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Atualizado às: 03 de julho, 2003 - Publicado às 11h03 GMT - 08h03 (Brasília)
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Cientistas criam embrião humano hermafrodita

Embrião
Embriões em desenvolvimento podem ser fundidos

Uma equipe de cientistas nos Estados Unidos criou o primeiro embrião humano hermafrodita.

Os pesquisadores insistem que o embrião foi criado para curar doenças, mas críticos dizem que padrões éticos e morais foram quebrados.

O processo utilizado pelos cientistas cria o que é conhecido como "quimera", uma mistura de dois embriões, cada um com identidades genéticas diferentes.

No entanto, qualquer tentativa de produzir um bebê desse embrião provocaria uma grande polêmica sobre ética em todo o mundo.

Células

Em uma experiência que utilizou embriões doados, cientistas dos Centros para Reprodução Humana em Nova York e Chicago investigaram se células saudáveis de um embrião poderiam ser implantadas efetivamente em um segundo embrião defeituoso.

Os pesquisadores descobriram que, em alguns casos, as células implantadas proliferam e se disseminam no embrião quimérico.

A esperança deles é que mesmo um pequeno número de células de um embrião saudável possa impedir o surgimento de determinadas doenças.

De acordo com os cientistas, nunca houve a intenção de desenvolver os embriões em bebês, e eles foram destruídos após poucos dias.

Falhas

No entanto, outros especialistas descartaram a idéia, classificando-a como "profundamente falha", e dizem que as pesquisas sobre esse tema não deveriam continuar nem mesmo em animais.

O uso de tecnologia quimérica em reprodução humana é ilegal na Grã-Bretanha.

"Não está pronto para aplicação clínica em humanos. Não quero sugerir isso", disse o chefe da pesquisa, Norbert Gliecher, durante a reunião anual da Sociedade Européia para Reprodução Humana, em Madri.

"Mas a exploração adicional em animais está garantida, e quem sabe onde isso vai nos levar?"

Possibilidade

O potencial para uma fusão de células de dois embriões e para a formação de um indivíduo "combinado" é algo muito conhecido na natureza - há casos em que isso ocorreu no início da gravidez em seres humanos, sem qualquer efeito nocivo sobre o bebê.

Por trás da pesquisa de Gliecher está uma teoria sugerida em alguns estudos de que, no caso de determinadas doenças provocadas por um único defeito genético, se houver pelo menos 15% das células do corpo livres do defeito, o desenvolvimento da doença pode ser evitado.

Gliecher diz que sua experiência mostrou apenas que a injeção de poucas células em um embrião produziu um embrião com uma distribuição equilibrada de células que carregavam esses novos genes.

Ele injetou deliberadamente uma célula masculina no embrião feminino, o que criou um embrião "intersexual", mas permitiu que ele usasse testes químicos para verificar o processo dos cromossomas característicos das células masculinas.

Ataques

Segundo Gliecher, um casal examinado para uma doença de um único gene, como a Desordem da Imunodeficiência Combinada Grave (SCID, na sigla em inglês), pode acabar com dois embriões - um deles com a doença e outro não.

Nesse caso, diz o cientista, seria possível retirar células de um "bom" embrião e colocá-las naquele que tem defeito, produzindo dois embriões viáveis - enquanto antes, o embrião com defeito teria que ser descartado.

No entanto, a experiência de Gliecher foi amplamente atacada por cientistas experientes na conferência.

"Realmente, não vejo a lógica do que ele está tentando fazer. Parece completamente falho para mim", disse à BBC o professor Alan Trouson, pioneiro de fertilização in vitro na Austrália.

Segundo o professor, seria impossível confirmar se a versão correta dos genes foi amplamente incorporada ao embrião antes do momento de decidir se ele deveria ser transferido de volta ao útero.

Inquietação

Trouson disse também que ainda são incertos os riscos para a saúde na produção de um indivíduo quimérico.

"A não ser que se possa ter certeza de se estar fazendo o bem, não se deve fazer algo que pode provocar danos", disse.

Segundo o professor, a equipe americana não deveria sequer tentar continuar suas experiências em animais.

A professora Lyn Fraser, ex-presidente da Sociedade Européia para Reprodução Humana, disse à BBC que compartilhava da inquietação sobre a técnica.

"Não vejo como (a técnica) pode ser usada para tratar de desordens de um único gene. É difícil aceitar que tenham sequer feito isso", observou.

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