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Estudo que ligava ecstasy à morte foi feito com droga errada
Uma pesquisa cujo resultado dizia que um único comprimido de ecstasy podia prejudicar o homem foi baseada em um erro de laboratório. Especialistas nos Estados Unidos descobriram que quatro entre dez macacos morreram ou foram seriamente prejudicados após receberem uma dose pequena da droga que, acreditava-se, era ecstasy. Na realidade, uma droga muito mais poderosa havia sido dada aos animais por engano. A equipe da Universidade Johns Hopkins foi forçada a retirar o seu trabalho da respeitada revista científica Science. Mal de Parkinson Especialistas não entendem como a pesquisa, cheia de falhas, chegou a ser publicada por um veículo tão renomado. Colin Blakemore, professor de Fisiologia da Universidade de Oxford, disse que o grande número de primatas mortos ou seriamente prejudicados já parecia implausível. Ele disse à BBC: "O que quer que nós pensemos sobre a toxicidade do ecstasy, o fato é que 40% das pessoas que usam a droga todos os fins de semana não morrem". O estudo dizia que tomar o ecstasy uma única vez poderia resultar em uma queda de longa duração na capacidade do cérebro de produzir uma importante substância, a dopamina. Parkinson Segundo os autores do estudo, isso seria suficiente para que o usuário desenvolvesse condições como o Mal de Parkinson. As doses usadas nos macacos, eles disseram, eram similares às usadas pelos freqüentadores dos clubes noturnos. Dois dos macacos morreram após o tratamendo com a droga e dois não puderam continuar participando do estudo porque seus cérebros foram severamente danificados. As falhas do estudo vieram à tona quando os pesquisadores, liderados pelo professor George Ricaurte, tentaram repetir os testes usando ecstasy em comprimido e não mais por injeção. Os resultados encontrados não tinham qualquer relação com os anteriores. 'Engano' Em uma nota explicando a retirada do estudo, publicada no site da revista, o professor Ricaurte admitiu que as amostras de ecstasy usadas nos testes haviam chegado ao laboratório no mesmo pacote que uma outra, mais potente, forma de anfetamina. Houve um engano, talvez causado por um erro nas etiquetas, e a droga errada foi dada aos macacos no lugar do ecstasy. Testes feitos nos cérebros dos macacos mortos confirmaram o engano. Ricaurte disse, entretanto, que o suposto erro não coloca em xeque os resultados de inúmeros estudos anteriores demonstrando os efeitos do ecstasy em várias espécies de animais. Mas, para o professor, o erro pode prejudicar a credibilidade de outros cientistas fazendo experiências válidas sobre os efeitos a longo prazo de drogas como o ecstasy. "(O erro) erode o respeito pela ciência e eu acho que terá um efeito muito perigoso e prejudicial sobre as atitudes dos jovens em relação às provas científicas e aos aconselhamentos a respeito do uso de drogas." |
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