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Atualizado às: 21 de julho, 2003 - 11h52 GMT (08h52 Brasília)
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Excesso de hormônio pode causar infertilidade

Pesquisadores da Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha, anunciaram a descoberta de um "defeito" no processamento de hormônios no corpo humano que pode levar ao desenvolvimento da síndrome de Stein-Leventhal ou Doença Ovariana Policística (DOP).

A síndrome pode causar infertilidade, abortos e obesidade, bem como crescimento anormal de pelos e menstruação irregular.

Acredita-se que até 10% das mulheres na Inglaterra e no País de Gales sejam afetadas pela doença, que seria provocada pela produção excessiva do hormônio masculino – a testosterona – pelo organismo.

O estudo – publicado na versão online da revista especializada Nature Genetics – descobriu que em até 5% das mulheres a síndrome de Stein-Leventhal pode ser causada por uma falha no processamento do hormônio cortisol, relacionado ao estresse.

Energia

O cortisol ajuda o corpo a lidar com situações de estresse, preparando os músculos para entrar em ação.

O hormônio também é importante no combate a infecções e inflamações.

O cortisol, ativo, é transformado em cortisona, a forma inativa, por enzimas do corpo humano.

Os pesquisadores descobriram que algumas mulheres não têm essas enzimas e, por isso, não são capazes de processar o cortisol adequadamente – o que provoca um aumento nos níveis de testosterona.

O estudo inicial foi feito com três mulheres no Centro de Pesquisa Wellcome Trust do hospital Rainha Elizabeth, em Londres, e agora está sendo realizado com outras 150 milhares.

Já existe um teste que detecta o problema, mas muitas mulheres não têm acesso a ele.

Testosterona

Quando se descobre que uma mulher tem problemas para metabolizar o cortisol, receita-se hormônios similares que desempenham a mesma função, mas que o corpo é capaz de processar, evitando os riscos do acúmulo de testosterona.

"Mesmo se só conseguirmos ajudar uma pequena proporção das mulheres afetadas pela doença, já teremos dado um grande passo adiante", comentou o professor Paul Stewart, da Universidade de Birmingham.

No entanto, Stewart ainda está cauteloso sobre as descobertas de sua equipe.

"Ainda não sabemos, realmente, até que sejam feitos mais estudos, quão comum é esse problema específico", afirmou ele.

Uma representante da Verity, uma ONG que presta apoio a mulheres que sofrem de DOP, disse que está acompanhando os estudos com interesse.

"É uma doença complexa que afeta milhares de mulheres na Grã-Bretanha, dessa forma, qualquer coisa que possa ajudar no combate aos sintomas só pode ser bem-vinda."

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