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Atualizado às: 16 de fevereiro, 2004 - 15h18 GMT (12h18 Brasília)
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Cientistas assinam manifesto para salvar corais de alto-mar

Corais na Austrália antes e depois do uso do maquinário
O fundo do mar na Austrália, antes e depois do uso das máquinas.
Mais de 1.100 cientistas assinaram uma petição para as Nações Unidas e os governos de todo o planeta pedindo pela preservação dos corais de alto-mar.

Os pesquisadores querem uma moratória no uso do maquinário pesado que destrói os corais do fundo dos oceanos ao procurar peixes.

Alguns corais contém milhares de espécies e são chamados de “selvas das profundezas”.

“É como pescar com tratores”, disse o presidente do Instituto de Conservação Biológica Marinha dos Estados Unidos, Elliot Norse à BBC.

Dois mil anos

“É muito eficiente de certa maneira, é uma forma fácil de pesca se você não se importar de matar todas as outras formas de vida no fundo dos oceanos”, disse o especialista.

O maquinário é enorme. Redes são armadas com pesos de aço e destroem tudo no seu caminho. Nas geladas profundezas de um ou dois quilômetros abaixo do nível do mar, o índice de crescimento de todos os organismos é incrivelmente lento e os corais têm pouca chance de recuperação.

Alguns se parecem com árvores, chegando a dez metros de altura, e algumas espécies encontradas teriam quase dois mil anos de idade.

“Corais são matéria-prima para futuros remédios, eles registram mudanças climáticas porque vivem por tanto tempo, e proporcionam um habitat para tantas espécies, inclusive peixes valiosos comercialmente”, disse Norse.

“Eles são também organismos lindos.”

São peixes grandes como o bacalhau que habitam os corais ameaçados.

Esses tipos de peixe também não se recuperariam de uma pescaria intensiva. Alguns demoram décadas para atingirem a maturidade sexual.

Os corais de alto-mar foram descobertos no século 19.

Novos métodos

Foi descoberto apenas recentemente que existem florestas de corais em águas geladas, nas bordas dos continentes

Grandes campos de corais foram encontrados no Brasil, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Noruega, Suécia, Mauritânia e Irlanda.

Existem mais espécies de corais em águas profundas e geladas do que nas tropicais, mais rasas.

“Permitir o uso desse maquinário nas florestas de corais é a pior coisa que estamos fazendo nos oceanos hoje em dia. Nada pode ser mais idiota do que destruir habitats de populações de peixes em necessidade de recuperação”, disse Paul Pauly, da Universidade de British Columbia, no Canadá.

Os cientistas querem que o maquinário correntemente usado seja substituído por linhas de centenas de metros que ficariam localizadas acima dos recifes.

O lado ruim desta alternativa é que essas linhas poderiam danificar recifes ao serem recolhidas, mas a opção é infinitamente preferível aos métodos hoje empregados.

O doutor Martin Willison, da Dalhousie University, também no Canadá, disse que muitos pescadores com quem ele conversou reconhecem a necessidade de novos métodos.

“As condições sociais não permitem que os pescadores parem voluntariamente. Eles querem mudanças, mas os políticos precisam apoiar a questão.”

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