|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Coleta intensiva ameaça futuro da castanha-do-pará
Uma velha conhecida do Natal, a castanha-do-pará, está ameaçada devido à coleta excessiva nas florestas. Um artigo divulgado na revista científica Science afirma que castanheiras que sofreram várias coletas durante grande número de anos geram poucas novas árvores, ameaçando o futuro da espécie. Os autores afirmam que poderá ser necessário um controle da população de animais que se alimentam da castanha, inclusive a cutia. Mas eles também disseram que as pessoas não precisam parar de colher a castanha-do-pará, pois o comércio ajuda a proteger a floresta amazônica. Ciclo interrompido A castanha-do-pará é uma semente. Em cada fruto, do tamanho de um repolho pequeno e com casca dura, até 25 podem ser encontradas. A castanha é a única semente comercializada internacionalmente que tem que ser coletada na floresta. Tentativas de cultivar a castanheira para exploração comercial falharam, pois a árvore só produz o fruto no habitat natural. A castanheira pode chegar a 50 metros de altura e 16,5 metros de circunferência em sua copa. Os autores do relatório publicado na Science estudaram 23 grupos de castanheiras na floresta amazônica, no Brasil, Bolívia e Peru. Eles encontraram grupos em que as sementes vêm sendo colhidas de forma intensiva por décadas. Nessas regiões, foram encontradas poucas árvores jovens, o que sugere que o ciclo de renovação da espécie foi interrompido.
O principal autor do relatório é Carlos Peres, um biólogo conservacionista tropical da Escola de Ciências Ambientais na Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha. Colheita não-sustentável ''A mensagem é que as práticas atuais de coleta da castanha-do-pará em vários locais da floresta amazônica não são sustentáveis a longo prazo'', afirmou. Ele acredita que as observações e simulações por computador feitas por sua equipe mostram a diminuição dos números de árvores mais velhas em áreas que são mais exploradas. Estas árvores não estão sendo substituídas por exemplares mais jovens. A equipe recomenda monitoramento constante e um gerenciamento cuidadoso das árvores para evitar um possível colapso da indústria da castanha-do-pará. O comércio da castanha é grande, com mais de 45 mil toneladas coletadas por ano só no Brasil. O relatório recomenda uma possível cota anual de castanhas, um esquema de replantio, usando mudas criadas em viveiros e um sistema de rotação para deixar áreas sem coleta de castanha por algum tempo. ''O que não queremos é que as pessoas concluam que devem parar de comer castanha-do-pará, pois estas castanhas significam renda para milhões de pessoas na Amazônia, e parar com o comécio significaria prejudicar um uso relativamente benigno de grandes regiões da floresta'', disse Peres. Polêmica A proposta mais polêmica talvez seja a do controle de animais que comem sementes e herbívoros de grande porte, para dar às sementes mais chances de germinarem.
Os candidatos, nesse caso, seriam a anta e a cutia, que têm um papel crucial no sustento das castanheiras. ''A maior parte das frutas ficam onde caem, no chão da floresta, até que sejam atacadas por fungos ou cupins. Mas as cutias vão roer a casca e enterrar a castanha para comer mais tarde'', disse Peres à BBC. ''Uma cutia pode enterrar muitas sementes e pode comer a maior parte delas, mas não todas. As cutias são importantes para dispersarem as sementes, mas também são predadores." ''Se você matar algumas cutias, é possível conseguir mais mudas de castanheiras. Temos outra pesquisa, usando cutias com transmissores de rádio em colares em seus pescoços, para descobrir mais sobre seu papel'', acrescentou Peres. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||