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Médicos descobrem mulher criada a partir da fusão de gêmeos
Médicos de Massachusetts, Estados Unidos, descobriram uma mulher que possui dois tipos de células geneticamente diferentes. A paciente, identificada apenas como Jane, foi examinada no Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, quando precisou de um transplante de rim, mas seus filhos, que foram concebidos naturalmente, não puderam fazer a doação. Jane, de 52 anos, e seus filhos não eram biologicamente relacionados. Exames mostraram que a paciente era uma quimera: a mãe de Jane ficou grávida de gêmeos não idênticos que acabaram se fundindo no útero durante a gestação, formando uma única pessoa. Incompatíveis Segundo a revista New Scientist, a equipe médica em Boston examinou os três filhos de Jane para saber se eles poderiam doar um dos rins para Jane. Mas os exames genéticos mostraram que dois dos filhos não poderiam ser de Jane. Análises mais detalhadas mostraram que a paciente era uma quimera tetragamética, uma pessoa com dois tipos de célula, geneticamente diferentes. O termo quimera vem do grego e designava uma criatura mítica, parte leão, parte serpente e parte bode. Jane, segundo os exames, tinha células de um dos gêmeos em seu sangue e também em outros tecidos. Mas os testes realizados em outros tecidos, inclusive nos ovários, mostraram a dominância de células do outro gêmeo. A condição da paciente foi revelada por acaso e os cientistas afirmam que muitas outras pessoas com essa anomalia genética levam uma vida normal sem saber de sua condição. Alguns até mostram alguns sinais mais visíveis como olhos de cores diferentes. Em outros casos, há problemas no sistema reprodutivo da pessoa, sendo encontrados orgãos reprodutores masculinos e femininos, pois estas pessoas possuem células dos dois sexos em seus corpos. Cerca de 30 casos de quimerismo foram relatados cientificamente. Troca de células Médicos sugerem que essa condição pode se tornar cada vez mais comum por causa da popularização da fertilização in vitro, que trabalha com a implantação de vários embriões no útero das pacientes. Em 1998, por exemplo, médicos na Universidade de Edimburgo, Escócia, relataram um caso em que dois embriões, um masculino e outro feminino, se fundiram para formar uma única criança. A condição foi descoberta no menino quando o testículo esquerdo não desceu normalmente. Cirurgiões descobriram no lugar um ovário e uma trompa de falópio. Até mesmo gestações naturais podem ocasionar esses casos. Durante a gravidez, algumas células da mãe ''escapam'' para o feto e vice-versa. Mais de 90% das mulheres podem ter no sangue células ou DNA de seus filhos durante a gravidez e mais de 50% continuam assim décadas depois do nascimento. Esta condição é conhecida como microquimerismo. Se a mulher tem outros filhos depois disso, as células do irmão mais velho também podem ser passadas de volta para o filho mais novo durante a gravidez. |
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