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Europa manda sua primeira missão espacial à Lua
Depois de uma série de atrasos, deve partir finalmente neste fim de semana uma missão européia à Lua. A missão Smart 1 deve começar sua aventura lunar às 23hh do próximo sábado (19h no horário de Brasília). Ela atingirá o espaço com o foguete Ariane 5, que será lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa. A Smart 1 vai testar um novo tipo de sistema de propulsão, além de mapear as características da superfície lunar. Inteligente Os pequenos instrumentos da nave vão dar aos cientistas informações precisas sobre o que realmente constitui a superfície da Lua. Isso deve ajudá-los a confirmar a teoria de que a Lua foi criada a partir de uma colisão entre a Terra e outro corpo celeste. A Smart 1 - abreviatura de Small Missions for Advanced Research and Technology (Pequenas Missões para Pesquisas Avançadas e Tecnologia) - é a primeira tentativa européia de atingir o solo lunar. É uma tecnologia de demonstração e foi desenvolvida num curto espaço de tempo. O orçamento total do projeto é de 110 milhões de euros (R$ 300 milhões), valor considerado baixo para projetos desse tipo, principalmente porque aí estão incluídos os custos de lançamento. Isso foi conseguido em parte por novos métodos de gerenciamento, mas também por causa de novas técnicas de miniaturização e design. Com apenas um metro quadrado e pesando 367 quilos, poderia ser comparada a um brinquedo espacial. Mas a Smart 1 vem em um formato que vai mudar a natureza das futuras missões espaciais de baixo custo da Europa. Solar Uma da maiores ambições do projeot é testar o sistema de propulsão solar que vai mandar a Smart para a Lua.
O aparelho funciona expelindo um feixe de átomos de xenônio carregados - íons -na traseira da nave. Isso produz um impulso na direção oposta, que faz com que a nave avance. A energia para alimentar o sistema vem de painéis solares. Por isso, o termo "solar elétrico". A propulsão por íon não produz o impacto observado na propulsão química, mais comumente usada por foguetes. Mas, no longo prazo, a propulsão por íon se mostra mais eficiente e deve ser usada em muitas naves que estão sendo projetadas. Os cientistas desenvolveram esse tipo de equipamento durante décadas, mas só recentemente ele foi usado em aplicações espaciais. Isso ocorreu principalmente porque novidades em tecnologia de fotocélulas melhoraram significativamente a efetividade das asas espaciais solares. A nave americana Deep Space 1, de 1998, usou um propulsor de íon. Um satélite europeu, o Artemis, também está em órbita utilizando esse tipo de mecanismo. O sistema, porém, provou ser muito lento para distâncias pequenas. A Smart 1 levará 15 meses para atingir seu alvo. Atração da Lua
"Nós vamos descer de maneira espiral progressivamente, até o ponto em que começaremos a sentir a atração da Lua", disse Bernard Foing, cientista do projeto Smart 1. Ele afirmou que também haverá uma órbita mais próxima da Lua, de onde os cientistas farão todas as observações que pretendem. Nesse ponto, os instrumentos em miniatura entram em ação. Um deles, o D-Cixs, uma contribuição britânica para o projeto, vai fazer o mais compreensível inventário sobre as substâncias químicas presentes na superfície. "Nós pensamos saber do que a Lua é feita porque os astronautas da Apolo trouxeram de lá meia tonelada de rocha, mas elas vieram do lado da Terra, no equador (da Lua) e de áreas planas planos", disse o professor Manuel Grande, da equipe de instrumentos. "Essas áreas não são típicas e, o que é importante, não são as áreas antigas. O que nós precisamos fazer é uma pesquisa global para saber do que a Lua é feita -e a Smart 1, com seu espectrômetro, fará isso." Próximo passo Essa informação vai ajudar cientistas a confirmarem a teoria para a criação da Lua - a de que ela foi formada de pedaços que restaram da colisão entre a Terra e um corpo celeste do tamanho de Marte há aproximadamente meio bilhão de anos. Se isto está correto, o D-Cix deveria apontar que a proporção de ferro na Lua é menor do que na Terra, comparando-se com a quantidade de elementos mais leves como magnésio e alumínio. Se tudo der certo, muita da tecnologia usada pela Smart, particularmente em seu sistema de comunicação, navagação e propulsão, deverá ser usada na próxima geração de aeronaves européias. A missão Bepi-Colombo para Mercúrio, por exemplo, que deve ser lançada no fim desta década, provavelmente usará o sistema de propulsão por íon. "O objetivo é ter mais conhecimento sobre o universo, sobre o sistema solar, e educar o público sobre nossas origens, sobre desafios científicos", disse Foing. |
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