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Atualizado às: 19 de dezembro, 2003 - 07h52 GMT (05h52 Brasília)
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Jogo para PC e videogame enfurece minorias em Miami

Cena de Grand Theft Auto: Vice City (© Rockstar Games)
'Grand Theft Auto: Vice City' foi um dos maiores sucessos de 2002 nos EUA

Violência é, há algum tempo, um tempero que tem ajudado os jogos de computador e videogame a vender, para desespero de alguns pais e educadores.

E violência é o que não falta em Grand Theft Auto: Vice City, um dos jogos mais vendidos nos Estados Unidos em 2002, quando foi lançado.

Mas não é o sangue jorrando, os rifles ou a serra elétrica usados no jogo que têm levado, nas últimas semanas, grupos de haitianos e cubanos a protestar contra o jogo e seu fabricante nas ruas de Miami - e sim, as acusações de racismo.

O motivo é simples: em determinado momento, o personagem principal do jogo é incentivado a matar gangues de criminosos das duas nacionalidades.

Inspiração

Em um diálogo, inclusive, é possível ouvir palavras de incentivo: "Mate os haitianos!" ou "mate os cubanos!"

Em um lugar como Miami - que reúne tantas pessoas vindas desses dois países e que tem um bairro chamado "Pequena Havana" e outro, "Pequeno Haiti" -, nada além seria necessário para causar polêmica.

Mas há mais um detalhe que enfureceu as duas comunidades em Miami: Grand Theft Auto: Vice City se passa em uma cidade que é claramente inspirada na Miami dos anos 80, inclusive com prédios que lembram os da cidade.

No jogo, o personagem principal é libertado da prisão e inicia uma jornada para recuperar dinheiro escondido pela máfia local. No caminho, vai enfrentando criminosos e, entre eles, gangues de cubanos, haitianos e outras minorias.

Mas são os haitianos os mais inconformados. Para eles, Grand Theft Auto: Vice City é mais um sinal da discriminação que sofrem diariamente.

Um polêmico presente de natal
Cena de Grand Theft Auto: Vice City (© Rockstar Games)

 Tenho certeza de que o jogo só ensina duas coisas: a roubar carros e matar pessoas.

Luis Guevara, filho de cubanos que mora em Miami

No último domingo, um grupo de 100 haitianos se reuniu para protestar do lado de fora de um supermercado da rede Wal-Mart que vende o jogo.

"O jogo tem dois problemas", disse Juvais Harrington, diretor da ONG Mulheres do Haiti, de Miami. "Ele é violento e apresenta a nossa comunidade de uma forma errada."

"No caso de pessoas que nunca tiveram contato com nossa comunidade, o jovo pode dar a impressão que todos nós somos criminosos. E há também o efeito sobre os jovens e crianças de nossa própria comunidade, que podem desenvolver a impressão de que esse é o melhor futuro que eles podem ter."

Desculpas

Joe Garcia, porta-voz da Fundação Nacional Cubano-Americana, acredita que quem estiver procurando por desculpas para desenvolver tensões raciais em Miami, vai encontrá-las no jogo.

"Eu não acredito muito que isso possa acontecer", explicou Garcia. "Mas isso não inocenta o jogo, que revolta qualquer pessoa que tenha bom senso no tocante à violência."

Apesar das alegações e dos protestos - o próximo marcado para este fim de semana, em frente a filiais da locadora Blockbuster que vendem e alugam o jogo em Miami, Grand Theft Auto: Vice City continua sendo um sucesso.

Procurando pelo jogo em algumas Blockbusters da cidade, não consegui encontrá-lo nem para comprar nem alugar.

Em uma outra rede de lojas popular na cidade, a Best Buy, recebi a promessa que encontraria uma única cópia da versão do jogo para PC se fosse a uma outra loja. Na loja que eu fui, só encontrei o jogo para videogame.

Cena de Grand Theft Auto: Vice City (© Rockstar Games)
No jogo, um ex-presidiário enfrenta mafiosos em cidade parecida com Miami

"É um dos jogos do momento", me disse um jogador em uma Blockbuster, explicando que era por isso que eu não o estava achando.

Mudança

Um outro jovem jogador, em frente a Best Buy, me disse que as pessoas não deveriam levar o jogo tão a serio.

"Ele me divirto muito", disse Adrián Rodriguez, de origem peruana. "Tem excelentes graficos, me relaxa. As pessoas têm que entender que é só um jogo, que a violência é ruim se for na realidade, não em um jogo."

Uma vendedora da loja, Janet Valdez, também acha que as pessoas podem estar exagerando. "Violência e racismo, você vê toda hora no cinema. Mas ninguém fala nada dos filmes."

Apesar disso, a Rockstar Games, responsável por Grand Theft Auto: Vice City concordou na semana passada em retirar das novas copias o diálogo incentivando os jogadores a matar membros de minorias.

A empresa disse que as frases polêmicas foram interpretadas fora de contexto e que nunca teve a intenção de ofender ninguém.

Para a comunidade haitiana de Miami, porém, a medida da Rockstar Games veio tarde demais, e eles querem que Grand Theft Auto: Vice City seja retirado por completo das prateleiras.

*Colaboraram Victoria Harrison e Javier Aparisi

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