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Jogo para PC e videogame enfurece minorias em Miami
Violência é, há algum tempo, um tempero que tem ajudado os jogos de computador e videogame a vender, para desespero de alguns pais e educadores. E violência é o que não falta em Grand Theft Auto: Vice City, um dos jogos mais vendidos nos Estados Unidos em 2002, quando foi lançado. Mas não é o sangue jorrando, os rifles ou a serra elétrica usados no jogo que têm levado, nas últimas semanas, grupos de haitianos e cubanos a protestar contra o jogo e seu fabricante nas ruas de Miami - e sim, as acusações de racismo. O motivo é simples: em determinado momento, o personagem principal do jogo é incentivado a matar gangues de criminosos das duas nacionalidades. Inspiração Em um diálogo, inclusive, é possível ouvir palavras de incentivo: "Mate os haitianos!" ou "mate os cubanos!" Em um lugar como Miami - que reúne tantas pessoas vindas desses dois países e que tem um bairro chamado "Pequena Havana" e outro, "Pequeno Haiti" -, nada além seria necessário para causar polêmica. Mas há mais um detalhe que enfureceu as duas comunidades em Miami: Grand Theft Auto: Vice City se passa em uma cidade que é claramente inspirada na Miami dos anos 80, inclusive com prédios que lembram os da cidade. No jogo, o personagem principal é libertado da prisão e inicia uma jornada para recuperar dinheiro escondido pela máfia local. No caminho, vai enfrentando criminosos e, entre eles, gangues de cubanos, haitianos e outras minorias. Mas são os haitianos os mais inconformados. Para eles, Grand Theft Auto: Vice City é mais um sinal da discriminação que sofrem diariamente.
No último domingo, um grupo de 100 haitianos se reuniu para protestar do lado de fora de um supermercado da rede Wal-Mart que vende o jogo. "O jogo tem dois problemas", disse Juvais Harrington, diretor da ONG Mulheres do Haiti, de Miami. "Ele é violento e apresenta a nossa comunidade de uma forma errada." "No caso de pessoas que nunca tiveram contato com nossa comunidade, o jovo pode dar a impressão que todos nós somos criminosos. E há também o efeito sobre os jovens e crianças de nossa própria comunidade, que podem desenvolver a impressão de que esse é o melhor futuro que eles podem ter." Desculpas Joe Garcia, porta-voz da Fundação Nacional Cubano-Americana, acredita que quem estiver procurando por desculpas para desenvolver tensões raciais em Miami, vai encontrá-las no jogo. "Eu não acredito muito que isso possa acontecer", explicou Garcia. "Mas isso não inocenta o jogo, que revolta qualquer pessoa que tenha bom senso no tocante à violência." Apesar das alegações e dos protestos - o próximo marcado para este fim de semana, em frente a filiais da locadora Blockbuster que vendem e alugam o jogo em Miami, Grand Theft Auto: Vice City continua sendo um sucesso. Procurando pelo jogo em algumas Blockbusters da cidade, não consegui encontrá-lo nem para comprar nem alugar. Em uma outra rede de lojas popular na cidade, a Best Buy, recebi a promessa que encontraria uma única cópia da versão do jogo para PC se fosse a uma outra loja. Na loja que eu fui, só encontrei o jogo para videogame.
"É um dos jogos do momento", me disse um jogador em uma Blockbuster, explicando que era por isso que eu não o estava achando. Mudança Um outro jovem jogador, em frente a Best Buy, me disse que as pessoas não deveriam levar o jogo tão a serio. "Ele me divirto muito", disse Adrián Rodriguez, de origem peruana. "Tem excelentes graficos, me relaxa. As pessoas têm que entender que é só um jogo, que a violência é ruim se for na realidade, não em um jogo." Uma vendedora da loja, Janet Valdez, também acha que as pessoas podem estar exagerando. "Violência e racismo, você vê toda hora no cinema. Mas ninguém fala nada dos filmes." Apesar disso, a Rockstar Games, responsável por Grand Theft Auto: Vice City concordou na semana passada em retirar das novas copias o diálogo incentivando os jogadores a matar membros de minorias. A empresa disse que as frases polêmicas foram interpretadas fora de contexto e que nunca teve a intenção de ofender ninguém. Para a comunidade haitiana de Miami, porém, a medida da Rockstar Games veio tarde demais, e eles querem que Grand Theft Auto: Vice City seja retirado por completo das prateleiras. *Colaboraram Victoria Harrison e Javier Aparisi |
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