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Tartarugas têm erupção de vulcão marcada em DNA
As tartarugas que vivem na encosta do vulcão Alcedo nas ilhas Galápagos têm a marca de uma erupção antiga escrita no seu DNA, dizem cientistas. Os animais têm pouca diversidade genética se comparados com os outros grupos de tartaruga que vivem no arquipélogo. Isso sugere que houve, no passado, uma redução dramática no número das tartarugas. Os cientistas dizem que os estudos do DNA dos animais levam a esse evento ocorrido há 100 mil anos – exatamente quando o Alcedo teria entrado em erupção. Passado explosivo O explosivo passado das tartarugas é relatado na revista Science por Luciano Beheregaray, da Universidade de Yale, em Connecticut, nos Estados Unidos, e seus companheiros de trabalho. Beheregaray esteve envolvido em um programa para medir a variação genética dos animais do arquipélago, o que incluiu a população de tartarugas do Alcedo – cerca de 3 mil a 5 mil de acordo com a última contagem oficial. "Quando eu cheguei ao Alcedo, eu estava esperando encontrar mais variação, porque é, com certeza, a maior população, mas, na verdade, ocorreu o contrário – a variação genética era de três a cinco vezes menor do que em outros grupos", disse o pesquisador à BBC. Ao estudar o DNA presente no núcleo das células das tartarugas, a equipe de cientistas conseguiu determinar que a falta de variação genética se deve ao fato de ter havido uma redução na população desses animais há algum tempo. Ao estudar o DNA presente do lado de fora do núcleo – células chamadas de mitocôndrias – os cientistas puderam determinar quando essa redução teria ocorrido.
Isso é possível porque o DNA das mitocôndrias mudam regularmente ao longo do tempo, permitindo com que a emergência de padrões nas suas sequências possam ser marcados no tempo. Estudo da evolução Beheragaray disse ser pouco provável que a redução no número de tartarugas pudesse ser atribuída à caça uma vez registrada no arquipélago para alimentar os caçadores de baleias. "É pouco provável porque Isabella (a ilha onde está localizado o Alcedo) não é de tão fácil acesso como as outras ilhas", disse o pesquisador. O que é único do Alcedo, no entanto, é que ele passou por uma grande erupção 100 mil anos atrás – um momento na pré-história que coincide com a emergência dos padrões encontrados no DNA das tartarugas. Geologistas afirmam que esse evento violento depositou quase 3,5 quilômetros cúbicos de pedras e cinzas na inclinação do vulcão. "É difícil dizer quantos animais restaram", afirmou. "Mas deve ter sido uma redução dramática – talvez para cinco ou até talvez para apenas uma fêmea que recolonizou Alcedo – se não o sinal indicando a redução já teria desaparecido. Depois de muitas gerações, isso será perdido". Beheregaray disse que a abordagem usada pela sua equipe pode ser útil para estudar questões de evolução em outras ilhas vulcânicas, como as do Havaí. "Investigar os processos de extinção e recolonização associadas com erupções nessas ilhas iria aumentar o nosso conhecimento de como as espécies diferentes emergiram", acrescentou o pesquisador. |
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