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Brasil inventa teste para câncer de estômago | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pesquisadores do Hospital do Câncer de São Paulo desenvolveram um teste molecular que pode facilitar o diagnóstico precoce do câncer de estômago, o segundo câncer que mais mata no Brasil e no mundo. A pesquisa foi feita em laboratório com material de 99 pacientes, comparando características de tecidos do estômago com uma lesão não maligna e tecidos de tumores já desenvolvidos. O objetivo é verificar as chances de um paciente desenvolver a doença, monitorá-lo para diagnosticar o problema logo no início e tratar, com remédios ou cirurgia para retirada do estômago. No futuro, depois da confirmação da eficácia em exames clínicos, seria possível prever as chances reais de um paciente com alterações da mucosa de desenvolver câncer. Diagnóstico difícil “Mais de 50% dos pacientes têm a doença diagnosticada numa fase já avançada, o que compromete o sucesso do tratamento. No diagnóstico precoce a chance de cura é acima de 95% em cinco anos”, diz o oncologista André Montagnini, um dos autores da pesquisa. O câncer de estômago é o segundo tumor que mais mata no Brasil e no mundo, depois do câncer de pulmão. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que no ano passado ocorreram no país 11,1 mil mortes por câncer de estômago e 21 mil novos casos da doença. Uma das dificuldades para o diagnóstico é a falta de sintomas claros no início da doença. “Um caroço nos seios é percebido facilmente como um alerta, mas um dor de estômago pode ser atribuída a um mal estar ou indigestão”, diz o diretor da Pós-Graduação do Hospital do Câncer e pesquisador do Ludwig, Luiz Fernando Lima Reis, outro autor do trabalho. Em alguns casos, de acordo com os médicos, mesmo a endoscopia é insuficiente para detectar a doença no estágio inicial. O trabalho dos pesquisadores brasileiros está na capa da revista científica americana Cancer Research, divulgada neste domingo. É o primeiro resultado concreto do Projeto Genoma Humano do Câncer, desenvolvido em São Paulo entre 1999 e 2001, que resultou na identificação de 1,2 milhão de fragmentos de DNA. Segunda fase Os pesquisadores, que desenvolveram a primeira parte do estudo nos últimos dois anos e meio com apoio do Hospital do Câncer e financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre Câncer, agora tentam conseguir financiamento para conduzir a segunda parte da pesquisa, que vai acompanhar pacientes para testar se a premissa desenvolvida em laboratório funciona na prática. Eles querem acompanhar um grupo de pelo menos mil pacientes com gastrite crônica ou metaplasia intestinal (um tipo de lesão da mucosa estomacal), selecionar os que, de acordo com a metodologia teriam mais chances de desenvolver câncer e acompanha-los para ver se de fato eles desenvolvem a doença. Se o índice de resultados positivos for elevado, será possível determinar com um elevado grau de precisão as chances de um paciente ter o tumor antes que ele se manifeste. “É como o exame de papanicolau para detectar câncer de colo de útero”, compara Montagnini. “Se der certo será possível saber qual metaplasia precisa ser tratada porque vai virar câncer e qual não precisa porque não vai”, acrescenta Lima Reis. O tempo para a segunda etapa da paesquisa é longo, entre sete e dez anos, e depende da quantidade de resultados positivos obtidos nos primeiros anos. “Se todos os pacientes que tiverem as chances detectadas realmente desenvolverem a doença num prazo de poucos anos saberemos que o método desenvolvido deu certo”, diz o Montagnini. |
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