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Desinformação sobre como se pega HIV surpreende Grangeiro
O único aspecto relacionado ao Brasil da pesquisa sobre a percepção mundial da Aids, realizada pela BBC em mais de 15 países, que surpreendeu o diretor do Programa Nacional de Aids, Alexandre Grangeiro, foi o fato de um em cada quatro brasileiros consultados achar que compartilhar objetos de uso pessoal, como roupas, toalhas e copos, transmite o HIV. O dado é sinal de uma certa desinformação por parte de alguns brasileiros, já que o vírus não é transmitido dessa forma. "Isso é uma questão para nós avaliarmos de perto, já que essa desinformação não tem a ver com a prevenção à infecção em si, mas pode ter um impacto importante no preconceito contra quem tem a doença", afirma Grangeiro. O diretor, no entanto, não se disse surpreso com o dado de que, no Brasil, 66% das pessoas consultadas acharam que o governo não faz o suficiente para combater o problema. "A população brasileira é muito exigente, assim como a britânica e a americana, cujos dados são semelhantes aos do Brasil", avalia. Transmissão 'vertical' Alexandre Grangeiro disse ainda não ter se espantado com o baixo número (29%), o menor entre os países analisados, de brasileiros que acham que o HIV é uma ameaça à vida. "Na realidade acho que isso é um reflexo do sucesso do programa nacional de Aids, que, ao disponibilizar tratamento gratuito para todos os soropositivos, conseguiu reduzir consideravelmente o número de mortes", acha. Novamente no que é relacionado à infecção, Grangeiro diz não achar grave o Brasil ter uma das menores quantidades de pessoas (72%), entre os países analisados, sabendo que a Aids é transmitida de mãe para filho. "As campanhas de infecção vertical no Brasil são bastantes específicas, atingindo apenas as gestantes ou quem quer engravidar. Não são feitas para a população em geral", diz. Em compensação, somente no Brasil e nos Estados Unidos 99% dos entrevistados sabem que Aids se pega através da relação sexual e pelo uso de agulhas e seringas. "Isso é uma vitória do programa, que sempre enfatizou essas formas de prevenção", afirma Grangeiro. Outra amostra importante da pesquisa, na opinião do diretor do Programa Nacional de Aids, é o fato de o Brasil ser um dos países mais liberais sobre o uso da camisinha: 94% dos entrevistados acham que crianças e adolescentes antes dos 14 anos já devem ser informadas de que a camisinha protege contra o HIV. A pesquisa foi feita por telefone no Brasil, com 1.007 pessoas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 24 de agosto deste ano. Os outros países participantes são Bangladesh, China, Grã-Bretanha, Índia, Indonésia, Líbano, México, Nigéria, Rússia, África do Sul, Tanzânia, Trinidad, Ucrânia e Estados Unidos. |
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