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Para psicólogos, pesquisa sobre 'coversão de gays' é limitada
A pesquisa da Universidade Columbia, da cidade de Nova York, que afirma ser possível reverter a orientação sexual de alguns gays e lésbicas foi recebida com ceticismo por psicólogos brasileiros. O cientista Robert Speizer entrevistou 200 pessoas por telefone e concluiu que a maioria apresentou mudanças no comportamento sexual depois de passar por terapias oferecidas por igrejas ou outras instituições, mas que quase nenhum teve 'mudança completa'. O presidente do Conselho Federal de Psicologia, Odair Furtado, disse que o fato de os participantes da pesquisa serem ligados a instituições religiosas pode ter contribuído para o resultado. A terapia oferecida consistiu em evitar "situações tentadoras" e pensamentos eróticos, entre outros aspectos. Todos os entrevistados tinham manifestado desejo de mudar sua opção sexual. Reação O professor Marco Aurélio Máximo Prado, professor de Psicologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que o estudo de Spitzer possa ter motivação política. "Quem encaminhou os entrevistados para a pesquisa foram entidades que consideram a homossexualidade anormal", disse ele. "E o estudo não fala da mudança da orientação sexual. Fala da não-materialização de uma relação sexual com uma pessoa do mesmo sexo. A proposta terapêutica faz com que as pessoas controlem seus impulsos. Elas têm forma e metodologia de manter o impulso afastado." Prado diz que o desconforto com a opção sexual não pode ser visto como um fenômeno isolado. "É um desconforto em relação a um padrão moral, em relação à falta de reconhecimento social de uma opção. Ninguém se sente desconfortável por si só", diz o psicólogo. Proibição O Conselho Federal de Medicina proíbe que psicólogos prometam "curar" a homossexualidade, mas diz que quem estiver infeliz com sua condição pode procurar ajuda. Odair Furtado afirma que é possível controlar o comportamento sexual de uma pessoa, como acontece no caso dos padres que optam pelo celibato. Mas, de acordo com ele, não é uma posição que possa ser adotada pela maioria das pessoas que têm a felicidade sexual como pretensão. "Se nós estamos trabalhando para o bem-estar das pessoas, a pergunta adequada é: 'Como a pessoa pode ser feliz com a sua opção sexual?' É assim que melhoramos a qualidade de vida das pessoas", defende o presidente do CFP. "Não deve ser fácil mudar uma opção heterossexual e não deve ser fácil mudar uma opção homossexual." Furtado acredita que uma pesquisa desse tipo, para oferecer respostas mais convincentes, deveria ser ampliada para um universo maior, incluindo até mesmo heterossexuais. Para o professor Marco Aurélio Máximo Prado, só o fato de nenhum cientista propor a pesquisa inversa, tentando "transformar" heterossexuais em homossexuais, mostra que estudos desse tipo são tendenciosos. "Uma pesquisa oposta não se propõe porque pesquisas como essas já partem do princípio de se tomar decisões morais e padrões heterossexuais como absolutamente naturais da organização da vida. E a história humana mostra que há mais diversidade nessa organização." |
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