realizado em 31 de janeiro, depois que Alessia foi transferida do hospital Gaslini, em Gênova.

"Sabíamos que a única maneira de salvar Alessia seria um transplante múltiplo de órgãos feito pelo professor Tzakis", disse um porta-voz do hospital ao jornal Daily Mirror.

O médico Steve Wigmore, cirurgião especializado em transplante da Royal Infirmary, em Edimburgo (Escócia), foi cauteloso.

"As pessoas que passam por transplantes múltiplos não têm um resultado particularmente bom", disse.

"Houve alguns sucessos surpreendentes, mas é preciso ser cauteloso em relação a quanto tempo a pessoa vai sobreviver."

Segundo Wigmore, transplantes múltiplos de órgãos começaram a ser feitos há apenas 15 anos.

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